Foto: Arquivo Sindicato

 

Com um histórico de lutas e grandes conquistas para a categoria bancária, o Sindicato dos Bancários de BH e Região completa seus 81 anos no próximo domingo, dia 27 de outubro. A trajetória da entidade se confunde com a história do Brasil, de Minas Gerais e de Belo Horizonte e é marcada pela ativa e intensa participação política em importantes momentos do país.

Neste ano de 2013, demonstrando seu vigor e força, o Sindicato foi, mais uma vez, importante protagonista em lutas pelos direitos dos trabalhadores e de mais uma Campanha Nacional vitoriosa, que trouxe conquistas e avanços em direitos para bancárias e bancários.

Após 23 dias de uma greve histórica, a maior dos últimos 20 anos, a categoria bancária assegurou, em 2013,  avanços econômicos e sociais, com aumento real pelo décimo ano consecutivo e novas cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre os destaques, estão questões importantes nas áreas de saúde e condições de trabalho, como a proibição do envio de torpedos aos bancários para a cobrança de resultados e a criação de um grupo de trabalho para discutir as causas do adoecimento dos trabalhadores.

Além disso, a categoria bancária foi a primeira a garantir, em Convenção Coletiva, o benefício do vale-cultura, uma grande conquista que permitirá que bancárias e bancários tenham mais acesso à literatura, ao cinema, ao teatro e aos espetáculos de música.

Em 2013, também se destaca a luta do Sindicato contra o Projeto de Lei 4.330, que permite a terceirização de todas as atividades nas empresas, precarizando as relações de trabalho e enfraquecendo a organização dos trabalhadores no Brasil. A entidade promoveu várias passeatas e participou ativamente de manifestações, atos públicos e audiências em Belo Horizonte e em Brasília para pressionar parlamentares a se posicionarem contra o projeto, assegurando que ele não fosse votado na Câmara dos Deputados.

O presidente do Sindicato, Cardoso, ressaltou que a entidade contribuiu de forma decisiva para construir uma consciência de luta de classes e de mobilização entre os trabalhadores. “O Sindicato dos Bancários de BH e Região foi forte e combativo nos momentos mais difíceis da política brasileira, como os anos de ditadura e o neoliberalismo do governo FHC. Enfrentamos com garra e determinação a fúria dos neoliberais, que tentaram privatizar a CAIXA e o Banco do Brasil, e deixamos clara a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e que valoriza os direitos dos trabalhadores. O Sindicato completa 81 anos de vitórias e a luta continua, sendo fundamental a participação de bancárias e bancários para a construção de um movimento cada vez mais forte”, afirmou.

Foto: Patricia Penna

Histórico de lutas e mobilização

O Sindicato dos Bancários de BH e Região é exemplo de luta e de trajetória vitoriosa construida pela categoria que faz da coragem e determinação as principais armas para alcançar importantes conquistas. Criado em 1932, no primeiro governo de Getúlio Vargas, o Sindicato dos Bancários de BH e Região surgiu em uma época de grandes transformações políticas no Brasil e na capital mineira.

Após o Golpe de Estado, em 1930, a cidade se expandia comercialmente e os trabalhadores começaram a se organizar dentro dos moldes sindicais instituídos em 1931. Com o aumento no número de bancos, a categoria bancária, que até então era representada pela União dos Trabalhadores do Comércio, deu início à sua mobilização e à organização de suas próprias reivindicações.

Em 17 de setembro de 1932, foi criada a Associação Mineira de Bancários, embrião do atual Sindicato. Pouco mais de um mês depois, em 27 de outubro de 1932, surgiria a entidade, com a eleição da diretoria provisória. Desde o início, o sentimento de união evocado pelo Sindicato já afirmava sua posição de instituição com força política nacional.

Nos 81 anos de luta, os bancários de Belo Horizonte, junto à categoria a nível nacional, debateram e lutaram por questões fundamentais, como horas extras, salário, cultura do trabalhador, políticas econômicas e sociais, defesa do patrimônio público brasileiro e muitas outras.

No decorrer das décadas, o Sindicato marcou sua força política através de importantes momentos, como a primeira greve sob seu comando, em 1946, a conquista da sede própria em 1951, a resistência à ditadura militar, inúmeras campanhas salariais, a filiação à CUT, em 1987, o enfrentamento ao neoliberalismo na década de 90 e muitas outras importantes conquistas.

Somente nos últimos dez anos, os bancários já conquistaram, através das campanhas, aumento salarial real de 18,33%, ganho real de 38,7% no piso, melhorias sucessivas na PLR, além de diversos avanços em questões de saúde, igualdade de oportunidades e segurança bancária.

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