Diante do aumento de casos de “saidinha de banco”, assaltos e sequestros de bancários, o Sindicato vem aumentando a pressão para que os bancos garantam o mínimo de segurança para os bancários, clientes e usuários de suas agências.

Durante a campanha salarial do ano passado os representantes dos bancários propuseram uma série de medidas para garantir mais segurança nos bancos, mas os banqueiros ignorando o número cada vez maior de mortes em assaltos, fogem de sua responsabilidade frente aos bancários e a sociedade e se recusam a implementar medidas efetivas para coibir este tipo de crime, principalmente o da “saidinha de banco”.

Anúncio feito pela Polícia Militar de MG, no dia 31 de maio, aponta que somente nos primeiros quatro meses deste ano, as “saidinhas de banco” fizeram 325 vítimas em Belo Horizonte. O número dá uma média de dois ataques por dia na capital mineira.

Dados da Polícia Militar mostram ainda que o tradicional bairro Savassi, na região Centro-Sul da Capital é a região que apresenta o maior número de ocorrência, totalizando 12. Em seguida vem o centro da cidade com 11 vítimas em 2012. As estatísticas dão conta de que a região Noroeste, onde estão os bairros Caiçara, Padre Eustáquio e Coração Eucarístico, por exemplo, é o local onde o crime mais cresceu na capital. De 60 ocorrências registradas entre janeiro e abril de 2011, a região acumulou nos quatro primeiros meses deste ano, 81 casos, um aumento de 35%. O índice contraria a queda de 6,8% observada na média geral da cidade. Só no bairro Caiçara, o índice passou de duas para dez ocorrências nos períodos analisados, um salto de 400%. No vizinho Carlos Prates, onde ocorreram cinco saidinhas de banco nos primeiros quatro meses de 2011, houve seis em 2012.

No ranking dos bairros onde mais houve ocorrências, neste ano, algumas situações chamam a atenção. O Prado, na região Oeste, que no primeiro quadrimestre de 2011 teve apenas um caso, já acumula oito vítimas, em 2012. Ele vem seguido pelo Santo Antônio, que passou de uma única ocorrência para sete.

As regiões de Venda Nova e Leste acompanham a Noroeste na elevação dos índices. No primeiro caso, o aumento foi 21,4% (de 14 para 17), enquanto na região Leste, onde estão os bairros Sagrada Família e Santa Tereza, o aumento foi de 6,5%, passando de 31 para 33 casos, em 2012.

Falta de segurança nas agências aumenta número de ocorrências

Segundo o estudo da Polícia Militar, o alto índice do crime está ligado à falta de segurança oferecida pelos bancos, já que as agências onde há biombos de proteção painéis opacos que separam o caixa do espaço reservado para as filas, houve redução de 82% no índice de roubos. Já os locais que não têm a estrutura, continuam a ter grande incidência.

Nas estatísticas da polícia, o banco líder em ocorrências teve, só neste ano, 146 clientes alvos de criminosos. O nome da instituição não foi informado.

A instalação de biombos, que impedem estranhos de observar o valor sacado, é obrigatória de acordo com a Lei Municipal 10.200/2011. No entanto, muitos bancos ignoram a norma.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que passará a fiscalizar o cumprimento da lei a partir deste mês e a aplicar a multa diária de R$ 50 mil em caso de irregularidade.

Dentre as medidas propostas pelos representantes dos bancários, estão a instalação de biombos entre a fila e os caixas, já adotada por alguns banco, além de instalação de portas de segurança com detectores de metais, câmeras em todas as áreas internas e externas das agências com monitoramento remoto em tempo real, vidros blindados nas fachadas, divisórias individualizadas entre os caixas eletrônicos e isenção das tarifas de transferências de recursos (TED e DOC). Também exigem melhorias na assistência às vítimas de assaltos e sequestros e a proibição da guarda das chaves de cofres e do transporte de valores por bancários.

 

Bradesco é condenado a ressarcir vítima de “saidinha de banco”

Apesar de ser uma das instituições financeiras que mais lucra no país, o Bradesco é um dos bancos que menos investe em segurança. O Sindicato tem cobrado exaustivamente, em reuniões com o Bradesco, mais segurança efetiva nas suas agências, já que o banco não possui um sistema de segurança adequado, o que coloca em risco a vida dos funcionários, clientes e usuários, e não é à toa que lidera o ranking de incidência do crime da “saidinha de banco”.
 
No fim do ano passado, no entanto, os bancários, clientes e usuários do banco obtiveram uma importante vitória na justiça em relação à falta de segurança nas agências do banco. O Juizado Especial de Relações de Consumo em Belo Horizonte condenou o Bradesco a devolver R$ 7.930 a um cliente vítima do golpe da “saidinha de banco” ocorrida em 20 de janeiro de 2011 no bairro Cidade Industrial, em Contagem, na região metropolitana da capital. A decisão foi divulgada em 29 de setembro de 2011.
 
O juiz Ronan de Oliveira Rocha argumentou que o banco cometeu falha grave na segurança de seus clientes ao permitir que pessoas que frequentam a agência possam observar toda a movimentação dos caixas e das operações realizadas pelos clientes. O juiz disse ainda que o suspeito esteve dentro do banco durante vários minutos e observou toda a movimentação da vítima.
 
Apesar de o Bradesco ter argumentado que o fato ocorreu fora das dependências do banco o argumento não foi aceito. O prazo para o banco recorrer da decisão encerrou no dia 11 de outubro e o banco informou que vai cumprir a decisão. O Bradesco vai ter que ressarcir o cliente, o valor roubado acrescido de juros de 1% ao mês a partir do dia 20 de janeiro do ano passado. A decisão abre precedentes para novos casos.
 
O presidente do Sindicato, Cardoso, lembra que a entidade tem cobrado exaustivamente, em reuniões com o Bradesco, mais segurança efetiva nas suas agências. “O aumento de casos de ‘saidinha de banco’, assaltos e sequestros de funcionários infelizmente virou rotina constante no banco, pois o Bradesco não possui um sistema de segurança adequado, colocando em risco a vida dos funcionários, clientes e usuários”, afirmou.

 

 

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