No último sábado, dia 11 de maio, o Sindicato foi à porta de duas agências do Santander (Savassi e Cidade Industrial-Contagem) para impedir que as unidades abrissem as portas para a realização de “trabalho voluntário” por parte dos funcionários.

Sob a justificativa de orientar a população sobre educação financeira, o banco chamou bancárias e bancários para trabalhar de graça em um dia que deveria ser de descanso. Apesar de alegar que a adesão é voluntária, funcionários se sentem intimidados e temem sofrer represálias caso não aceitem o “convite” do banco.

“O Santander faz marketing se utilizando do tempo e da força de trabalho dos seus funcionários, sem pagar pelas horas trabalhadas. Abrindo aos sábados, além de desrespeitar a legislação trabalhista, o banco também descumpre a Convenção Coletiva de Trabalho que trata o sábado como um dia de descanso”, afirmou o funcionário do Santander e diretor do Sindicato, Wagner dos Santos.

Durante o protesto, o Sindicato deixou claro que está ao lado dos trabalhadores e denunciou a hipocrisia do banco ao falar de educação financeira. “Ao mesmo tempo em que fala em educar a população, o Santander segue cobrando juros e tarifas extorsivos dos clientes, contribuindo para agravar o endividamento no país”, ressaltou Davidson Siqueira, que também é funcionário do banco e diretor do Sindicato.

De acordo com definição do banco, está prevista a abertura de 29 agências em todo o país, todos os sábados dos meses de maio e junho, das 9h às 12h.

A funcionária do Santander e diretora da Fetrafi-MG/CUT, Carolina Gramiscelli, explicou que a legislação (lei 9.608/1998) define o trabalho voluntário como “a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa”.

“O Santander fala que cabe aos funcionários decidir, mas muitos bancários e bancárias se sentem pressionados a aceitar trabalhar aos sábados. O que está ocorrendo, na prática, é que o Santander, que lucra bilhões no Brasil, está utilizando a força de trabalho dos funcionários para se promover, sem qualquer tipo de remuneração. Isso nós não podemos aceitar”, afirmou Carolina.

 

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