Fotos: Arquivo Sindicato

Após paralisação das atividades de sete agências e de diversos departamentos do Bradesco, no dia 7 de agosto, em Belo Horizonte, o banco cedeu e aceitou agendar negociação com o Sindicato, na agência Matriz da capital mineira, para o dia 14 de agosto. As paralisações tiveram como objetivo denunciar a situação enfrentada pelos funcionários nas unidades de trabalho, como demissões, assédio moral, extrapolação da jornada e descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Entre os diversos problemas, o Bradesco descumpre a Convenção ao enviar torpedos ou mensagens por WhatsApp aos funcionários  cobrando cumprimento de metas, realiza demissões ilegais de trabalhadores com doenças relacionadas ao trabalho ou durante o período de estabilidade pré-aposentadoria e transfere funcionários contra sua vontade e sob ameaça.

Participaram da negociação, representando o Sindicato, a presidenta Eliana Brasil, os diretores Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), Élcio Chaves e Leonardo Marques. A presidenta da Fetraf-MG, Magaly Fagundes, também participou da reunião. Já representando o banco, estiveram presentes o diretor regional do Bradesco em Minas Gerais, Alex Braga, sua assessora Denise Rocha e a diretora de Relações Sindicais do RH do banco em São Paulo, Eduara Cavalieri.

Descumprimento da CCT

Na negociação, os representantes dos funcionários exigiram que o Bradesco cumpra a CCT e coloque fim às demissões ilegais de funcionários em estabilidade pré-aposentadoria, como afirma a cláusula 26ª, e também portadores de doenças relacionadas ao trabalho.

O Sindicato apresentou um documento em que  relaciona todas as demissões ilegais realizadas em 2014 e o banco afirmou que avaliará caso a caso.

Em relação ao envio de torpedos e WhatsApp, os representantes dos funcionários denunciaram que o banco ainda pratica cobranças através do celular particular dos bancários, descumprindo a cláusula 36a da CCT.

O diretor regional Alex Silva Braga afirmou que orientará novamente os gerentes regionais para que coloquem fim ao envio das mensagens.

O Sindicato alerta que funcionárias e funcionários devem denunciar, imediatamente, qualquer irregularidade ou descumprimento da CCT.

Mobilidade

O Bradesco vem realizando transferências de funcionários contra a vontade dos trabalhadores, para agências distantes e sob ameaça de demissão. O Sindicato denunciou a prática abusiva durante a negociação e o diretor regional afirmou que o banco realiza apenas uma solicitação, sem que os funcionários sejam obrigados a aceitar a transferência.

Os representantes dos funcionários cobraram uma ação efetiva em relação aos casos denunciados e o diretor Alex Braga se comprometeu a orientar novamente os gerentes regionais sobre as transferências, que não devem ser compulsórias.

O Sindicato criticou ainda o valor da ajuda que é repassada aos funcionários transferidos, principalmente o que diz respeito ao gasto com os combustíveis que está congelado há mais de 15 anos. A diretora Eduara Cavalieri alegou que o assunto está sendo negociado na mesa da Fenaban por se tratar de um tema que abrange o banco em todo o país.

Funcionários da Scopus, da agência de serviço e da agência Corporate

Sobre a Scopus, que é uma empresa coligada ao banco, o Sindicato também cobrou posição do Bradesco em relação aos trabalhadores da empresa após a sua aquisição pela IBM, especificamente a Scopus Serviços. A diretora Eduara Cavalieri afirmou que, tanto para os trabalhadores da Scopus Serviços quanto para os da Scopus Tecnologia, serão mantidos os mesmos direitos.

Em relação aos funcionários da Rodoban, o Sindicato cobrou do banco um posicionamento e a definição de uma data para as transferências e o encerramento das atividades da agência de serviços que funciona na empresa.

Já em relação aos funcionários da agência Corporate, o Sindicato reforçou a cobrança pela transferência definitiva dos funcionários, que já estão trabalhando em outras unidades desde dezembro de 2013 mas ainda não tiveram a situação efetivada. O banco informou, através de sua regional em Belo Horizonte, que as transferências terão início em setembro. Os representantes dos funcionários destacaram que o Sindicato continua atento e acompanhará todo o processo.

Extrapolação da jornada de trabalho

O Sindicato denunciou o grande número de agências em que funcionários são obrigados a trabalhar até as 20 ou 21h. A extrapolação da jornada de trabalho causa estresse, adoecimento e coloca inclusive em risco de vida aos funcionários. Os representantes dos funcionários denunciaram que, em alguns casos, os trabalhadores permanecem nas agências sem a presença de vigilantes, ficando   expostos a risco de assaltos.

O Bradesco se comprometeu a verificar a situação em cada uma das agências denunciadas para garantir o cumprimento da jornada de trabalho da categoria.

O Sindicato exigiu que o banco respeite os bancários e que mantenha vigilantes nas agências durante todo o expediente. Qualquer extrapolação de jornada de trabalho deve ser denunciada imediatamente à entidade para que sejam tomadas as medidas necessárias.

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