O Sindicato, representado pela diretora Eliana Brasil, participa neste momento do Encontro do Macrossetor Comércio, Finanças, Serviços e Logística, organizado pela CUT em São Paulo. No total, a delegação de bancários conta com 65 membros e a Contraf-CUT também participa do evento, que teve início nesta terça-feira, 12.

Na tarde da terça-feira, as discussões promovidas abordaram o Estado como indutor do desenvolvimento e como agente regulador. Um dos debatedores foi o professor do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp), Anselmo Luis dos Santos. O mediador foi o jornalista Paulo Henrique Amorim.

Para Anselmo Luis, as medidas tomadas pelo governo federal como desoneração da energia e de setores estratégicos, controle de juros e câmbio, além do aumento de financiamentos públicos, devem possibilitar condições para maior crescimento econômico a longo prazo do país. “O governo federal nos últimos dois anos teve a coragem de enfrentar o sistema financeiro e baixar os juros a taxas recordes”, ressaltou.

“O que está se construindo desde 2004 como padrão de desenvolvimento é uma das maiores transformações desde os anos 1950 e do ponto de vista social é ainda melhor”, avaliou Santos.

Ele alertou, no entanto, para o fato de a crise no Brasil ter afetado o setor industrial, especialmente a região metropolitana de São Paulo. “Este setor é essencial, pois gera demanda na agricultura, no setor de serviços. É ali que se concentra parcela imensa dos ganhos de produtividade. O problema está não apenas na quantidade do que está sendo produzido, mas principalmente na qualidade. A estrutura produtiva do Brasil se distanciou em termos de qualidade do mundo desenvolvido”, afirmou.

“O que sustentou o crescimento do emprego foram os setores da construção civil, atividades imobiliárias, além de políticas que contemplam subsídios e que atendem população de baixa renda como o Programa Minha Casa Minha Vida”, salientou.

O economista criticou o comportamento da imprensa diante dessas transformações. “O Brasil está se recuperando, mas a grande mídia não está interessada em mostrar”, criticou.

Mais empregos

Santos defende que, no conjunto da estrutura de emprego, o país está criando, apesar do ritmo lento, postos de trabalho com carteira assinada. “Não é um emprego de excelente qualidade, mas a estrutura de emprego está cada vez mais formal, o salário médio vem crescendo”, frisou.

Apesar disso, o professor identifica um duplo movimento. Se há aumento de trabalhos com carteira assinada, a construção civil, por exemplo, que apresentou crescimento do trabalho formal, também apresentou crescimento do trabalho sem carteira. “Por isso, é necessário regular o trabalho e mais do que isso fiscalizar se a legislação está sendo cumprida”, ressalta.

O professor destacou ainda que o número de jovens entre 16 e 24 anos, que entra no mercado de trabalho, vem caindo nos últimos dois anos (1,4%), enquanto o número de trabalhadores acima de 25 anos vem aumentando (3,8%). “Isso é fantástico para regular o mercado de trabalho”, defendeu.

Novo modelo de desenvolvimento

O economista do Dieese, Gustavo Teixeira, avaliou que está em construção um novo modelo de desenvolvimento, diferente do implementado na década de 1990. “No caso do setor de saneamento e elétrico, um dos grandes desafios é romper as heranças do modelo neoliberal dos anos 90, que teve como um dos principais pilares a privatização. Estamos em um contexto que é resultado deste processo, que foi perverso para a economia e, sobretudo, para a classe trabalhadora”.

“Implantou-se um vazio institucional na área do saneamento e no setor elétrico, com a privatização, houve um aumento considerável da terceirização. Não é por acaso que 90% dos acidentes fatais acontecem com trabalhadores terceirizados”, denunciou. “O que está em discussão são setores estratégicos e essenciais, não só para economia, mas qualidade de vida da sociedade brasileira”.

Outra preocupação levantada por Teixeira é em relação às agências reguladoras dos serviços. “Grande parte das agências foi constituída com o perfil para atuar no modelo neoliberal dos anos 1990”, apontou. “É necessário adaptá-las ao novo modelo de desenvolvimento que está em construção. E uma das demandas do novo contexto é a ampliação dos espaços de participação da sociedade”, defendeu.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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