Crédito: Agnaldo Azevedo

 

Em reunião realizada na tarde desta terça-feira, 13, em Brasília, o Sindicato participou da retomada do processo de negociação permanente com o Banco do Brasil. No encontro, as entidades representativas dos funcionários denunciaram problemas que ocorrem em todo o país em relação à compensação das horas de greve, pressões realizadas pela Diretoria de Pessoas (Dipes) e cobraram esclarecimentos sobre a implantação do Programa de Aprimoramento de Funcionários.

Foi apresentada ao banco a denúncia de que vários gestores de unidades do BB estão exercendo pressão sobre os funcionários, inclusive com ameaças de inquéritos administrativos baseados em uma instrução normativa editada após a assinatura do acordo coletivo. De acordo com relatos recebidos pelos sindicatos, os gestores que não aceitam realizar o assédio estão sendo pressionados pela Dipes, com ameaças de cancelamento de férias e processos administrativos.

De acordo com o diretor do Sindicato e funcionário do Banco do Brasil, Wagner Nascimento, que representa a Fetrafi/MG, os funcionários sempre foram orientados sobre o cumprimento do acordo assinado com os bancos para a compensação das horas de greve. “O que não aceitamos é que funcionários que fizeram greve tenham seus direitos ameaçados, como férias e folgas, ou ainda que sejam submetidos a uma absurda pressão com base em um acordo que, no entendimento dos sindicatos, foi bom para a categoria e os funcionários do BB”, afirma.

Na reunião, também foi apresentada a denúncia de que a Dipes tem cometido equívocos, como a suspensão da posse de funcionários e a mudança arbitrária nos códigos de ponto eletrônico de abonos já combinados, tema que motivou uma representação do Sindicato junto ao Ministério do Trabalho.

 

Programa de Aprimoramento dos Funcionários

O Sindicato também criticou o lançamento do Programa de Aprimoramento dos Funcionários do BB, que foi criado como uma nova ferramenta de treinamento do banco e substitui o programa anterior. Para o Sindicato, o novo programa se assemelha ao Treinet criado pelo Bradesco que obriga os funcionários a realizarem cursos fora do horário de trabalho devido às péssimas condições de trabalho das diversas unidades do banco.

O programa do Bradesco foi alvo de ação jurídica vitoriosa do Sindicato sendo que um funcionário recebeu horas extras pelos cursos online que realizou fora da jornada de trabalho.

Para Wagner Nascimento, “o novo programa apresenta ferramentas interessantes e prevê acesso a uma biblioteca que ainda não foi instalada. Sem essa ferramenta, nada mais é que uma nova forma de fazer o bancário trabalhar mais, uma vez que os cursos a serem feitos são sugeridos pelo banco. Além de outros problemas, o novo programa traz insegurança jurídica sobre o pagamento de horas extras fora do ponto eletrônico”, afirma.

O diretor ressalta também que o banco acabou com o programa de aprimoramento de pessoal que tinha verba de R$ 215 definida em campanha salarial. “O Banco do Brasil apresentou a verba anterior de R$215 e, um ano depois, acabou com o programa, criando este novo que, apesar da argumentação contrária do BB de que é de caráter voluntário, tem um público alvo e restringe a utilização aos cursos indicados pelo próprio banco”, explica.

 

Reestruturação da CSO e CSL

Na reunião, foram cobrados esclarecimentos do banco sobre a reestruturação já em curso do Centro de Suporte Operacional (CSO) e do Centro de Suporte e Logística (CSL), setores que centralizam trabalhos de retaguarda das agências. O Banco do Brasil se comprometeu, através da Dinop, a dialogar com os sindicatos e federações nos estados onde haverá mudanças.

A Dinop informou às entidades sindicais que nenhum prefixo será fechado. Durante o processo de mudança, haverá um aumento de unidades pelo país. Serão 17 regionais e 12 centros localizados em diversas unidades da federação e que o foco da reestruturação é qualificar os processos e as pessoas envolvidas.

Outra informação dada pela Dinop é que a reestruturação não é baseada em cortes orçamentários e que, por isso, o processo não será realizado de forma rápida, podendo se estender por uns dois anos.

As entidades reivindicaram mais transparência nos processos de reestruturação e que os trabalhadores, através de suas entidades, saibam com antecedência de tais mudanças que sempre afetam a rotina e estrutura de vida dos envolvidos.

 

Liberação para reuniões dos conselheiros da Cassi na ativa

Foi protocolado ofício ao BB reivindicando a liberação dos conselheiros dos Conselhos de Usuários da Cassi de todas as unidades do país, que estão lotados em agências e departamentos, para as reuniões mensais dos conselhos.

 

Jornada de 6 horas

Foi cobrado que o banco se reúna com as representações do funcionalismo para debater o novo plano de funções comissionadas de 6 horas antes da implantação até janeiro de 2013.

Posse dos novos funcionários

Após dar o exemplo da agência de Altamira, no Pará, onde falta funcionário na dotação e ampliação de vagas, e da necessidade de contratação de mais bancários em diversas regiões do país, foi cobrado que o banco acelere a chamada e posse de novos concursados.

 

Representante dos funcionários no Conselho de Administração do BB

Foi cobrada do banco uma mesa de negociação para definir o processo de eleição do representante dos funcionários e estabelecer calendário do processo eleitoral, atendendo à legislação em vigor.

 

Segurança bancária

As entidades denunciaram o processo de redução de vigilantes nas dependências do BB e o banco ficou de verificar a situação.

 

“Atos de gestão”

As entidades criticaram o banco e cobraram o fim dos descomissionamentos por “atos de gestão”. Os bancários conquistaram o direito às três avaliações no acordo coletivo e o banco tem criado subterfúgios para prejudicar e perseguir os funcionários. Os sindicatos seguirão defendendo os trabalhadores tanto com ações sindicais quanto com demandas judiciais.

 

PLR 2012

As entidades pediram ao banco que responda o ofício enviado pela Contraf-CUT há algumas semanas, cobrando esclarecimentos sobre o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do primeiro semestre de 2012, principalmente em relação ao Módulo Bônus, a fim de verificar se a abrangência do pagamento respeitou a série histórica.

O BB prometeu encaminhar uma resposta prestando os esclarecimentos solicitados.

 

 

Fonte: SEEB-BH com Contraf-CUT

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