O Sindicato paralisou, nesta quarta-feira, 20, Dia Nacional de Luta contra o novo Plano de Funções do Banco do Brasil, a agência Afonso Pena do Banco do Brasil, localizada no Centro de Belo Horizonte. Durante a manifestação, que denunciou os prejuízos trazidos pelo plano de funções comissionadas, a Superintendência de Minas Gerais do BB ameaçou se utilizar do famigerado interdito proibitório – instrumento judicial utilizado nos tristes tempos da ditadura militar –  para calar os funcionários.

Mesmo com a posição autoritária do banco, a adesão dos bancários da agência Afonso Pena foi massiva e a unidade de trabalho ficou paralisada durante todo o dia. No local, foi instalada a “Porta do Inferno” para denunciar à população a vida infernal a que são submetidos os funcionários, que sofrem com as medidas autoritárias unilaterais do banco. 

O presidente do Sindicato, Cardoso, considerou absurda a atitude do Banco do Brasil ao tentar proibir o ato. “A Superintendência do banco se utilizou de um instrumento da época da ditadura para tentar intimidar os trabalhadores. Os funcionários do Banco do Brasil e o Sindicato não aceitarão este absurdo. Iremos às ruas para continuar denunciando os abusos e mais esta atitude covarde do BB”, destacou.

Em fevereiro, funcionários do BB aprovaram, em assembleia, ação coletiva do Sindicato contra o Plano de Funções e, no dia 20 do mesmo mês, foi realizada manifestação em frente ao prédio do Banco do Brasil na rua Rio de Janeiro, região central de Belo Horizonte.

Além disso, o Sindicato participou, representado pelo funcionário do Banco do Brasil e diretor, Wagner Nascimento, da comitiva que foi até o Congresso Nacional, no dia 5 de março, para entregar a parlamentares um informativo com denúncias sobre as práticas do banco.

Clique aqui para ler o material entregue aos deputados.

Com a implantação do novo Plano de Funções, cerca de 22 mil funcionários podem optar por manter os cargos de oito horas ou reduzir suas jornadas para seis horas. No entanto, o banco está reduzindo salários dos funcionários que optam pela redução da jornada.

O Banco do Brasil obrigou dezenas de milhares de funcionários que ocupam cargos de analistas, assessores e cargos técnicos a assinarem um termo abusivo, que muda o nome de funções e suas atribuições. Foi dado um prazo de seis dias aos funcionários e, caso não houvesse assinatura, o bancário seria descomissionado e voltaria a ser escriturário.

Outro problema está na substituição do Complemento Temporário de Valorização de Funcão (CTVF) pelo Complemento de Função de Confiança (CFC), para cargos de oito horas, e o Complemento de Função Gratificada (CFG), para os cargos de seis horas. A medida traz prejuízo nas promoções futuras por mérito e por tempo de serviço, pois demorará mais tempo para compensar o CFC e CFG, que após liquidados garantem aumento de salário bruto nas promoções.

Para o funcionário do BB e diretor do Sindicato, Wagner Nascimento, a paralisação foi importante para alertar os funcionários de toda a base. “Precisamos de uma grande mobilização contra este Plano de Funções que tem requintes de crueldade, pois reduz salários e retira direitos dos trabalhadores. Além disso, a Diretoria de Pessoas do Banco do Brasil tem promovido demissões e ameaças de descomissionamento, o que não aceitaremos”, afirmou.

Calendário de mobilização definido pelo Comando Nacional dos Bancários

Março e abril – campanha nacional para denunciar os problemas causados pela gestão do BB tanto ao corpo funcional quanto ao governo e sociedade, com plenárias e eventos de divulgação.
Abril – Paralisação de 24 horas a ser programada
Maio – Congressos dos funcionários de bancos públicos entre os dias 17 e 19 em São Paulo.

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