Fotos: Alessandro Carvalho

 

Nesta quarta-feira, 13 de junho, foi realizada, em Belo Horizonte, uma edição do projeto Diálogos Capitais. Com o objetivo de discutir temas fundamentais para o futuro, esteve em pauta a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Diretores do Sindicato participaram do evento, que foi organizado pela CartaCapital e patrocinado pela Fenae.

Para debater o papel dos bancos públicos, estiveram presentes o economista Luiz Gonzaga Belluzo, o diretor presidente do BDMG, Marco Aurélio Crocco, a ex-presidente da CAIXA e ex-secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Maria Fernanda Coelho, e o presidente da Fenae, Jair Ferreira.

Diante dos ataques que bancos como a CAIXA, o Banco do Brasil e o BNDES vêm sofrendo no governo Temer, o economista Luiz Gonzaga Belluzo destacou que a ideia de privatizar estas instituições se trata de um absurdo, já que Estado e setor privado devem atuar complementarmente para o desenvolvimento do país.

“Esta dicotomia entre o público e o privado é tosca e falsa, pois não leva em conta as articulações que se dão no interior das economias. Em todo o mundo, os bancos públicos sempre tiveram papel fundamental, dirigindo o crédito e projetando os investimentos à frente da demanda, o que dava horizonte de crescimento para o setor privado”, explicou.

Para Belluzo, os bancos públicos são um importante caminho para a recuperação da economia brasileira e, sendo assim, a política de desmonte e cortes nos investimentos só contribui para afundar ainda mais a economia. “Outro problema que vemos, atualmente, é a captura das empresas públicas pelo mercado, com a gestão privada destas instituições”, destacou o economista, alertando que até mesmo o Banco Central tem sido dirigido por gestores provenientes dos bancos privados.

Já Marco Aurélio Crocco, ressaltou que a política de bancos de desenvolvimento, como é o caso do BDMG e do BNDES, sempre fez parte de um paradigma macroeconômico, contribuindo para a concretização de um projeto de país. Porém, nos anos de 1990, com a onda de privatizações e a implantação de políticas neoliberais, estas instituições deixaram de ter este importante papel.

“Já durante o governo Lula, é invertido este quadro com as políticas voltadas para a criação de um mercado de consumo de massa no Brasil. O governo Temer, por sua vez, entrou novamente com a agenda dos anos 90, enquanto todos os organismos internacionais, incluindo o FMI, já indicaram que este não é o caminho. O desafio que está colocado é o de que não iremos recuperar o papel dos bancos de desenvolvimento sem mudanças no paradigma macroeconômico do governo”, afirmou Crocco.

A ex-presidente da CAIXA, Maria Fernanda Coelho, elogiou a iniciativa da CartaCapital e da Fenae. “Esse espaço é a ação mais relevante que tenho visto do ponto de vista político. É fundamental reunir os movimentos sociais, a academia, gestores públicos e empresários para que possamos avançar na superação da polarização que vemos nos dias de hoje”, destacou.

Para Maria Fernanda, o que se vê hoje é a repetição dos argumentos que defendem a privatização dos bancos públicos, com frases vazias que pregam a ineficiência, problemas de governança e a busca por mais competitividade. Ela ressaltou, porém, que o que se viu com a privatização dos bancos estaduais no Brasil foi o caminho inverso, com a concentração ainda mais brutal do mercado.

“O que temos depois do golpe é uma ofensiva e uma descaracterização completa do papel da CAIXA e do Banco do Brasil, com cortes de postos de trabalho e fechamento de agências, mantendo os lucros estratosféricos dos bancos. Isto significa acabar com o perfil dos bancos públicos, que foram exatamente as instituições que possibilitaram que, na crise internacional de 2008, o Brasil não passasse por um cenário tão grave quanto o que foi visto em outros países”, explicou a ex-presidente da CAIXA.

Por fim, o presidente da Fenae, Jair Ferreira, fez um panorama da importância histórica dos bancos públicos para o país. Para ele, estes bancos são fundamentais para garantir o atendimento à população em todo o país, para financiar o desenvolvimento, investir em infraestrutura, saneamento e grandes obras estruturantes.

“Nossa tarefa é pensar no longo prazo. As empresas públicas não podem ser geridas tendo como foco apenas a rentabilidade. A política do atual governo representa uma ameaça contra os trabalhadores, contra as pessoas que precisam dos programas sociais, contra os brasileiros que precisam de financiamentos. Os bancos públicos da envergadura da CAIXA e do Banco do Brasil têm todas as condições de fortalecer a economia e fazer com que o país cresça”, afirmou Jair.​

 

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