Nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, o Sindicato se reuniu com representantes do Santander, em Belo Horizonte, para cobrar explicações em relação às medidas impostas aos funcionários e também denunciar abusos e falta de condições de trabalho nas unidades.

Os trabalhadores foram representados pela presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, pelos funcionários do Santander e diretores Davidson Siqueira, Fernando Lemos e Wagner dos Santos, assim como pela funcionária do banco e diretora da Fetrafi-MG/CUT, Carolina Gramiscelli.

Já o Santander foi representado por Nelson Borba Lopes, superintendente Executivo de Rede, Elaine Reis, consultora de RH (BH), Fabiana Ribeiro e Marcos Schmitz, das Relações Sindicais, e Manoel Azevedo Jr, que é superintendente de Atendimento.

Durante a reunião, o Santander, mais uma vez, não se mostrou disposto a negociar as alterações feitas unilateralmente com base na reforma trabalhista do governo Temer.

“Novamente, ficou claro que nossa luta em defesa dos direitos dos funcionários será dura. O Sindicato se mantém atento para cobrar que o Santander respeite os trabalhadores e os acordos assinados. Realizamos um dia de paralisação na última semana e continuamos mobilizados para exigir condições dignas de trabalho, mais funcionários nas agências e o fim do assédio moral”, afirmou o funcionário do Santander e diretor do Sindicato, Wagner dos Santos.

Mudanças impostas aos trabalhadores

Os representantes dos bancários cobraram explicações do Santander sobre a implantação do Acordo Individual de Banco de Horas Semestral, o fracionamento das férias e o fim das homologações no Sindicato.

Os representantes do banco se limitaram a explicar que o Santander está agindo de acordo com a nova lei trabalhista e que as medidas unilaterais não serão negociadas com a categoria.

Em relação ao fim das homologações no Sindicato, o banco informou que fornecerá os documentos da rescisão com antecedência de 8 dias corridos aos funcionários dispensados para que possam analisar os cálculos.

É importante destacar que, nestes casos, os bancários podem procurar a Assessoria Jurídica do Sindicato para a conferência das parcelas e valores constantes do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT). A consulta é totalmente gratuita. Saiba mais aqui.

Banco de horas do dia 29 de dezembro

Durante a reunião, os trabalhadores questionaram o Santander sobre as horas do dia 29 de dezembro do ano passado, que foram contabilizadas no banco de horas dos trabalhadores. O Sindicato ressaltou que a situação não foi informada aos funcionários em tempo hábil.

O banco, por sua vez, alegou que um e-mail foi enviado em meados de dezembro e que a informação também foi disponibilizada no aplicativo Santander NOW. Segundo os representantes do Santander, a situação está de acordo com a CLT e, por isso, não está em discussão.

Aumentos no Plano de Saúde

O Sindicato cobrou o banco em relação aos aumentos excessivos nos valores do plano de saúde sem aviso prévio. A situação tem causado dificuldades a muitos trabalhadores para arcar com os custos do plano.

Mais uma vez, o Santander se limitou a explicar que os aumentos são referentes à inflação médica e que a informação foi repassada aos funcionários com a renovação do contrato.

Alteração da data de pagamento

Os trabalhadores também questionaram o Santander sobre a mudança na data de pagamento, do dia 20 para o dia 30.

Os representantes do banco alegaram que a medida não diz respeito apenas ao Santander, mas sim à implantação da plataforma eSocial pelo governo brasileiro. O sistema começou a operar em janeiro deste ano e reúne informações de grandes empresas, inclusive referentes à folha de pagamentos.

Falta de funcionários nas unidades

Mais uma vez, o Sindicato denunciou a grave falta de funcionários que atinge as agências. Com as demissões e transferências realizadas pelo banco sem as devidas reposições, os trabalhadores têm sofrido cada vez mais com a sobrecarga de trabalho.

Em muitos casos, mesmo com o corte no número de funcionários das agências, as metas altas são mantidas e as pressões são constantes, o que gera inclusive o adoecimento dos trabalhadores.

Os representantes do Santander afirmaram que o banco está trabalhando para resolver o problema e que têm dificuldades para encontrar pessoas qualificadas para reposição. Além disso, afirmaram que o banco não admite o assédio moral de gestores contra funcionários.

O funcionário do Santander e diretor do Sindicato, Davidson Siqueira, destacou que o Sindicato segue atento para cobrar do banco. “Queremos que o Santander realmente combata o assédio moral nas unidades e cumpra o que foi dito em reunião. Por isso, é fundamental também que funcionárias e funcionários denunciem todos os casos ao Sindicato imediatamente”, afirmou.

Desvio de função e trabalho fora do ponto eletrônico

Outro problema denunciado pelo Sindicato foi o desvio de função que vem ocorrendo com gerentes de Agência e coordenadores de Atendimento.

Estes trabalhadores estão sendo obrigados a realizar atendimento em todas as áreas – pessoa física, pessoa jurídica e caixa – além de cumprir com sua função original. Como não podem fazer horas extras, muitos batem ponto e continuam trabalhando para dar conta de todas as atribuições.

Os representantes do banco informaram que não estavam cientes da situação e que irão analisar os casos denunciados pelo Sindicato.

 

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