Fotos: Arquivo Sindicato

Nesta terça-feira, 3, em que trabalhadores se mobilizam em Brasília para pressionar deputados contra a aprovação do PL 4330, o Sindicato paralisou as atividades de agências bancárias da CAIXA, Banco do Brasil, Itaú e Santander na cidade de Itaúna-MG. As paralisações contra o projeto de lei duraram até 13h, com atraso da abertura das agências no centro da cidade.

Durante os protestos em Itaúna, que contaram com a adesão de bancárias e bancários, foi distribuído material informativo à população sobre os prejuízos causados pelo PL 4330. A concentração foi realizada na Praça da Matriz, onde foram também colhidas assinaturas para um abaixo-assinado contra o projeto da terceirização, juntamente com representantes da CUT e de outras centrais sindicais. O documento com as assinaturas será enviado aos deputados em Brasília para fortalecer a pressão dos trabalhadores contra a aprovação do projeto.

De autoria do deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), o PL 4330/04 libera a terceirização sem limites – inclusive na atividade principal da empresa, seja ela privada ou pública – e acaba com a responsabilidade solidária, na qual a contratante arca com as dívidas trabalhistas não pagas pela terceirizada. Além de diversas mobilizações contra a aprovação do projeto no Congresso Nacional, a CUT participou das várias rodadas de negociação na mesa quadripartite formada pelas centrais, empresários, governo e parlamentares. Porém, não houve avanço em pontos fundamentais para a garantia de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, já que o empresariado e o relator do PL, deputado Artur Maia (PMDB-BA), mantiveram sua intransigência.

Entre os vários impactos que o PL trará às relações de trabalho, vale destacar que o terceirizado:

– Recebe salário 27% menor que o contratado direto;
– No sistema financeiro, o salário do terceirizado é ainda menor: equivalente a um terço da remuneração do bancário;
– Tem jornada semanal de 3 horas a mais;
– Permanece 2,6 anos a menos no emprego do que um trabalhador contratado diretamente;
– A rotatividade é maior – 44,9% entre os terceirizados, contra 22% dos diretamente contratados;
– A cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre os trabalhadores terceirizados.

Na última sexta feira, os bancários já haviam realizado manifestações em Itaúna, atrasando a abertura do Itaú e Banco Mercantil, e em Belo Horizonte com visitas de dirigentes do Sindicato a agências bancárias do centro, concentrando as 16 horas na praça 7 e participando com outras categorias de trabalhadores.

Para o diretor do Sindicato, Jerry Adriane, a mobilização é essencial neste momento de luta para garantir que os direitos dos trabalhadores não sejam ameaçados. “Tivemos grande adesão dos bancários e bancárias de Itaúna, que ajudaram na distribuição dos informativos e na coleta das assinaturas para o abaixo-assinado. Não podemos permitir que o PL 4330 seja aprovado e coloque em risco nossos direitos. Trabalhadores terceirizados trabalham mais, recebem menos e estão expostos a mais riscos. No Tribunal Superior do Trabalho (TST) tramitam vários processos causados pela terceirização e os mais comuns envolvem a falta de pagamento de direitos trabalhistas e empresas que fecham sem quitar débitos com os trabalhadores”, afirmou.

Compartilhe: