O Sindicato se reuniu com o Bradesco, nesta segunda-feira, 6 de março, para debater questões ligadas ao dia a dia dos funcionários, denunciando a sobrecarga de trabalho e o assédio moral nas unidades de trabalho, além de tratar do fechamento de agências. A reunião foi realizada na Agência Centro do banco em Belo Horizonte.

Representando os bancários, estiveram presentes os funcionários do Bradesco e diretores do Sindicato Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Élcio Chaves, Geraldo Rodrigues, Giovanni Alexandrino, Paulo Corrêa (Capelinha), Wander Castro, Wanderlei dos Santos e Welington Cruz Marinho. Também esteve presente a funcionária do Bradesco e diretora da Fetrafi-MG/CUT, Daiane Oliveira. Já o banco foi representado pelos diretores Regionais, Amadeu Suter Neto (Diretoria Minas 2) e José Roberto Guzela (Diretoria Minas 1), e pelos assessores da Diretoria Regional, Denise Rocha e Arony Thomáz Pires.

Venda de produtos

Os representantes dos funcionários denunciaram que cresceu a sobrecarga de trabalho nas agências do Bradesco desde que os bancários passaram a ser os responsáveis por vender também produtos relacionados a consórcios e previdência, venda que antes era realizada por corretores. Com isso, o Bradesco pretende aumentar ainda mais seus lucros sobrecarregando seus funcionários, já que deixa de pagar aos corretores e os bancários não são remunerados pelas vendas realizadas.

O Sindicato destacou também que funcionárias e funcionários não têm experiência com este tipo de venda e cobrou que eles recebam treinamento adequado.

Os representantes do Bradesco afirmaram que o treinamento está sendo realizado com todos os bancários que trabalharão com a venda destes produtos. O prazo dado pelo banco para a conclusão deste treinamento, e que não foi cumprido, era esta segunda-feira, 6 de março. O Sindicato cobrou que isto ocorra o mais rápido possível.

Em relação à venda de produtos que antes eram de responsabilidade dos corretores, o banco se limitou a dizer que esta é uma questão nacional. Os representantes dos bancários já encaminharam a questão para que seja pautada pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) nas negociações com o banco em nível nacional.

Base Prioritária

O Sindicato cobrou ações do banco também em relação à chamada “Bola Preta – Melhor Oferta”. Funcionárias e funcionários têm sido obrigados a realizar contatos diários com clientes para a venda de produtos sendo oito contatos por dia para gerentes de Pessoa Física e sete para gerentes de Pessoa Jurídica.

Com isso, cresce a sobrecarga de trabalho sem que haja o devido reconhecimento. A pressão é grande, já que os gerentes perdem pontos no Programa de Avaliação de Desempenho (PADE) se não conseguirem realizar os contatos obrigatórios.

Além disso, com a incorporação, pelo Bradesco, da prática de avaliação pós-venda que era feita no HSBC, gerentes estão sendo submetidos a constrangimentos ao serem chamados à Regional quando o cliente afirma que não houve contato ou que o mesmo não foi adequado. Nestas situações, não é dado sequer direito de resposta ao bancário, já que ele não é informado sobre o caso específico que está sendo tratado.

Os representantes do Bradesco alegaram que não é orientação da Diretoria Regional que os bancários sejam chamados à Gerência Regional. Segundo o banco, nestes casos, o correto seria que a situação fosse tratada pelo gerente da própria agência em que o funcionário trabalha. Diante da denúncia do Sindicato, os representantes do Bradesco afirmaram que irão orientar os gerentes Regionais para que não realizem este tipo de reunião.

Uso do celular pessoal para acessar o sistema do banco

Os representantes dos bancários também denunciaram, durante a reunião, que os funcionários têm sido obrigados a utilizar seu celular pessoal para acessar o sistema do banco. A situação, além de invadir a privacidade dos trabalhadores, gera constrangimento diante dos clientes, já que faz com que o bancário tenha que manusear seu próprio celular durante o atendimento.

Segundo os representantes do Bradesco, esta também é uma questão nacional. Eles se comprometeram a entrar em contato com a matriz para tentar estabelecer o acesso dos funcionários ao sistema através de um dispositivo avulso, o token, que seria fornecido pelo banco.

Metas de agências

Durante a reunião, o Sindicato tratou com o banco das metas a serem atingidas pelas agências. Os representantes dos bancários denunciaram que, muitas vezes, gerentes regionais obrigam agências que já bateram suas metas a compensar metas não batidas de outras unidades. É o chamado “plus”, que também vem sobrecarregando os trabalhadores.

Os representantes do Bradesco afirmaram que orientarão os gerentes Regionais para que não seja mais cobrado o “plus”.

Assédio moral e adoecimentos

Na reunião, os representantes dos funcionários denunciaram as cobranças abusivas e o assédio moral que seguem ocorrendo por parte de alguns gestores. O Sindicato destacou que as pressões e os abusos levam ao adoecimento dos trabalhadores, principalmente transtornos psiquiátricos, que são um problema grave e crescem a cada dia na categoria bancária.

Foram apresentados ao banco dados como o de que, de acordo com o quadro geral das ações realizadas nos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST) do município de São Paulo, somente de junho a novembro de 2015, dos 102 bancários atendidos, 54% apresentavam transtornos metais.

Outro dado alarmante é de que, no ano passado, 75,3 mil trabalhadores brasileiros foram afastados em razão de depressão, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e outras drogas.

O Sindicato denunciou que a falta de funcionários nas agências tem gerado sobrecarga de trabalho. A situação se agravou ainda mais quando as contas de todos os servidores da Prefeitura de Belo Horizonte passaram a ser administradas pelo Bradesco, o que aumentou o volume de trabalho nas unidades.

Extrapolação de jornada

Os representantes dos bancários denunciaram também que, em algumas agências, funcionários com jornada de seis horas estão sendo submetidos a realizar uma hora de almoço, estendendo assim sua jornada para sete horas.

Sobre isso, os representantes do Bradesco afirmaram que é terminantemente proibido que funcionários de seis horas extrapolem a jornada, principalmente sem ser remunerados por isso. Segundo o banco, a situação pode levar a sanções e penalidades aos gestores responsáveis.

Promoções

O Sindicato cobrou do Bradesco a promoção de funcionárias e funcionários que já estão há muito tempo no banco, mas seguem como caixas ou escriturários. Os representantes dos bancários destacaram a situação dos trabalhadores da antiga Agência Polo (4424), que foram transferidos para outras agências e muitos continuam sem promoção.

Fechamento de agências

Em relação às agências que serão transformadas em Postos de Atendimento (PAs) ou que serão fechadas e incorporadas a outras agências, o Sindicato cobrou a manutenção do emprego de todos os funcionários e cobrou mais esclarecimentos.

Os representantes do Bradesco informaram que todos os funcionários das unidades que serão transformadas em PAs continuarão trabalhando no mesmo local por pelo menos seis meses, podendo ser, posteriormente, transferidos para outras agências. Já nos casos das agências que serão fechadas, os funcionários serão transferidos para as unidades que absorverão suas respectivas agências.

As mudanças estão previstas para o próximo dia 24 de março. Confira, abaixo, as unidades da base do Sindicato dos Bancários de BH e Região que serão afetadas e o que será feito em relação a cada uma delas:

Agência 6374 Nova Era – será transformada em PA incorporado à agência 1503 João Monlevade

Agência 6382 São Gonçalo do Rio Abaixo – será transformada em PA incorporado à agência 5633 Santa Bárbara

Agência 5549 Lagoa Dourada – será transformada em PA incorporado à agência 1471 São João Del Rei

Agência 5630 Rio Piracicaba – será transformada em PA incorporado à agência 1503 João Monlevade

Agência 5652 São Domingos do Prata – será transformada em PA incorporado à agência 1503 João Monlevade

Agência 6981 Raposos – será transformada em PA incorporado à agência 1891 Nova Lima

6651 Agência Avenida Antônio Olinto (Sete Lagoas) – será fechada e absorvida pela agência 3854 Avenida Emílio Vasconcelos Costa (Sete Lagoas)

Agência Boulevard 6654 (Belo Horizonte) – será fechada e absorvida pela agência 0848 Niquelina (Belo Horizonte)

Denunciar é fundamental

Para que o Sindicato possa atuar prontamente e cobrar do banco a solução de problemas vividos nas unidades de trabalho, é fundamental que bancárias e bancários denunciem todos os casos de pressões, assédio ou qualquer irregularidade.

As denúncias podem ser feitas pelo Fale Conosco, no site do Sindicato, pelo canal específico de denúncias de Assédio Moral, também disponível no site, pelos telefones (31) 3279-7813 e 3279-7881 ou diretamente com os diretores do Sindicato, que visitam as agências.

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