Foto: Contraf-CUT

 

O Sindicato participou, nesta quarta-feira, 8 de maio, em Brasília, do lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos. A entidade foi representada pela presidenta Eliana Brasil e pelos diretores Luciana Bagno, Marco Aurélio Alves, Tárcio Chamon e Wagner Nascimento. O ex-presidente do Sindicato e atual diretor de Administração e Finanças da Fenae, Cardoso, também participou do lançamento. O evento, realizado na Câmara dos Deputados, contou com a presença de senadores e deputados.

A mobilização tem o objetivo de chamar atenção para os ataques aos bancos públicos e combater a venda destas instituições financeiras, como vêm sinalizando as atuais diretorias dos bancos. Os participantes do evento destacaram a importância dos bancos públicos para a soberania nacional e para o desenvolvimento econômico e social do país.

A Frente conta com 209 integrantes, sendo 199 deputados e 10 senadores, de 23 partidos, como PT, PSB, MDB PSDB, PDT, PSD, PSOL, Solidariedade, PP, PSC, PRB, DEM, PSL, PCdoB, PTB, entre outros. Caberá à Frente Parlamentar Mista ampliar os debates na sociedade e fazer articulações no Congresso Nacional com o intuito de barrar projetos de reestruturação que miram o sucateamento e privatização das instituições financeiras públicas, como CAIXA, Banco do Brasil, BNDES, Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (Basa).

A iniciativa de criação da Frente partiu dos deputados José Carlos Nunes Junior (PT/MA), Assis Carvalho (PT/PI) e Érika Kokay (PT/DF), além do senador Jacques Vagner (PT/BA), com base nas ações de entidades como Fenae, Contraf-CUT, Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, centrais sindicais e associações de luta pela moradia.

Durante o ato, os parlamentares ressaltaram que são os bancos públicos que investem em habitação, saneamento básico, infraestrutura urbana, educação, agricultura, entre outras áreas estratégicas para o desenvolvimento. Segundo o deputado Zé Carlos, coordenador da Frente, “nenhum banco privado no país investe em financiamento da casa própria em favor da população pobre nas mesmas condições das oferecidas pela CAIXA, com prazos e taxas compatíveis com as necessidades dos clientes”.

O parlamentar defendeu que a mobilização no Congresso Nacional comece pelas bases da sociedade, sendo a única forma de possibilitar que a defesa dos bancos públicos se torne consistente. “São os bancos públicos que garantem financiamento com juros compatíveis, com crédito adequado para se investir”, explicou Zé Carlos. Como exemplo, ele citou o crédito imobiliário para pessoas de baixa renda, assim como o crédito agrícola para o agronegócio e para a agricultura familiar.

O senador Jacques Vagner disse considerar a Frente essencial neste momento. Ele lembrou que o Brasil saiu da lista dos 25 melhores países para investimento, sendo que chegou a ocupar o 3º lugar no mesmo ranking quatro anos atrás.  “Estou firme nesta caminhada e disposto a integrar a luta”, afirmou.

Para a deputada Érika Kokay, a atuação da Frente suprapartidária é intrínseca ao Poder Legislativo, mas também representa um diálogo com os poderes Executivo, Judiciário, Ministério Público e, particularmente, com a sociedade civil. “A defesa dos bancos públicos é uma prerrogativa que atinge todos os brasileiros e brasileiras. A CAIXA, por exemplo, é uma empresa que operacionaliza 98% do crédito imobiliário que atinge a população de baixa renda. Devemos defender os bancos públicos porque o Brasil precisa deles”, pontuou a parlamentar, que também é empregada da CAIXA.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que é da região de Nova Friburgo, lembrou que, na tragédia climática que atingiu o distrito em 2011, foram apenas os bancos públicos que socorreram a sociedade atingida.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) e o deputado Patrus Ananias (PT-MG) afirmaram que o Congresso não pode aceitar a política que está colocada atualmente. “Por isso a importância dessa Frente Parlamentar. Qual é o Estado, qual o Desenvolvimento que queremos?”, questionou Maria do Rosário.

Bancos públicos como indutores da economia

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, é preciso agora replicar o ato de lançamento da Frente Parlamentar nos estados e municípios, para que a população tome conhecimento das consequências do sucateamento do sistema financeiro público. “Sem os bancos públicos e a importância que eles têm na economia, não vamos conseguir fazer frente à recuperação do país. Estamos vendo a dilapidação do patrimônio público, em especial dos bancos públicos, que possuem papel importante para a população de baixa renda”, afirmou.

Segundo Jair, a Frente é um espaço de diálogo com a sociedade. “Os bancos públicos são a ferramenta que a sociedade dispõe para se desenvolver de forma mais soberana e democrática”, explicou. Para ele, o que o atual governo faz com a CAIXA é criminoso: fatiar ou enfraquecer o papel social do único banco 100% público do país, vendendo ainda seus ativos lucrativos. “Não interessa a esse governo diminuir a desigualdade no país”, declarou.

Já a presidenta da Contraf/CUT, Juvandia Moreira, destacou a importância das instituições públicas no contexto da soberania nacional, por serem uma ferramenta de crédito capaz de levar desenvolvimento aos lugares mais necessitados do país. “Os bancos públicos existem para corrigir as distorções dos bancos privados, especialmente na área de crédito”, afirmou, enfatizando o financiamento da casa própria, da agricultura e de outros setores da economia.

Representantes da Aliança Latino Americana em Defesa dos Bancos Públicos da Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru também participaram do ato. O argentino Guillhermo Matteo, secretário da Aliança, salientou que os bancos públicos representam mais de 20 milhões de trabalhadores. “A luta contra a privatização é em defesa e a favor do povo. O banco público está em lugares onde os bancos privados não querem estar”, destacou.

Rita Josina, presidente da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste (AFBNB), chamou atenção que o BNB, com 7 mil funcionários e 8% das agências do país, atende uma população carente e administra o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que está ameaçado. Para ela, é preciso que a causa dos bancos públicos saia das corporações e ganhe a sociedade. “É uma luta urgente. Da noite para a dia a nossas vidas estão sendo reavaliadas de acordo com o que manda o mercado financeiro”, denunciou.

O ato de lançamento também contou com a participação de representantes de movimentos sociais. “Para os movimentos populares esse momento é muito importante. É hora de manter a parceria para defender a CAIXA. Não podemos permitir que os bancos públicos sejam privatizados. Vamos lutar juntos com vocês nas ruas”, disse Bartira Lima da Costa, da Confederação Nacional da Associação dos Moradores (Conam).

Seminário “Bancos Públicos e Desenvolvimento”

Após o lançamento da Frente, especialistas em economia renomados, como Sérgio Mendonça, Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp), ex-chefe da Assessoria Especial do Ministério da Fazenda, Paulo Fernando Cavalcanti Filho (UFPb) e Luiz Fernando de Paula (UFRJ) explicaram a importância dos bancos públicos para a população e para o desenvolvimento do país, durante o Seminário “Bancos Públicos e Desenvolvimento”.

Representantes dos movimentos sociais, de entidades ligadas a bancos públicos, centrais sindicais e universidades também participaram do evento.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae

 

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