Durante o último mês, o Sindicato participou de diversas reuniões de negociação com o Itaú sobre acordo coletivo de teletrabalho, ponto eletrônico e quitação de horas extras. A entidade, porém, rejeitou as propostas apresentadas pelo banco.

Em relação ao teletrabalho, por exemplo, a proposta contempla algumas reivindicações do Sindicato no que diz respeito à ergonomia e à ajuda de custo.

Outro problema é que, mesmo que o Itaú arque com os custos operacionais com computador, cadeira, teclado e mouse, caso haja necessidade de manutenção destes equipamentos, todo o custo de entrega no local da manutenção recai sobre o trabalhador. O acordo também não prevê como ficam os períodos de tempo em que o trabalhador estiver aguardando os reparos e consertos, com a sua contabilização como efetivo trabalho dado o tempo à disposição do banco.

A proposta não é clara, ainda, ao colocar o bancário como responsável pela guarda e conservação dos equipamentos, sem esclarecer questões ligadas à segurança ou medidas de auxílio e amparo em caso de furtos, roubos ou outros fatos que fogem do controle do funcionário. Isto, sendo certo que tais bens são considerados em proveito da atividade econômica, e não da pessoa do empregado.

Para Valdenia Ferreira, funcionária do Itaú e diretora do Sindicato, o banco deveria incluir todas as pessoas que estão em teletrabalho no acordo. “Fazer essa distinção, nesse momento, só causa insatisfação e desmotivação nos funcionários. Eles já estão há muito tempo dentro desse regime de trabalho e é preciso, urgentemente, regularizar a sua condição de trabalho com prioridade para a saúde e a ergonomia”, afirmou.

Já a proposta de acordo para regulamentação do ponto eletrônico não diverge em nada do atual acordo que o Sindicato já tem assinado com o banco, que regulamenta a marcação da jornada de trabalho e garante acesso do Sindicato, em qualquer tempo, ao espelho de ponto dos bancários.

O grande problema está na proposta para a quitação integral das horas extras. A anotação da jornada dos funcionários nem sempre reflete a real jornada e as horas extras realizadas. A imposição de quitação integral beneficia o banco e dificulta futuras discussões ou questionamentos do bancário sobre horas extras não registradas.

O presidente do Sindicato, Ramon Peres, que também é funcionário do Itaú, destacou que, desta forma, bancários podem ser prejudicados. “Nossa grande preocupação em relação à quitação integral das horas extras é que sabemos que existem gestores mal-intencionados ou mal instruídos, que podem constranger os bancários a não marcar corretamente sua jornada de trabalho. Infelizmente, o Sindicato recebe denúncias sobre essa prática, o que nos faz ter uma posição de total contrariedade à assinatura desse acordo para que os direitos dos trabalhadores não sejam feridos”, explicou.

“Com a quitação integral, a proposta exime o banco da sua responsabilidade em relação à jornada e ao devido pagamento das horas extras realizadas pelos funcionários. E é claro que os trabalhadores têm medo de recusar a quitação enquanto o contrato de trabalho está em vigor, já que essa recusa pode gerar perseguição interna”, completou Ramon.

Como o Itaú propôs que todos os acordos sejam assinados conjuntamente, diante dos motivos apresentados, é inviável aceitar a proposta. Cumprindo seu papel de defender as bancárias e os bancários de BH e região, o Sindicato não aceitará a retirada de direitos.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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