O Sindicato se reuniu com o Itaú nesta terça-feira, 14, em Belo Horizonte, para cobrar o fim das demissões e tratar de diversas questões ligadas aos funcionários. Na pauta estiveram temas como as metas dos caixas, a situação do emprego de funcionários da Emp 4, com destaque para a situação das pessoas com deficiência (PCDs), CPA-10 para os caixas, horário estendido, entre outras questões.

Os funcionários foram representados pela presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, e pelos diretores Antônio Guimarães (Magaiver), Cleber Wolbert, Jacqueline Cardozo, Kennedy Santos, Luciana Duarte, Marilene Gualberto, Ramon Peres, Ted Silvino e Valdênia Ferreira. Já o Itaú foi representado por Marco Aurélio e Romualdo Garbos, da Superintendência de Relações de Trabalho em São Paulo, e por Lúcia Carneiro e Luiz Cláudio da Gerência Regional de Relações Sindicais em Belo Horizonte.

Demissões

Em relação aos desligamentos, o Sindicato abriu a negociação denunciando a prática do Itaú de demitir, na maioria dos casos, funcionários com mais de 20 anos de banco, destacando também que, no mês de março de 2015, o número de demissões apresentou grande crescimento. Os representantes dos funcionários lembraram ao banco que foram realizadas paralisações em BH nos dias 19 e 25 de março deste ano justamente em protesto contras as demissões e que o Sindicato permanece mobilizado para lutar pelo emprego.

O Itaú alegou que o aumento das demissões em março ocorreu em função da avaliação pelas Trilhas, nas quais um comitê verifica a performance do funcionário com a possível consequência da demissão. O banco ainda afirmou, irresponsavelmente, que o saldo entre demissões e contratações está dentro da rotatividade habitual. Em relação ao perfil das demissões, como no caso dos funcionários com muitos anos de casa, o Itaú se comprometeu a verificar a situação e dar retorno ao Sindicato.

“Estamos acompanhando dia a dia as demissões do Itaú e não concordamos com essa normalidade que o banco defende ao justificar os desligamentos. Exigimos o fim imediato do processo de demissões e estamos atentos. Se for necessário, realizaremos novas paralisações em defesa do emprego”, afirmou Antônio Guimarães (Magaiver), que é funcionário do Itaú e diretor do Sindicato.

Pessoas com deficiência

O Sindicato deixou clara a preocupação em relação às pessoas com deficiência da Emp 4, que foram deixadas de lado pelo banco e sofreram ameaças de demissão no caso de não encontrarem, por conta própria, uma realocação em alguma agência. A situação se tornou ainda mais grave quando, no dia 1º de abril, o Itaú excluiu estes funcionários do programa Agir.

Os representantes dos trabalhadores cobraram a realocação destes bancários e o Itaú ficou de verificar a situação e dar um retorno à entidade.

Ainda em relação às PCDs, o Sindicato questionou a transferência destes trabalhadores para unidades de trabalho que dificultam seu deslocamento e mesmo o desempenho de suas funções. O banco também se comprometeu a dar uma resposta sobre o assunto.

Programa de Demissão Voluntária

Durante a negociação, os representantes dos funcionários destacaram que o Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os assessores da Emp 4 foi implantado de forma unilateral pelo Itaú, sem a participação dos trabalhadores. O Sindicato denunciou que existe pressão sobre os bancários para a adesão, inclusive com ameaças de demissão no caso do funcionário não conseguir uma realocação.

O Itaú alegou que o “público-alvo” do PDV era de cerca de 1.000 funcionários e que, destes, 450 foram realocados e 120 fizeram a adesão. O banco afirmou ainda que, entre janeiro e fevereiro de 2015, a adesão foi baixa e que o programa está aberto até junho deste ano.

O Sindicato questionou o banco ainda sobre a situação do plano de saúde, já que o programa prevê que bancário que saia com o PDV tenha as mesmas condições da ativa durante 36 meses. Os representantes dos funcionários afirmaram que há preocupação em relação à possibilidade de trabalhadores já aposentados de continuar no plano de saúde após o término deste prazo. O banco garantiu que a opção pelo plano está garantida nestes casos.

Ranking

O Sindicato cobrou do Itaú uma posição clara em relação à insistência de alguns gestores em fazer rankings de funcionários, o que vai contra a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária.

O Itaú alegou que existe diferença conceitual na divulgação do ranking, já que entende que os nomes dos melhores podem ser divulgados, mas se comprometeu a apurar os casos denunciados e reorientar os gestores para que evitem esta exposição.

Metas de caixa e CPA-10

Os representantes dos funcionários denunciaram as pressões sofridas pelos caixas para que vendam produtos, o esvaziamento do atendimento nos terminais de caixa e a exigência da certificação CPA-10 para estes funcionários. O Sindicato ressaltou que gerentes de suporte operacionais (GSOs) têm aterrorizado os caixas com seus métodos de cobrança de metas.

O Itaú explicou que não existe a exigência de CPA-10 para os caixas e se comprometeu a se reunir com os GSOs para tratar das pressões sobre os funcionários.

Atestado de Saúde Ocupacional

O Sindicato questionou o Itaú em relação à utilização Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) no momento da demissão de bancários. Os representantes dos trabalhadores afirmaram que o atestado, que coloca o funcionário como apto para o trabalho, nem sempre reflete o estado de saúde do bancário no momento da demissão.

Os dirigentes sugeriram que seja realizado o exame demissional e que, junto ao ASO, seja entregue ao funcionário um relatório sobre sua saúde.

Sobre o tema, o Itaú se comprometeu a realizar debate em uma nova ocasião.

Plano de Saúde dos aposentados

O Sindicato questionou o banco sobre a emissão de novas carteiras da UNIMED para o bancário aposentado. Com a emissão, o número da carteira foi mudado e o aposentado passou a ter carência para utilizar o plano.

O banco se comprometeu a entrar em contato com a UNIMED para resolver o problema.

Horário estendido

Os representantes dos funcionários denunciaram que o banco tem obrigado funcionários a ir para agências com horário estendido sem levar em conta os compromissos pessoais destes trabalhadores.

O Itaú alegou que não existe essa obrigatoriedade e que reforçará esta orientação junto aos gestores para que a opção dos funcionários seja respeitada.

Avaliação

Para Magaiver, as negociações com o banco são essenciais para o debate sobre os problemas diários enfrentados pelos funcionários. “Questionamos o Itaú sobre diversas questões de interesse dos bancários e aguardamos resposta sobre cada um dos temas tratados durante a negociação. Estamos preparados e mobilizados para paralisar as unidades de trabalho a qualquer momento caso nossas reivindicações não sejam atendidas”, afirmou.

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