Para denunciar problemas enfrentados por bancárias e bancários nas unidades de trabalho, o Sindicato se reuniu novamente com o Bradesco, no dia 3 de setembro, na agência Centro, em Belo Horizonte. Durante a reunião, os representantes dos funcionários apresentaram denúncias e cobraram providências do banco em relação a casos de assédio moral, falta de segurança, restrições à portabilidade e à abertura de contas-salário, entre outros.

Representando os bancários, estiveram presentes os funcionários do Bradesco e diretores do Sindicato, Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Élcio Chaves, Leonardo Marques e Maristela Miranda. Já o Bradesco foi representado pelo diretor regional Alex Braga, com sua assessora Denise Rocha, além dos gerentes regionais Arilton Nandi (BH Oeste), Gilmar Alvez (BH Norte), Joel Queiroz (BH Centro-Sul), Juscelo Lopes (BH Leste) e Roberto Lozano (Contagem).

Portabilidade

Os representantes dos funcionários voltaram a cobrar do banco o respeito ao direito dos clientes de realizar portabilidade, que está descrito na resolução 4.292/2014 do Banco Central. O Bradesco tem impedido funcionários de realizarem este serviço com a retirada desta opção do sistema, permitindo que apenas o gerente geral tenha acesso em algumas regionais. Já em outras, a portabilidade só é possível com autorização direta da diretoria regional. Isto tem causado transtornos e constrangimento aos funcionários, levando inclusive clientes a denunciar a situação ao Banco Central.

Na negociação, o Sindicato denunciou também que teve acesso a um e-mail enviado às agências em que esta restrição é reforçada pelo banco. Os representantes do Bradesco afirmaram que providências serão tomadas no sentido de seguir a resolução do Banco Central, inclusive permitindo que mais funcionários possam realizar a portabilidade nas unidades de trabalho.

Conta Salário

Outro problema enfrentado por bancários do Bradesco se deve à proibição, por parte da diretoria regional, de que funcionários realizem a abertura de contas salário, obrigando-os a abrir contas corrente convencionais. A prática vai contra a Resolução 3.919/2010 do Banco Central, que garante que qualquer correntista possa obter uma conta bancária sem ter que pagar sequer um centavo ao banco de sua preferência. O Sindicato cobrou que o Bradesco respeite as normas estabelecidas e, caso contrário, procurará as autoridades competentes para resolver o assunto.

Audioconferências

Os bancários voltaram a denunciar as pressões e humilhações sofridas por gerentes durante audioconferências, que continuam sendo realizadas em algumas unidades para a cobrança de metas. A situação já melhorou após cobranças do Sindicato, principalmente depois da reunião realizada no dia 15 de julho com a diretora de Relações Sindicais do Bradesco. Porém, alguns gerentes seguem sendo ameaçados e expostos nas agências. Os representantes dos funcionários exigiram que o Bradesco cumpra o Acordo Coletivo Aditivo para Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho, que visa combater o assédio moral e foi assinado pelo banco e pelo Sindicato pela primeira vez em 2012 e renovado no início de 2015. É fundamental que os bancários se utilizem deste instrumento e denunciem todos os casos através do site do Sindicato.

Pré-atendimento

Durante a reunião, o Sindicato reforçou a crítica ao novo projeto de atendimento implementado pelo banco que, na prática, impede clientes de realizar serviços nas agências e, com isso, tem feito com que os funcionários sofram constrangimentos e ameaças, além de contrariar a norma 3.694/2009 do Banco Central. Os representantes do banco afirmaram que estão dispostos a deslocar os funcionários que tenham sido ameaçados por clientes para outros setores e que não haverá retaliação em decorrência destas denúncias. Os bancários devem relatar qualquer problema ao Sindicato imediatamente para que as medidas necessárias sejam tomadas.

Os representantes dos bancários também voltaram a questionar o Bradesco sobre os treinamentos cobrados em reuniões anteriores para os funcionários do pré-atendimento. O banco afirmou que todos os bancários que trabalham na área já foram treinados. Além disso, o Bradesco confirmou que outra reivindicação do Sindicato foi atendida e cadeiras e mesas para os trabalhadores já foram colocadas nas áreas destinadas ao pré-atendimento.

Segurança

Os representantes dos funcionários cobraram, durante a reunião, a instalação de porta de segurança na agência do município de Raposos, que sofreu assalto neste ano. Os diretores do Sindicato também reforçaram a reivindicação nacional dos funcionários de que seja emitida a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) nos casos de assaltos. O Bradesco tem se negado a realiza-la quando não há pedido direto dos funcionários, que muitas vezes não cobram a emissão por se sentir intimidados.

A CAT tem finalidade de reconhecer acidente de trabalho, como é o caso de um assalto, e sua emissão é obrigação do empregador. O documento é importante para que o INSS reconheça o nexo técnico, ou seja, que uma eventual doença ocasionada pelo trauma tenha sido originada no desempenho das funções nas unidades de trabalho.

Assédio moral

O Sindicato confirmou, junto ao banco, que as denúncias de assédio moral são critério na ascensão profissional e pesam contra a carreira dos assediadores. Esta é uma segurança a mais para os funcionários e está ligada ao Acordo Aditivo para Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho assinado pelo Bradesco e pelo Sindicato. Além disso, é um critério estabelecido pela SA 8000, que é uma norma internacional de avaliação da responsabilidade social para empresas.

Os representantes dos funcionários denunciaram também casos específicos de alguns gerentes que insistem em cometer assédio moral nas unidades de trabalho e têm se negado até mesmo a dialogar com o Sindicato. O banco se comprometeu a apurar a situação.

Agência Manhuaçu

Os representantes dos funcionários denunciaram também que, na agência do município de Manhuaçu, tem sido negada a folga assiduidade dos funcionários. O direito a um dia de folga foi conquistado na Campanha Nacional 2013 e está garantido na cláusula 24ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Os representantes do Bradesco afirmaram que a folga poderá ser usufruída pelos funcionários da unidade de trabalho mesmo já tendo se esgotado o prazo estipulado na CCT, no dia 31 de agosto.

Transferência dos funcionários da Agência Polo

Mais uma vez, os bancários cobraram a transferência definitiva dos funcionários da agência Polo, processo que tem sido acompanhado pelo Sindicato desde 2014. O Bradesco afirmou que vai analisar a questão, mas alegou que o processo tem que ser discutido em conjunto com a matriz. O Sindicato reiterou que também já cobrou diretamente da matriz do banco as transferências que ainda não foram efetivadas.

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