Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

O Sindicato, através de sua presidenta Eliana Brasil e diretores, marcou presença no Seminário Nacional de Estratégia para o Ramo Financeiro, organizado pela Contraf-CUT, na noite desta quarta-feira, 20 de maio, no Braston Hotel, em São Paulo. Ao abrir o evento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu paciência aos trabalhadores e disse que, apesar do pessimismo de setores conservadores da sociedade, a situação econômica do país tende a melhorar.

“O governo da companheira Dilma não vai ficar ruim o tempo todo. O Brasil não vai perder para Alemanha, de sete a um, todas as vezes. A Dilma sabe que as dificuldades precisam ser superadas, sabe que tem que apresentar projetos. A Petrobras não tem que ficar o tempo todo discutindo Lava-Jato, precisa desenvolver o pré-sal. Eu estou convencido que esta angústia será superada,” avaliou Lula.

O ex-presidente elogiou o protagonismo dos bancários e disse ter uma excelente relação com o movimento sindical. “Nunca pedi para não protestarem, não fazerem greve. O que vocês não podem é estar mal com os trabalhadores. Podem estar mal com a Dilma, com o Lula, mas não com sua categoria”.

Lula pediu aos dirigentes para levantarem a cabeça. “Vocês são líderes, são porta-vozes que falam para outras pessoas. Eu queria que, ao sair deste encontro, vocês soubessem que não há espaço para voltar de cabeça baixa para seus locais de trabalho. É preciso reconhecer que o momento é difícil, mas também que nós seremos os responsáveis para sair dessa situação.”

O ex-presidente também criticou o comportamento de adversários políticos. “O que não podemos permitir é que aqueles que perderam se comportem como se tivessem ganhado. E nós que ganhamos, como se tivéssemos perdido”.

O trabalhador não pode ser penalizado

Antes da fala de Lula, o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, abriu o seminário agradecendo a presença dos dirigentes, os quais chamou de “lutadores dos movimentos sociais e sindicais”. Roberto, no entanto, comentou que, logo no início do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, os trabalhadores tiveram um dissabor. “Após a eleição, veio o anúncio do ministério. Não era o que imaginávamos. Depois, as MPs 664 e 665 retirando direitos dos trabalhadores. E, em seguida, o plano Levy de reajuste fiscal. Vamos deixar claro que não aprovamos um plano de ajuste que penalize o trabalhador. Queremos a taxação das grandes fortunas, que os ricos contribuam com sua parte. Que tenha uma reforma tributária e redistribuição de renda.”

Roberto ressaltou, no entanto, que o governo Dilma é o mais próximo do trabalhador. “Somos parceiros do governo, sabemos que esta escolha tinha responsabilidade e um preço. Mas estaremos nas ruas para defender, junto com a CUT, o direito dos trabalhadores na paralisação do dia 29 contra o PL 4330.”

O Seminário prossegue até esta sexta-feira, 22 de maio, e tem o objetivo de aprofundar o debate sobre o setor e os desafios da ação sindical da categoria bancária. A realização do evento foi uma deliberação do 4º Congresso Nacional da Contraf-CUT, realizado em março deste ano.

Enfrentamento

Vagner Freitas, presidente da CUT, afirmou que é um momento importante de enfrentamento de classe do Brasil. “Nós temos capacidade de dar condições para Dilma governar e avançar para quem mais precisa. Porém, essa opção nos custou a reação da direita, uma briga de classe, e um enfrentamento das desconstruções das políticas públicas voltadas para a população”. Vagner lembrou que a paralisação no dia 29 será por avanços e não ao retrocesso. “Nosso mote é contra a direita por mais direitos”.

 

Fonte: Sindicato dos bancários de BH e Região e Contraf-CUT

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