Diante do aumento do número de denúncia feitas por funcionários e da gravidade das condições de trabalho, o Sindicato cobrou uma reunião com o Bradesco para exigir que o banco respeite os trabalhadores e coloque fim ao assédio moral e outros abusos cometidos nos locais de trabalho em Belo Horizonte. Na mesa, que foi realizada na quarta-feira, 15 de julho, na sede do Sindicato, os trabalhadores destacaram que o número de denúncias cresceu assustadoramente desde que a Diretoria Regional de Minas Gerais foi assumida, em janeiro de 2014, por Alex Braga.

Os trabalhadores foram representados pela presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, pela presidenta da Fetrafi-MG e funcionária do Bradesco, Magaly Fagundes, pelos funcionários do banco e diretores do Sindicato Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Carlindo Dias (Abelha), Leonardo Marques, Maristela Miranda e Wanderlei Santos, além da funcionária do Bradesco e da diretora da Fetrafi-MG Daiane Oliveira. Já representando o Bradesco, participaram a diretora de Relações Sindicais do RH do banco em São Paulo, Eduara Cavalheiro, e a assessora do diretor regional, Denise Rocha.

Cobranças abusivas

Um dos problemas relatados durante a reunião é o F-Log, uma áudio-conferência sobre os números diários com o resultado das agências que obriga bancários a parar suas atividades e extrapolar, com isso, o horário normal de trabalho. O Sindicato já recebeu diversas denúncias  que o procedimento expõe e humilha os gerentes, inclusive com ameaças de demissão, o que configura grave assédio moral. As pressões são tão intensas que têm levado ao adoecimento e até mesmo afastamento de trabalhadores.

Os abusos cometidos pelo Bradesco incluem ainda a cobrança excessiva de agências de maior peso na regional quando outras não cumprem as metas no tempo previsto e a exposição de gerentes comerciais de Pessoa Física e Pessoa Jurídica através de reuniões mensais com os gerentes regionais, cobrando justificativas sobre a produção do mês e compromisso quantitativo para o mês seguinte.

Com as denúncias e a pressão do Sindicato, as representantes do banco asseguraram que o F-Log não funcionará mais no modelo de áudio-conferência, passando a existir apenas por e-mail.

Autoatendimento

Na reunião, os bancários voltaram a denunciar um grande problema enfrentado pelos trabalhadores com o atual projeto de atendimento. A política do banco de cercear o atendimento a clientes está expondo trabalhadores a estresse, agressão física, moral e psicológica, além de contrariar a norma 3694/09, parágrafo 3º, do Banco Central.

O Sindicato cobrou do Bradesco solução em relação aos treinamentos que seriam dados aos funcionários responsáveis pelo pré-atendimento. A questão já havia sido cobrada pelos trabalhadores em reunião no dia 30 de março e o banco afirmou que os treinamentos já estão ocorrendo.

Os representantes dos funcionários também questionaram novamente o Bradesco sobre suposta promoção que seria dada a estes funcionários. O banco reafirmou que não há planos de promoção vinculada somente ao trabalho no autoatendimento.

Horas extras

Outro problema que tem gerado constantes denúncias são as horas extras dos assessores de gerentes regionais. Foi comprovado através de e-mails recebidos por funcionários fora do horário de expediente que, em algumas unidades, assessores têm cumprido jornada até 23h, o que representa um descumprimento à CLT e um claro abuso e desrespeito do Bradesco para com os bancários.

As representantes do banco se comprometeram a agir para acabar com as horas extras ilegais nas unidades de trabalho.

Unibrad

O Sindicato também denunciou que alguns gerentes têm descumprido orientações do Bradesco e da Universidade Corporativa Bradesco (Unibrad) e exigido que funcionários voltem para as agências após o término das aulas diárias. Os representantes dos funcionários ressaltaram que este problema é também consequência da falta de bancários nas unidades devido às demissões e à falta de contratações por parte do banco.

Com a cobrança, o Bradesco reafirmou que, após os dias de curso, os funcionários estão liberados e não têm que retornar às suas unidades de trabalho. O Sindicato ressaltou que permanecerá atento para garantir que a orientação seja seguida em todos os locais de trabalho.

Provas ANBIMA

Também foi pauta de discussão a situação de funcionários que fazem provas da ANBIMA (CPA 10 e CPA 20). A orientação acordada com o Bradesco é que as horas de prova devem ser consideradas como horas trabalhadas, sem necessidade de compensação, cabendo aos bancários retornar às agências apenas para cumprir o restante de sua jornada. Porém, alguns gerentes também têm exigido que os funcionários cumpram todo o horário nas agências, forçando-os a ficar no banco além do horário normal.

Na mesa, as representantes do Bradesco reforçaram que ninguém tem que estender seu horário de trabalho por causa da realização das provas.

Portabilidade

O Sindicato denunciou também que funcionários têm passado por constrangimentos quando precisam fazer portabilidade de salário ou crédito, já que a prática não é aceita pela Diretoria Regional. Este é um direito do cliente, descrito na resolução 3402 de 6 de setembro de 2006, mas o banco tem inibido os funcionários obrigando-os a se justificar diretamente com o diretor regional sempre que a portabilidade é realizada. Além disso, algumas regionais têm tirado a autonomia dos gerentes gerais em relação à portabilidade, impedindo que eles realizem a operação sem se reportar aos gerentes regionais. A situação é grave e tem trazido transtornos para as agências devido às reclamações de clientes junto ao Banco Central.

Os trabalhadores exigiram que sejam obedecidas as regras do BC e as representantes do Bradesco alegaram que a orientação do banco é para o cumprimento. O Bradesco se comprometeu a monitorar a situação para verificar casos de gerentes que possam estar agindo contra as normas.

“As denúncias de funcionários e as visitas constantes do Sindicato aos locais de trabalho foram fundamentais para que, na reunião, pudéssemos expor claramente para o banco a situação grave vivida pelos bancários, com cobranças abusivas e assédio moral. Conseguimos importantes avanços para os trabalhadores e continuaremos atentos para exigir que o Bradesco cumpra a Convenção Coletiva de Trabalho e o acordo aditivo de combate ao assédio moral conquistados pelo Sindicato, garantindo melhores condições de trabalho para funcionárias e funcionários. Além disso, continuaremos cobrando respeito às normas do Banco Central e ao Código de Defesa do Consumidor para que o Bradesco ofereça atendimento de qualidade à população”, afirmou Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), que é funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato.

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