Crédito: Arquivo Sindicato

 

Em audiência realizada no dia 24 de outubro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG), o Sindicato denunciou o Banco Itaú por desrespeito à jornada de trabalho dos bancários lotados em três agências de Belo Horizonte (8562 – BH – Av. Pres. Carlos Luz – Shopping Del Rey, 8261- BH – Afonso Pena e 7475 – BH – Praça Tiradentes) e uma agência no município de Betim (3195 – Shopping Betim – MG). O Sindicato foi representado na audiência pelos diretores e funcionários do Itaú, Ramon Peres, Ted Silvino e Kennedy Santos e o banco foi representado por Luis Padilha, do setor de Relações de Trabalho.

O Sindicato denunciou que o Itaú, desde o dia 29 de maio deste ano, vem implantando, em suas agências, horários diferenciados com a finalidade de aumentar ainda mais seus lucros estratosféricos. Pelo projeto do banco, o objetivo seria chegar a 1,5 mil agências com horário ampliado em todo o país.

Os bancários reclamam da imposição da nova jornada somada à redução de postos de trabalho e constantes pressões por resultados, além da extrapolação de jornada habitual, que obriga os empregados a fazer horas-extras.

O Sindicato denunciou também que as quatro agências do Itaú não respeitam os limites legais da jornada de trabalho, obrigando muitos empregados a ultrapassarem oito horas diárias. A postura do banco contraria o artigo 224 da CLT que estabelece a jornada de trabalho dos bancários em seis horas diárias, de segunda a sexta-feira.

Outra denúncia do Sindicato diz respeito ao desvio de função de gerentes e chefes de serviço que executam função de caixa, além da redução do quadro funcional, adoção de escalas móveis, substituição de bancários mais experientes por novos com salários inferiores e falta de segurança devido à saída fora de horário dos empregados.

Para o diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, Ted Silvino, os bancários se sujeitaram à jornada ampliada por medo de perderem o emprego. “Os empregados destas agências têm hora de chegar, mas não sabem a que horas vão sair. Existe ainda o risco pela falta de segurança, tanto durante a nova jornada, quanto ao saírem do trabalho muito tarde. Se algum funcionário concordou com o novo horário, foi por medo de ser demitido, tendo em vista que a alteração aconteceu justamente durante o processo de demissão em massa promovido pelo Itaú”, ressalta.

Já o diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, Kennedy Santos, relata que, durante reunião realizada em setembro de 2012, em São Paulo, a Contraf-CUT e os representantes da COE-Itaú criticaram a ampliação dos horários de atendimento e o banco afirmou que o projeto seria experimental. Kennedy observa que, para o banco, os funcionários são cobaias e que a pressão é tão forte que leva os próprios funcionários a pedirem demissão. “Os empregados, além de assumirem a sobrecarga de trabalho, resultado das reduções de postos nas agências, têm que cumprir o prazo da papeleta que os obriga a atender a todos os clientes da fila no tempo determinado pelo banco. Se o prazo é perdido, são penalizados no Agir e principalmente com as demissões, que resultam em alguém absorver o serviço de quem saiu, o que sobra para o gerente operacional e o chefe de serviço”, explica Kennedy.

O também diretor do Sindicato e funcionário do Itaú, Ramon Peres, complementa que os problemas apontados na audiência também tiveram origem na mudança da jornada de trabalho das agências, que, porém, não é a única “maldade” praticada pelo banco. Para ele, “o banco sequer se importa com a demissão dos empregados mais antigos, próximos da aposentadoria, justamente aqueles que ajudaram a construir os lucros astronômicos que já alcançam R$ 10,1 bilhão nos primeiros nove meses do ano. Enquanto isso, o Itaú já demitiu quase 14 mil funcionários em todo o país em apenas um ano e meio”, denuncia. Para Ramon, “o Sindicato só aceitará discutir a jornada de trabalho se o banco adotar atendimento ao público de 9 às 17h, com dois turnos de seis horas diárias e sem discriminação a qualquer cliente”.

Durante a audiência, o Sindicato reivindicou ainda reposição do quadro funcional de origem nas agências e o retorno do horário anteriormente praticado. Uma nova reunião foi agendada para o dia 13 de novembro de 2012 às 15h no mesmo local.

Compartilhe: