O Sindicato mais uma vez foi às ruas do Centro de Belo Horizonte, nesta segunda-feira, 13 de agosto, para lançar a Campanha Salarial 2012/2013, protestar contra os abusos dos bancos e exigir um sistema bancário melhor e mais justo.

Foto: Leopoldo Rezende

 

Nesta Campanha Salarial de 2012, os bancários levantam a bandeira dos clientes e da sociedade que, todos os dias, sofrem com filas quilométricas, insegurança nas agências e com as tarifas abusivas cobradas pelos bancos.

A categoria também protesta por melhores condições de trabalho. A cada dia mais bancários adoecem por causa das metas abusivas, do assédio moral e do excesso de jornada de trabalho. Os trabalhadores também não aguentam mais as constantes demissões e a rotatividade, que acaba reduzindo a média salarial.

 

Mas, quando o assunto é investir em melhorias, os banqueiros fecham qualquer canal de acordo. E não é por falta de dinheiro, pois o setor financeiro é um dos que mais lucram no Brasil.

 

A Caixa Econômica Federal anunciou há poucos dias o maior lucro do primeiro semestre já registrado em sua história: R$ 2,8 bilhões. Se continuar nesse ritmo, em 2012, o banco pode ter recorde de lucro anual.

 

Já o Banco Itaú divulgou lucro de R$ 7,12 bilhões, de janeiro a junho deste ano. O valor revela crescimento 2,5% em relação ao mesmo período em 2011. Mas, apesar dos muitos zeros nesse cifrão, a resposta para o trabalhador foi uma série de demissões: em apenas um ano, o banco fechou 9.014 postos de trabalho.
 
No Bradesco não foi diferente, pois apesar de ter arrecadado R$ 5,72 bilhões no primeiro semestre, o banco demitiu 571 pessoas no segundo trimestre de 2012.
 
As demissões compulsivas também foram registradas no Santander, que cortou 135 vagas no segundo trimestre, mesmo tendo registrado ganho de R$ 3,230 bilhões neste ano.

 

Também estão com os cofres cheios o banco HSBC, que obteve lucro de US$ 505 milhões no primeiro semestre, e o Banco do Brasil, que divulgou ganho de R$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre de 2012.

 

Diante de tanto lucro, o que a sociedade esperava era o mínimo de retorno. Mas não é isso que as pesquisas mostram. Um levantamento nacional, realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, mostra que 27 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos, no primeiro semestre de 2012. Isso significa uma média absurda de quatro vítimas por mês e revela a falta de investimentos em segurança. Outra pesquisa mostra que os empregos gerados pelo sistema financeiro no primeiro semestre representam apenas 0,22% dos 1.047.914 provenientes de todos os outros setores da economia.
A sociedade não aguenta mais ser desprezada, enquanto os banqueiros fazem seus truques para ganhar mais. Esta luta é por um sistema financeiro de qualidade, que, ao invés de concentrar lucros em alguns bolsos, beneficie a todos de forma justa.

 

Foto: Leopoldo Rezende
 
Dentre as principais reivindicações da Campanha Salarial deste ano destacam-se o reajuste salarial de 10,25% (aumento real de 5% mais a reposição da inflação projetada de 4,97% para o período), piso de R$ 2.416,38 (salário mínimo calculado pelo Dieese), participação nos lucros ou resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa adicional de R$ 4.961,25, além de vales-refeição, cesta-alimentação e auxílio-creche no valor de R$ 622 cada.
 
Confira as principais reivindicações dos bancários

> Reajuste salarial de 10,25%, o que significa 5% de aumento real acima da inflação projetada de 4,97% nos últimos 12 meses.

> PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.

> Piso da categoria equivalente ao salário mínimo do Dieese (R$ 2.416,38).

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

> Auxílio-educação para graduação e pós-graduação.

> Auxílio-refeição, cesta-alimentação e auxílio creche/babá: R$ 622,00.

> Emprego: aumentar as contratações, acabar com a rotatividade, fim das terceirizações, aprovação da Convenção 158 da OIT (que inibe demissões imotivadas) e universalização dos serviços bancários.

> Cumprimento da jornada de 6 horas para todos.

> Fim das metas abusivas e combate ao assédio moral para preservar a saúde dos bancários.

> Mais segurança nas agências e postos bancários.

> Previdência complementar para todos os bancários.

> Contratação total da remuneração, o que inclui a renda variável.

> Igualdade de oportunidades.

 

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