Demissões, falta de funcionários e assédio moral. Estes foram os principais pontos denunciados pelo Sindicato em reunião realizada com representantes do Santander no dia 29 de fevereiro. Diante da grave situação relatada por funcionárias e funcionários do banco em visitas feitas pelo Sindicato, os representantes dos trabalhadores cobraram respeito do Santander para com os bancários e o cumprimento dos acordos coletivos.

As denúncias realizadas pelo Sindicato se ampararam também no manual de “Relações Laborais e Prestação de Serviços Financeiros – Boas Práticas”, que faz parte do Acordo Aditivo específico assinado pelo Santander e pelos representantes da categoria após o fim da Campanha Nacional de 2014.

Representando o Sindicato, participaram da reunião a sua presidenta, Eliana Brasil, e os diretores, que são funcionários do Santander, Davidson Siqueira, Fernando Lemos e Wagner dos Santos. Esteve presente ainda o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Carlindo Dias “Abelha”, que também é diretor do Sindicato.

“Cobramos uma reunião para denunciar os problemas vividos diariamente pelos bancários do Santander, que sofrem com a sobrecarga de trabalho e as pressões constantes para o cumprimento de metas. Nosso Sindicato se mantém permanentemente mobilizado para combater os abusos dos bancos e buscamos sempre o caminho do diálogo, evitando a judicialização que pode acirrar os conflitos e prolongar o prazo para a solução dos problemas”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Já o Banco Santander foi representado pela superintendente de RH – Relações Sindicais, Fabiana Ribeiro, pelo superintendente Regional BH, Nelson Lopes, pelo superintendente BH Metropolitana, Wladimir Valdez, pela superintendente de Atendimento Rede Minas, Eliandra Zanine, pelo superintendente Regional MG PABs, Angelo Carvalho, pelo gerente Regional de Atendimento (GRA) BH Metropolitana, Murilo Rodrigues, pelo GRA BH, Gleison Silva, e pelo GRA MG PABs, Marco Tulio.

Durante a reunião, o Santander também realizou a apresentação dos novos superintendentes aos bancários. Ficou acertado, ainda, que uma nova mesa será agendada para dar prosseguimento às discussões e para que o Sindicato acompanhe a solução para os problemas denunciados.

“Deixamos claro que não aceitamos desrespeito e abusos cometidos contra os trabalhadores. Mesmo com os altos lucros, os bancos continuam demitindo bancários e submetendo os que ficam a jornadas extenuantes, com pressão diária para o cumprimento de metas que leva inclusive ao adoecimento”, ressaltou o diretor do Sindicato e secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Carlindo Dias “Abelha”.

Demissões e falta de funcionários nas agências

Os trabalhadores denunciaram que, desde o último ano, tem crescido o número de demissões no Santander. Isto tem agravado ainda mais a situação dos bancários, que sofrem com a falta de funcionários nas unidades, a sobrecarga de trabalho e as pressões diárias. Além disso, têm ocorrido promoções e transferências de trabalhadores sem que haja a devida reposição.

“A falta de funcionários prejudica inclusive o atendimento à população. Em alguns casos, caixas estão sendo desviados de suas funções, aumentando o tempo de espera nas filas e sobrecarregando os que permanecem no atendimento. Cobramos que o banco coloque fim a mais este absurdo”, destacou o diretor do Sindicato Wagner dos Santos.

O Santander se comprometeu a solucionar o problema das reposições e afirmou que o processo já está ocorrendo gradualmente.

Assédio moral e pressões

O Sindicato denunciou que têm sido recorrentes as práticas abusivas nas agências, como o caso de um gestor de BH que foi acusado de cobrar agressivamente, expor e constranger bancários de uma unidade de trabalho na capital.

Os trabalhadores denunciaram, ainda, que o Santander tem redistribuído metas não cumpridas para funcionários que já cumpriram a sua cota. O banco disse que irá averiguar o problema e alegou que a prática é isolada, e não parte de uma orientação institucional.

Além disso, os representantes dos bancários denunciaram que, nas vendas de seguros, tem ocorrido a pressão para que metas mensais sejam cumpridas num tempo menor, muitas vezes com o prazo de apenas uma semana. O Santander negou que a prática ocorra, mas se comprometeu a verificar a questão.

Outro grave problema é o chamado “Comitê Bacen”, denunciado pelos trabalhadores ao Sindicato. De acordo com relatos, com a falta de funcionários nas unidades, tem crescido o número de reclamações de clientes ao Banco Central.

“O Santander, porém, tem jogado toda a responsabilidade para os gerentes Gerais e gerentes de Atendimento inclusive em casos ligados à Superlinha, ao internet banking e cartões, que fogem da alçada desses trabalhadores. Para cobrar e pressionar, têm sido realizadas reuniões fechadas mensais, com a presença de todas as agências e ameaças inclusive de demissão”, explicou o diretor do Sindicato Davidson Siqueira.

O banco reconheceu que realiza as reuniões mensais, mas afirmou desconhecer as práticas abusivas e afirmou que irá apurar o caso.

Os bancários denunciaram também que audioconferências são realizadas várias vezes ao dia, nos Postos de Atendimento Bancário (PABs), para a cobrança de metas abusivas. O Santander, porém, negou que a prática exista.

Erros na documentação de rescisão

Trabalhadores desligados também têm enfrentado problemas para realizar homologações e para ter acesso ao FGTS devido a erros do Santander. Quando não faltam documentos, o banco tem fornecido formulários com impressão nos dois lados da folha, o que não é aceito pela CAIXA, além de chaves de conectividade incorretas, o que impossibilita o acesso do trabalhador ao Fundo de Garantia. O Sindicato cobrou providências imediatas e o Santander afirmou que irá solucionar o problema.

Ponto eletrônico

Outra denúncia apresentada foi a de que muitos bancários têm sido induzidos a registrar o ponto de saída e continuar trabalhando, para que não seja descumprida a lei que estabelece o limite de duas horas extras diárias.

“A situação fica ainda mais grave devido à sobrecarga de trabalho nas agências, onde já faltam funcionários, e nos dias de pico com grande número de clientes e grande volume de rotinas internas. Exigimos que o Santander respeite os trabalhadores e cumpra a lei”, explicou o diretor do Sindicato, Fernando Lemos.

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