O Sindicato, através da sua presidenta Eliana Brasil, diretores da entidade e bancários de base, participaram na noite desta terça-feira, 21 de novembro, do ato de lançamento da Frente Nacional contra a Censura (FNCC), no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Participaram centenas de entidades da sociedade civil – movimentos sindical, social, popular e estudantil, do mundo artístico e cultural e lideranças políticas –  que construíram ampla e forte resistência  contra o arbítrio, a censura, o fundamentalismo de todas as formas e o fascismo. Segundo organizadores e apoiadores da FNCC, a ideia do movimento é lutar contra atos contrários à liberdade de expressão, por democracia e contra o golpe em curso no  país.

O lançamento aconteceu por conta os protestos contra a exposição “Faça Você mesmo Sua Capela Sistina”, de Pedro Moraleida; e a tentativa de proibição da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, ambas, inspiradas em ações que motivaram o encerramento da mostra “Queermuseu”, em Porto Alegre.

De acordo com o produtor cultural e um dos organizadores da FNCC, Pedro Martins, o movimento foi criado, exatamente, após uma ameaça de censura às exposições de arte e espetáculos teatrais sob acusações de incentivo à pedofilia. “Nós já fizemos vários atos aqui. Tomamos a decisão de criar uma frente nacional para que a gente não fique em um ato isolado. A expectativa é que a população entenda o que nós estamos fazendo. Entenda que a arte não é pedofilia. A pedofilia, infelizmente, está nas igrejas, nas casas e não nas galerias de artes e museus”, explica Pedro.

Além dos organizadores e manifestantes que apoiam a criação da frente, o secretário municipal de Cultura de Belo Horizonte, Juca Ferreira, também esteve no local. “Esse evento é importante porque estão tentando restabelecer a censura em cima de questões demagógicas e de moral. Mas, os artistas estão se mobilizando e isso é importantíssimo. Acho que Minas vai dar uma lição para o Brasil, porque só há um jeito de combater a censura, que é lutar pelo direito de expressão”, afirmou.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Rômulo Avelar, a ação pode conter o avanço de um problema já vivido pelos brasileiros.  “A censura é algo que a gente não pode mais conviver. Há de se fazer toda uma mobilização no sentido da gente se proteger desse mal, que já ocorreu no Brasil no momento da ditadura, e que não seria interessante a gente ver renascer”, disse.

“O lançamento da Frente Nacional contra a Censura em Belo Horizonte é mais um importante movimento contra o golpe, pela liberdade de expressão, pela democracia, contra o arbítrio, o fundamentalismo e todas as formas de obscurantismo. Deixamos claro que os mineiros honrarão a sua tradição de resistência e não vão aceitar que a censura volte para tolher a nossa liberdade” afirmou  a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Pelas redes sociais, diversos artistas e famosos têm demonstrado apoio ao movimento. Chico Buarque, Caetano Veloso, João Naves, Benvindo Siqueira e Débora Falabella foram alguns dos artistas que deixaram suas mensagens de apoio ao lançamento da Frente.

Veja abaixo o manifesto contra a censura divulgado pelo movimento:

CENSURA NUNCA MAIS 

Belo Horizonte, novembro de 2017

“Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço”
Sérgio Ricardo, in Calabouço

Vivemos tempos sombrios. Os monstros do passado, que guardávamos na memória doída, insistem em ressuscitar na onda conservadora que assola o País. Tentam condenar e proibir exposições, peças de teatro, espetáculos de dança, shows e outras atividades artísticas, culturais, científicas e intelectuais.

A vaga reacionária quer controlar e cercear o pensamento, a criação e a manifestação livres de nosso povo; ao mesmo tempo em que promove retrocessos em vários aspectos da vida social.

A reação às tentativas de proibir a exposição Painel Arteminas, em exibição no Palácio das Artes, mostrou a força da resistência coletiva e colocou nossa cidade no circuito de defesa das liberdades de criação e expressão.

Acreditamos que as entidades da sociedade civil, intelectuais, artistas, personalidades, militantes culturais e ativistas dos muitos segmentos democráticos do País devem somar esforços para impedir o retorno da censura no Brasil. É preciso reagir antes que o obscurantismo se torne algoz da liberdade e o silêncio seja a única palavra permitida.

A constituição de uma frente contra a censura é o primeiro passo na direção de um movimento amplo em defesa das liberdades e dos direitos democráticos. Para esta jornada contamos com a sua presença valiosa e o seu apoio fundamental.

Certos que poderemos contar com a sua participação e o seu apoio, enviamos um grande abraço em nome de todos nós.

 Não se cale. Participe.

Frente Nacional Contra a Censura

Ângelo Oswaldo
Secretário de Cultura de Minas Gerais

Juca Ferreira 
Secretário de Cultura de Belo Horizonte

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com CUT-MG

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