O Sindicato participa desde ontem, 2 de abril, dos encontros nacionais dos funcionários do Itaú e do Bradesco. Até quinta-feira, 4, os participantes debatem temas importantes, como conjuntura, emprego e condições de trabalho, e definem as pautas específicas de reivindicações dos trabalhadores dos dois bancos privados, bem como as estratégias para intensificar a mobilização, focando as negociações permanentes na busca de ampliar os avanços e as conquistas dos bancários.

Os dois encontros contam com a participação de dirigentes de todo país. Os trabalhadores do Itaú estão reunidos no Rancho Silvestre (Estrada Votorantim, 700), no município de Embu (SP), e os do Bradesco, no Hotel Fazenda Hípica Atibaia (Estrada Guaxinduva, 1145), na cidade de Atibaia (SP).

Itaú

O Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú foi dividido em quatro eixos temáticos: remuneração e emprego; saúde e condições de trabalho; previdência complementar; e plano de assistência médica. Cerca de 160 dirigentes de todo o país participam do evento e o Sindicato é representado pelos funcionários do banco e diretores Kennedy Santos, Paulo Faria, Edmar Costa, Cléber Wolbert e Tárcio Chamon.

Nesta terça-feira, 2, os funcionários discutiram a necessidade de promover uma transformação no país, lutando pela justiça social e pelo desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Os bancários ressaltaram questões fundamentais na luta, como a reforma tributária e a democratização da mídia, assim como a defesa do emprego decente no banco.

Com base em análises do Dieese sobre os números do Itaú, que apontam o crescimento de apenas 0,5% na despesa com pessoal entre 2011 e 2012, os funcionários criticaram a utilização da rotatividade e do corte de postos de trabalho para aumentar os lucros do banco. Ao mesmo tempo, o Itaú sobrecarrega os trabalhadores e cogita implantar horários estendidos, estratégia perigosa que pode ser adotada também por outros bancos.

Ainda com base nos números do Dieese, os bancários destacaram que o Itaú tem apresentado lucros bilionários, que poderiam ser ainda maiores se o banco não superdimensionasse as provisões para devedores duvidosos. Mesmo assim, somente em 2012, o Itaú fechou 7.935 postos de trabalho, com uma redução de 8,08% de seu quadro funcional.

Durante todos os dias de encontro, estarão em debate os principais temas que atingem os trabalhadores do Itaú. Serão discutidos problemas como demissões, falta de funcionários, péssimas condições de trabalho, horários estendidos nas agências, metas abusivas, programas próprios de remuneração variável, dentre outros.

Também estão na pauta a necessidade de que todos os funcionários tenham previdência complementar, as eleições da Fundação Itaú Unibanco que acontecem em julho, um dos maiores fundos de pensão de empresas privadas, a discussão sobre um novo modelo de saúde e as condições dos aposentados no plano.

Bradesco

No Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco, o Sindicato está sendo representado pelos funcionários do banco e diretores Carlindo Dias, Maristela Miranda e Wellington Cruz Marinho. Também participam os dirigentes da Fetraf-MG João Tadeu dos Santos, Patrícia Minardi e Sebastião de Castro.

No primeiro dia do evento, foram debatidas questões ligadas à conjuntura político-sindical. Os bancários discutiram a necessidade de pensar mudanças no sistema financeiro brasileiro e a quem os bancos estão servindo. Foram ressaltadas as mudanças ocorridas no país nos últimos dez anos e a necessidade de continuidade deste processo.

Os bancários ressaltaram pautas importantes para a classe trabalhadora em geral às quais a categoria também deve permanecer atenta, como, por exemplo, a luta pela redução da jornada de trabalho. Atualmente, 60% dos bancários trabalham oito horas diárias e 40% têm jornada de seis horas sendo que, há pouco tempo, o quadro era o inverso.

Durante a terça-feira, também foi realizada discussão sobre o banco do futuro, com o aumento da automação nos processos e a consequente redução do relacionamento com os clientes. Os funcionários discutiram as estratégias dos bancos em criar canais alternativos para baixar custos, o que impacta diretamente o trabalho bancário.

Foi ressaltado que o Bradesco tem apostado muito em correspondentes bancários e ATM e cada vez menos em agências, com o exercício das atividades por pessoas que não são bancárias.

Os funcionários também discutiram análise do balanço do Bradesco referente ao ano de 2012 realizada pelo Dieese. Os dados apontaram que, para compensar a redução dos juros, o banco aumentou suas tarifas em 16% entre 2011 e 2012. Houve também aumento significativo das provisões para devedores duvidosos (PDD), mesmo com a inadimplência estável. Além disso, o Bradesco fechou cerca de 1.300 postos de trabalho em 2012, uma atitude injustificável diante dos R$ 11,5 bilhões de lucro obtidos em 2012.

O Encontro Nacional continua nesta quarta-feira, 3, com debates e trabalhos em grupos. Os encaminhamentos serão definidos na manhã de quinta-feira, 4.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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