Foto: Arquivo Sindicato

O Sindicato paralisou, nesta quarta-feira, 24 – Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Itaú –  cinco agências do banco em Belo Horizonte. As paralisações foram realizadas para protestar contra a política de demissões, a implantação de horário estendido em diversas agências e as pressões exercidas pelo banco na cobrança de metas abusivas.

A agência BH 1403, localizada na avenida João Pinheiro, foi paralisada durante todo o dia e recebeu a “Porta do Inferno”, para denunciar as condições infernais de trabalho a que os funcionários estão sendo submetidos. As outras quatro unidades de trabalho, localizadas no Centro e nos bairros Barro Preto e Lourdes, que adotam o horário estendido, tiveram suas atividades paralisadas até as 18h.

O Itaú é um dos bancos que mais lucra no Brasil. Em 2012, obteve lucro líquido de mais de R$ 14 bilhões. Apesar disso,  é também um dos bancos que mais demite, tendo fechado 7.935 postos de trabalho no ano passado de acordo com dados do Dieese. Se for considerado o período entre março de 2011 e dezembro de 2012, foram 13.699 postos de trabalho fechados. Além disso, o constante assédio moral e as pressões para cumprimento de metas têm levado muitos bancários ao adoecimento. Há inclusive denúncias de casos em que funcionários que vão sair ou já saíram de férias são pressionados a cumprir suas metas em apenas dez dias.

O funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Antônio Guimarães (Magaiver), revelou que bancários que já estão sobrecarregados pelo acúmulo de funções e serviços de funcionários demitidos sofrem pressões do superintendente, do Gerente de Suporte Operacional (GSO) e do Gerente Regional de Agências (GRA) para cumprir metas abusivas. “Um gerente operacional nos denunciou que os bancários que desempenham esta função, e que já estão cheios de atribuições, inclusive a de abrir caixas para atender o público, terão agora que acumular as atribuições operacionais das Emps (Plataformas Empresas), que também farão parte das agências”, explicou.

Outra medida adotada pelo Itaú que também tem prejudicado a vida dos bancários é o chamado “projeto corredor”. A estratégia, adotada unilateralmente pelo banco, estende o horário de funcionamento de cerca de 450 agências em todo o país. Com a nova jornada de trabalho, os funcionários são muitas vezes obrigados a fazer horas extras, que são compensadas ao invés de remuneradas, e têm que sair mais tarde das unidades de trabalho, o que traz riscos à segurança e prejuízos à vida pessoal dos bancários.

Para o funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Ramon Peres, as principais consequências da adoção do horário estendido – que já foi implantado em 27 agências da base do Sindicato – foram o adoecimento e a insatisfação dos funcionários. “Já denunciamos a extrapolação de horas extras nas agências e a Superintendência Regional do Trabalho autuou a agência 0084 – Tupinambás que, mesmo não tendo seu horário estendido, servirá de referência a outras unidades de trabalho que chegam a funcionar até as 19 ou 20h. O Sindicato exige que o banco retorne com o horário padrão nas agências ou negocie com os trabalhadores a jornada de 9 às 17h com dois turnos de trabalho”, enfatizou.

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