Foi realizada nesta sexta-feira, dia 14 de agosto, reunião entre o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG/CUT) e a direção do Banco Mercantil do Brasil. O objetivo da reunião foi debater o Acordo Coletivo de Trabalho que trata da Covid-19, proposto pelo banco para disciplinar os planos emergenciais, visando a proteção do emprego, bem como a sustentabilidade das atividades econômicas da empresa. A negociação foi mediada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPT/MG).

Em mesa, o movimento sindical rechaçou a proposta do Mercantil, para a redução de 50% dos salários dos trabalhadores que se encontram afastados e em home office, já que essa medida se caracterizaria como o pior acordo para trabalhadores de todo o setor bancário. “Um absurdo, levando em consideração que o Banco Mercantil do Brasil vive um dos melhores momentos financeiros de sua história, com um lucro de 74 milhões apenas nos três primeiros meses de meses de 2020”, protestou Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil do Brasil, diretor do Sindicato dos Bancários de BH e Região e coordenador nacional da Comissão de Organização dos Empregados do banco .

Os sindicatos também reagiram contra diversos outros aspectos negativos do acordo para os funcionários, como banco de horas negativo sem nenhum tipo de deságio, redução da jornada de trabalho e da remuneração dos trabalhadores, suspensão temporária de contrato de trabalho e autonomia da empresa para a implementação dessa medida em todas as áreas do banco.

Diante do impasse nas negociações, o MPT propôs que os sindicatos apresentassem, até o final do dia 17 de agosto, uma contraproposta ao Mercantil do Brasil e que as próximas tratativas deveriam ser debatidas em nova reunião a ser realizada no dia 19 de agosto, quarta-feira, às 14 horas.

Para Magaly Fagundes, presidenta da Fetrafi-MG/CUT, os Sindicatos têm que defender os trabalhadores afastados e sem home office, que não podem ser penalizados com redução de até metade do salário. “Os Sindicatos entendem a excepcionalidade dessa pandemia, que ocasionou o afastamento desses trabalhadores, mas também entendemos que o Mercantil do Brasil precisa ter o bom senso de não reduzir pela metade os salários desses trabalhadores penalizando o sustento de suas famílias. Isso é desumano” ressaltou.

“O Banco Mercantil tem a obrigação de dialogar com os funcionários afastados e sem home office. O acordo com os funcionários não pode simplesmente sair de alguma diretoria visando apenas a redução de despesas e o aumento do lucro do banco, sem que as pessoas atingidas possam dar a sua opinião e reivindicar melhorias. Manter as negociações com os representantes dos trabalhadores é fundamental e muito importante para chegarmos a um consenso”, ponderou Ramon Peres, presidente do Sindicato dos Bancários de BH Região.

Segundo Marco Aurélio Alves, os representantes do Mercantil foram muito duros na mesa negocial, ameaçando com a possibilidade de implementação de acordos individuais para os trabalhadores, o que é, em alguns casos, permitido por lei. “O que o Mercantil precisa saber é que o movimento sindical e os trabalhadores afastados são suficientemente maduros para debater uma redução de, no máximo, 25% do salário bruto, conforme estipula a MP 936. Mas para que isso ocorra, o Mercantil tem a obrigação de apresentar uma contrapartida digna, como a complementação financeira para garantir o recebimento do mesmo valor do salário líquido, estabilidade de emprego em dobro e condições de trabalho humanas e decentes”, concluiu.

Confira a contraproposta apresentada pelo movimento sindical para o Mercantil do Brasil

– Abono de todas as horas extras negativas até 30 de junho deste ano,

– Estipular a data de 31 de maio de 2021 para compensação efetiva das horas extras negativas e deságio de 30% nas horas negativas devidas a partir do dia 1º de julho de 2020.

– Que as horas trabalhadas aos sábados, domingos e feriados e as horas noturnas não sejam computadas no banco de horas e sim pagas como horas extras.

– Validade do banco de horas até 31 de maio de 2021 e que, após essa data, seja feito o pagamento de todas as horas extras existentes de acordo com a CCT Fenaban.

– Redução de, no máximo, 25% do salário e que o banco complete a renda líquida até o valor do salário líquido para não haver prejuízo para os bancários.

– Compromisso, por parte do banco, de não aplicar a Lei 14.020/2020 sem negociação prévia com o Sindicato e com a Fetrafi-MG/CUT.

 

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