Foto: Alessandro Rocha

Funcionários do Banco do Brasil da base do Sindicato paralisaram suas atividades, nesta terça-feira, 30, para protestar contra a implantação unilateral do novo plano de funções, que reduz salários e retira direitos. O banco tentou intimidar os funcionários e impedir a greve através do famigerado interdito proibitório.

Assim que foi notificado, o Sindicato entrou com mandado de segurança no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais e conseguiu caçar a liminar. A desembargadora que acatou o mandado afirmou que o interdito vai contra o disposto na Lei de Greve, já que restringiria a manifestação sem que houvesse fato concreto ou abuso do direito por parte dos trabalhadores.

Os bancários se concentraram em frente ao prédio do BB, na rua Rio de Janeiro, na região central de Belo Horizonte. A greve contou com a adesão de centenas de funcionários de agências, PSO e de órgãos regionais, como CSO, CSL, CSA e Mesa de Crédito. O movimento, que é nacional, também mobilizou diversos sindicatos filiados à Contraf-CUT, como os de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Campinas, Bahia e Paraíba.

“O banco acionou um instrumento utilizado pela ditadura para impedir a greve e as manifestações dos trabalhadores. Felizmente, vencemos a ditadura, mas o presidente do BB, Aldemir Bendine (Dida), junto ao vice-presidente de Gestão de Pessoas, Robson Rocha, e ao diretor de Pessoas, Carlos Netto, insiste nesta prática covarde, truculenta e ditatorial. Conseguimos caçar a liminar e fizemos um movimento pacífico e organizado”, explicou o presidente do Sindicato, Cardoso.

O novo plano de funções do Banco do Brasil traz grandes prejuízos para o funcionalismo. Com sua implantação, cerca de 22 mil funcionários do BB em todo o Brasil podem optar por manter seus cargos de oito horas ou reduzir suas jornadas para seis horas. Porém, o banco está reduzindo os salários dos bancários que optam pela redução da jornada.

Dezenas de milhares de bancários foram obrigados a assinar um termo abusivo, que muda o nome de suas funções e atribuições. O banco deu um prazo de seis dias para a assinatura sob ameaça de descomissionamento e de que os bancários voltariam a ser escriturários.

Além disso, os cargos de oito horas tiveram os adicionais de função reduzidos e o Complemento Temporário de Valorização de Função (CTVF) substituído pelo Complemento de Função de Confiança (CFC) e, para os cargos de seis horas, o CTVF foi substituído pelo Complemento de Função Gratificada (CFG). A medida traz prejuízo nas promoções futuras por mérito e por tempo de serviço, pois demorará mais tempo para compensar o CFC e o CFG que, após liquidados, garantem aumento de salário bruto com as promoções.

Para o funcionário do Banco do Brasil e diretor do Sindicato, Wagner Nascimento, mais uma vez os funcionários foram às ruas para protestar contra a intransigência do BB. “O banco insiste em não querer negociar um plano que, claramente, traz prejuízos financeiros presentes e futuros aos funcionários. Exigimos um canal produtivo de negociação para discutir os problemas e evitar perdas ainda maiores a todos os segmentos do funcionalismo”, afirmou.

O presidente do Sindicato, Cardoso, denunciou a péssima gestão do banco e afirmou que os funcionários e o Sindicato não se intimidarão e continuarão nas ruas. “O Banco do Brasil é do povo brasileiro e o povo, o Sindicato e os bancários exigem a saída imediata de toda a sua direção. O BB tem que respeitar os trabalhadores que fazem dele um dos maiores bancos do mundo. Fora Dida! Fora Robson Rocha! Fora Carlos Netto!”, finalizou.

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