Fotos: Arquivo Sindicato

O Sindicato realizou, nesta terça-feira, 28 de maio, uma manifestação para exigir o fim das demissões, melhores condições de trabalho, valorização, respeito e segurança para os funcionários do Bradesco. Os bancários se reuniram em frente à agência Centro do Bradesco, na rua da Bahia, em Belo Horizonte, onde foi instalada a “Porta do Inferno”.

O ato fez parte de uma mobilização nacional realizada durante as negociações entre representantes dos funcionários de todo país e o banco, em Osasco, sobre a minuta de reivindicações específicas, elaborada no Encontro Nacional dos Funcionários do Bradesco e entregue anteriormente.

Durante a reunião, o banco concordou em marcar negociações sobre três temas tratados na pauta de reivindicações: saúde, condições de trabalho e reabilitação; parcelamento do adiantamento das férias e vale-cultura. Foram agendadas três reuniões em junho, uma para cada tema, e o prazo limite para acordo foi definido para o dia 9 de julho.

O tema saúde, condições de trabalho e reabilitação deve ser tratado com o Bradesco entre os dias 5 e 6 de junho. Os bancários denunciam a discriminação contra bancários que retornam da licença médica, colocando-os em atividades alheias a suas funções ou até mesmo em isolamento. Uma das reivindicações da minuta é pela construção de um programa próprio de reabilitação profissional, baseado no que já existe na Convenção Coletiva, para colocar fim a estes abusos.

A reunião sobre o parcelamento do adiantamento das férias foi marcada para o dia 14 de junho. Os funcionários cobram que o banco realize, de forma facultativa, o parcelamento em até dez vezes mensais do adiantamento, sem acréscimo de juros ou encargos. A medida evitaria que bancários tivessem que recorrer a empréstimos para se recompor financeiramente após o retorno das férias.

Já a cláusula do vale-cultura, que deve ser tratada no dia 19 de junho, cobra do banco que conceda a seus funcionários o benefício sancionado pela presidenta Dilma Rousseff. O Programa de Cultura do Trabalhador se destina a estimular o acesso a produtos culturais através do repasse de um valor mensal para este fim.

Banco continua desrespeitando funcionários

Apesar de ter afirmado que irá analisar toda a minuta e ter agendado novas reuniões sobre alguns temas, o Bradesco foi intransigente ao não tratar de forma específica de outras reivindicações importantes para os funcionários.

É o caso do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), cobrado pelos bancários para garantir clareza e transparência nas promoções, igualdade de oportunidades e valorização profissional.

O Bradesco também não tratou de negociação sobre o auxílio-educação, mesmo sendo o único entre os maiores bancos que atuam no Brasil que ainda não oferece qualquer incentivo educacional a seus funcionários.

A situação dos funcionários do banco também é complicada quando se observa o número de demissões. No primeiro trimestre de 2013, o Bradesco obteve um lucro de quase R$ 3 bilhões, mas fechou 592 postos de trabalho de acordo com o Dieese. Nos últimos 12 meses, já foram 2.309 vagas fechadas, ao mesmo tempo em que cresce o número de postos de atendimento e, consequentemente, o desgaste e a pressão exercida sobre os funcionários.

Além disso, o banco continua descumprindo a lei municipal 10.200/2011 de Belo Horizonte, que obriga os bancos a instalarem biombos entre os caixas e espaços reservados para a fila de espera nas agências. Com o descaso, o Bradesco coloca em risco a vida de bancários, clientes e usuários de seus serviços.

Para o funcionário do banco e diretor do Sindicato, Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca), os avanços são importantes mas a mobilização deve continuar. “Os avanços nas negociações são fruto da união e organização do Sindicato e dos trabalhadores, com a realização de greves e paralisações. Porém, o Bradesco insiste em negligenciar questões importantes para o funcionalismo, como o PCCS e o auxílio-educação, além do desrespeito à lei de instalação de biombos. Continuaremos organizados para avançar nas próximas negociações e cobrar do banco que atenda a todas as nossas reivindicações”, afirmou.

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