O Sindicato se reuniu, nesta quinta-feira, 21 de novembro, com o BDMG para debater as demandas dos funcionários. A minuta específica de reivindicações, aprovada em Assembleia, foi entregue ao banco em maio deste ano e, desde então, o Sindicato vinha cobrando respostas.

Na negociação desta quinta, o Sindicato foi representado pelos diretores Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Kennedy Santos e Ramon Peres. Também estiveram presentes os integrantes do Conselho de Representantes dos Funcionários (Corep), Mariane Ster e Vinícius Mundim. Já o banco foi representado pela diretora de Gestão de Pessoas, Marcela Brant, e pela superintendente de Gestão de Pessoas, Virginia Silame.

Em pauta, foi colocada também a MP 905, assinada pelo atual governo, que ataca direitos conquistados pela categoria bancária – incluindo a jornada de trabalho, descanso aos finais de semana e PLR. Após cobrança do Sindicato, o BDMG garantiu que não implementará a Medida Provisória até que seja resolvido todo o processo político e jurídico que envolve o tema.

Em relação à minuta de reivindicações, o BDMG alegou que a demora para as respostas se deu devido às mudanças que estão ocorrendo no banco, com formação do novo corpo diretor e diretrizes da presidência, assim como mudança da Gerência de RH.

Veja, abaixo, as respostas do banco para cada reivindicação apresentada pelos funcionários em maio.

1. Agendamento de reunião específica para que o Banco apresente, para todos os trabalhadores, as diretrizes e políticas institucionais da nova gestão.

O BDMG afirmou que vêm ocorrendo, desde maio, reuniões bimestrais do presidente do banco com os trabalhadores. Em pauta nestas reuniões, está o monitoramento da estratégia e andamentos dos projetos vigentes, assim como a divulgação de novos desafios.

O banco também informou que, mensalmente, ocorrem Reuniões de Monitoramento da Estratégia (RMEs) com a participação do presidente, dos superintendentes e dos gestores de negócio.

Outra iniciativa, segundo o BDMG, foi a reativação do Comitê Gerencial, que voltou a se reunir semanalmente para a criação de um ambiente que estimule debates e propostas. Após estes encontros, cada gestor atua como disseminador dos principais pontos discutidos com os demais integrantes de suas equipes.

Ainda segundo o banco, foi reativado o Comitê de Gestão de Pessoas para apoiar a as decisões de gestão de pessoas, assim como facilitar a implementação de ações relacionadas à alocação de pessoal, gestão de desempenho, programas que visem o desenvolvimento de competências técnicas e programa de sucessão visando a gestão de conhecimento e formação de lideranças.

2. Alteração da regra de escolha do representante dos funcionários no Conselho de Administração (CAD) eliminando a existência de lista tríplice. A escolha do candidato deve ser por voto direto.

O banco garantiu que irá manter a representatividade dos funcionários no Conselho de Administração e que, em 2020, antes das eleições para o Conselho de 2021, se reunirá com o Sindicato e o Corep para tratar do tema e rever a regra atual.

O BDMG informou que os atuais membros do Conselho de Administração, incluindo o representante dos funcionários, têm mandato até a posse dos que forem eleitos na Assembleia Geral Ordinária de 2021, nos termos do Estatuto Social do BDMG.

Em relação à representatividade dos funcionários, o banco afirmou que não se enquadra na Lei 12.353/10, que determina a eleição de representante em empresas em que a União detenha a maioria do capital social com direito a voto. Da mesma forma, o Estatuto do banco não estabeleceu a forma de escolha, tendo sido a matéria regulamentada em Resolução do Conselho de Administração.

A resolução determina que “a eleição ocorrerá pelo voto direto, secreto e facultativo dos empregados ativos, preferencialmente por meio eletrônico, sendo que cada eleitor poderá votar em até 3 (três) candidatos devidamente habilitados para concorrer à vaga de membro do Conselho de Administração”. Desta forma, a resolução determina que o representante dos empregados será escolhido, pela Assembleia Geral, entre os três empregados ativos mais bem votados.

3. Plano de Cargos e Salários: Banco discutir com os trabalhadores sobre o atual modelo, visando a transparência, reconhecimento da produtividade e meritocracia.

O BDMG informou que o Plano de Cargos e Salários (PCS) não será revisado no momento, mas firmou o compromisso de se reunir com os representantes dos trabalhadores para discutir o tema caso venha a ser feita qualquer alteração nas regras. O banco se comprometeu, também, a discutir todas as sugestões que os trabalhadores encaminharem para o RH.

Segundo o BDMG, o PCS foi concebido a partir de 2016 com a participação dos funcionários e foi implantado em 2017. O banco informou que, nos próximos meses, será realizada uma revisão da estratégia do BDMG, que trará insumos para possíveis revisões do PCS, da Gestão de Desempenho e do Programa de Participação nos Resultados (PPR), assim como em toda a política de RH.

O banco explicou, ainda, sobre como funciona a avaliação de desempenho periódica dos funcionários, assim como os critérios utilizados para a progressão na carreira, e informou que a reativação do Comitê de Gestão de Pessoas será um aliado no aprimoramento contínuo do PCS.

4. Reajustar a Tabela Salarial dos Técnicos de Desenvolvimento.

O banco afirmou que não tem a intenção de fazer qualquer alteração salarial, exceto os que forem previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Segundo o BDMG, a folha de pagamentos representa 74% do custeio do banco. Como justificativa, o banco também afirmou que o estado de Minas Gerais, que é o acionista do BDMG, se encontra em situação financeira crítica.

Para Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), diretor do Sindicato, é fundamental que os funcionários se organizem para defender e avançar na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. “O BDMG deixou claro que os reajustes salariais, inclusive das comissões dos empregados, só serão realizados por meio da CCT. Por isso, só a organização e a mobilização de todos permitirão novas conquistas”, afirmou.

5. PPR – Reativação do Programa de Participação nos Resultados, aprimorando os critérios de distribuição.

O banco informou que não pretende trabalhar a reativação do Programa agora, mas que ele será reavaliado no âmbito da revisão do planejamento estratégico. Diante da cobrança dos representantes dos trabalhadores, o BDMG assumiu o compromisso de chamar o Sindicato e o Corep para debater o tema

6. Criação do Canal de Comunicação (Ombudsman) – formado com comissão paritária (Banco e Corep).

O banco apresentou os canais de denúncia já disponíveis e pediu mais detalhes sobre a proposta da comissão paritária, solicitando que o Sindicato e o Corep apresentem o projeto à Superintendência de RH para que a implantação seja analisada.

7. Banco deve divulgar todos canais existentes de comunicação.

O BDMG concordou em realizar melhor divulgação dos canais de comunicação existentes e informou que está em curso um treinamento relacionado a questões éticas, com foco em compliance (conformidade com as leis e regulamentos) e na prevenção de assédio de abusos no BDMG.

Para o diretor do Sindicato, Kennedy Santos, a partir do momento em que os funcionários tomarem conhecimento de todos os canais de comunicações existentes na instituição, será mais fácil que se organizem e busquem mais motivação para o relacionamento interno. “A partir do momento em que os funcionários sintam que serão ouvidos, e que suas posições serão respeitadas, fica claro que suas confianças e motivações servirão como incentivo à construção de melhores resultados. Que fique claro que empresas que pensam em resultados positivos não devem agir com carteirada do tipo ‘sabem com quem está falando’ junto aos seus funcionários, mas sim com respeito pleno”, ressaltou.

8. Implantar condições de acessibilidade do 11º andar.

O banco informou que não existe viabilidade técnica e financeira para atender a reinvindicação, mas se comprometeu a não utilizar mais o andar para eventos e treinamentos em que esteja prevista a participação de pessoas com deficiência (PCDs). Além disso, se comprometeu a instalar uma rampa de acessibilidade no auditório.

9. Banco deve apresentar para o COREP e Sindicato o relatório de risco ergonômico – NR-17.

O banco informou que o relatório está sendo finalizado pela empresa contratada para a realização do levantamento de risco ergonômico e que será apresentado ao Corep e à CIPA em dezembro.

10. Aplicar um questionário, elaborado pelos trabalhadores, com o objetivo de auferir os Fatores de Pressão no trabalho dos bancários.

O banco afirmou que concorda com a aplicação do questionário, deste que respeitadas as técnicas de elaboração. Segundo o BDMG, ele deverá ser aprovado pelo banco da aplicação para inibir qualquer tipo de indução a respostas.

Sendo assim, o banco solicitou que o questionário seja encaminhado para Superintendência de RH para verificação e divulgação.

11. Retornar imediatamente com o instituto do pós-emprego, conforme art. 49 do Regulamento do Pro-Saúde; e 12. Implantar a política de pós-emprego do Pro-Saúde para os funcionários oriundos do concurso de 2011.

O BDMG afirmou que, após resultados negativos em 2015 e 2017, foi necessário o corte de custos e, com isso, extinguir o pós-emprego. Segundo o banco, a medida contribuiu para o início da recuperação da estabilidade financeira do BDMG. O banco explicou ainda que, no primeiro semestre de 2019, o balanço positivo foi de apenas R$ 7,6 milhões, confirmando a inviabilidade de retomada por ora.

Para Ramon Peres, diretor do Sindicato, o banco tem quem entender que o pós-emprego é uma condição de garantia de contrato de trabalho dos bancários. “Não se pode simplesmente retirar um benefício adquirido e garantido sob o argumento de que não é viável financeiramente mantê-lo. Vamos encaminhar, conforme o banco solicitou, o parecer do nosso Departamento Jurídico para que o banco entenda que não é possível retirar o benefício. O que queremos é manter os direitos dos bancários para que não que não seja preciso recorrer a vias judiciais”, afirmou.

O Sindicato reivindicou que o banco implemente o instituto pós-emprego para os funcionários admitidos em 2011, garantindo assim a isonomia e igualdade para todos os funcionários.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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