Em reunião realizada nesta quinta-feira, 18 de maio, em Belo Horizonte, com o Mercantil do Brasil, o Sindicato repudiou o processo de demissões colocado em prática pelo banco. Os representantes dos funcionários exigiram também o fim imediato do processo de reestruturação que transforma agências em Postos Avançados de Atendimento (PAAs).

Os trabalhadores foram representados na mesa pelos funcionários do Mercantil e diretores do Sindicato, Marco Aurélio Alves e Vanderci Antônio da Silva, assim como por Carlos Augusto Vasconcelos, diretor do Sindicato e da CUT-MG. Já a direção do Mercantil foi representada pelo gerente de RH Márcio Geraldo Ferreira.

Somente no ano de 2017, no período de janeiro a maio, já foram demitidos 66 funcionários na base territorial do Sindicato dos Bancários de BH e Região, em sua grande maioria profissionais dos setores de retaguarda operacional e administrativa das agências que foram transformadas em PAAs, além de profissionais do setor de TI. Também houve dezenas de demissões por todo o país. Para o Sindicato e a CUT/MG, o processo de reestruturação do banco é perverso e deixa apreensivos os bancários e bancários, com o iminente risco de demissão em massa e a extinção de diversos cargos.

Acuado, o Mercantil alegou problemas de ordem financeira para justificar o processo de reestruturação. Segundo o banco, as demissões são consequências deste processo, que visa a sobrevivência da instituição no mercado. O Mercantil admitiu que a reestruturação se encontra em seu processo final, mas afirmou que podem ocorrer novos desligamentos até o final de maio.

O Departamento Jurídico do Sindicato já está providenciando os estudos necessários para a contestação judicial do processo de reestruturação do Mercantil, baseado em premissas de resolução do Banco Central sobre o tema. Uma denúncia será encaminhada à Secretaria Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG) e ao Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG), sobre os indícios de demissão em massa e extinção de postos de trabalho.

Marco Aurélio Alves, funcionário do Mercantil e diretor do Sindicato, destacou que a entidade está cobrando do banco que os funcionários atingidos pelo processo de reestruturação tenham a oportunidade de transferência para outras áreas, conservando seus empregos. “Não concordamos nem admitimos a forma abusiva com que o banco vem tratando seus profissionais, ameaçados de demissão. O Mercantil tem obrigação de, pelo menos, analisar os perfis de cada trabalhador e tentar a transferência para outras áreas dentro da empresa”, afirmou.

Para Vanderci Antônio da Silva, também funcionário do Mercantil e diretor do Sindicato, o clima de terror que o banco provocou nas agências e em alguns departamentos é inadmissível. “O Sindicato tomará todas as medidas judiciais cabíveis. São fortes os indícios de que o processo de reestruturação nada mais é que um processo de demissão em massa baseado na busca por lucros cada vez maiores, o que causará um impacto social imenso na vida destes trabalhadores”, ressaltou.

Já Carlos Augusto Vasconcelos, que é funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato e da CUT-MG, explicou que a pressão dos trabalhadores garantiu avanços em um processo de reestruturação similar que ocorreu no Bradesco no início deste ano. “No caso do Bradesco, exigimos e conquistamos um acordo em que a o banco de comprometeu, pelo menos até o final de 2017, a manter o mesmo número de funcionários nas agências transformadas em PAAs. Entendemos que o Mercantil, mesmo guardadas as devidas proporções, tem plenas condições de garantir emprego e dignidade neste processo de reestruturação. Nossas alternativas de luta serão ações sindicais e judiciais para barrar as demissões em massa patrocinadas pelo banco”, afirmou.

Compartilhe: