Como desdobramento do Dia Estadual de Luta no Itaú, realizado no dia 26 de janeiro por sindicatos cutistas mineiros, o Sindicato se reuniu com a direção do banco, nesta quinta-feira, 2 de maio, na sede da entidade.

Representando os bancários, estiveram presentes diretores do Sindicato e da Fetrafi-MG/CUT. Já o Itaú foi representado pelo superintendente de Relações Sindicais Marco Aurélio e pelo gerente de Relações Sindicais Romualdo Garbos.

Fechamento de agências e demissões

Os trabalhadores cobraram uma posição do banco em relação ao fechamento de 11 agências na base de BH e região. O Itaú alegou que os fechamentos se devem à rentabilidade das unidades, mas que todos os funcionários serão realocados.

O Sindicato também questionou o banco sobre o número elevado de demissões, principalmente na área operacional. Os representantes da categoria apresentaram ao Itaú uma denúncia de um gestor que afirmou que, em sua área, estão sobrando mais de 30 caixas.

O Itaú assumiu que houve aumento no número de demissões, nos meses de fevereiro e março, mas alegou que não há nenhuma política de demissão em andamento. Segundo o banco, os desligamentos se deram por avaliações negativas. Ainda de acordo com o Itaú, a alegação de que sobram caixas na área operacional é uma inverdade que não deveria ser dita por um gestor.

Outro ponto importante abordado pelo Sindicato foi a perseguição a funcionários com mais tempo de banco e que estão perto da estabilidade pré-aposentadoria. O Itaú afirmou que não existe tal prática e que vai realizar um levantamento do quadro de pessoal de BH e região. O documento será encaminhado ao Sindicato para avaliação.

“Cobramos o fim das demissões e solicitamos que o banco reoriente a Superintendência sobre as avaliações dos funcionários. Bancários com apenas uma avaliação negativa estão sendo demitidos, sem ter ao menos chance de melhorar seus resultados. Além disso, é absurdo que funcionários com mais de 15 ou 20 anos de banco sejam desligados com a justificativa de que não se enquadram no perfil”, destacou Kennedy Santos, funcionário do Itaú e diretor do Sindicato.

O Sindicato denunciou também que vêm ocorrendo demissões de bancários que estão no Programa de Retorno ao Trabalho. Os trabalhadores ressaltaram que estes funcionários estão em processo de readaptação e não têm como serem avaliados por performance, nem cobrados por metas. Portanto, não tem sentido o banco demitir essas pessoas. Em relação à situação, o banco se comprometeu a levantar os casos na base do Sindicato para que isso não ocorra.

Diante deste cenário e dos desligamentos indevidos, os trabalhadores exigiram que as homologações voltem a ser realizadas no Sindicato, para que a entidade acompanhe as estatísticas relativas às demissões e garanta os direitos dos trabalhadores.

Realocações e transferências

Sobre realocações e transferências de funcionários, o Sindicato apresentou denúncias de bancários transferidos para agências afastadas de suas residências. Os trabalhadores destacaram que gestores vêm descumprindo a promessa antiga do Itaú de que, quando houver transferências, os bancários devem ficar perto de suas casas.

“Isso vinha acontecendo muito bem, mas alguns gestores não têm levado isso em consideração. Trata-se de saúde e bem-estar das pessoas e exigimos que o banco mantenha a sua palavra de alocar os trabalhadores perto de suas casas”, ressaltou o funcionário do Itaú e diretor do Sindicato Cléber Wolbert.

O Itaú afirmou que vai cumprir o acordo com o Sindicato e reorientar os gestores para que levem a distância em consideração quando bancários forem transferidos.

Cobrança de metas

Os representantes dos trabalhadores cobraram um posicionamento do Itaú em relação à meta do programa Agir. Apesar de a regra prever que os bancários atinjam 1.000 pontos, há gestores cobrando 1.300 pontos e, em departamentos que atendem clientes empresariais (Emps), 1.500 pontos.

O Itaú afirmou que esta não é a política do banco, mas sim uma prática é local e individual, e que vai cobrar que a área de Gestão reoriente os gestores.

Outro problema destacado pelo Sindicato é a cobrança de metas via WhatsApp. Bancários vêm denunciando constantemente à entidade que recebem mensagens dos gestores, todos os dias, nos celulares particulares e fora do horário de trabalho. Entre as mensagens, estão cobranças por produtividade, textos de motivação e até grupos que expõem e assediam os funcionários.

O banco afirmou que os gestores devem cumprir a Convenção Coletiva de Trabalho, que proíbe a cobrança por mensagens de celular em sua cláusula 39ª. Segundo o Itaú, a área de Gestão será orientada sobre a prática que vem ocorrendo na base do Sindicato.

“Exigimos que o banco cumpra o que foi assinado na nossa CCT. Tivemos uma denúncia formal, aqui no Sindicato, que foi apurada e o gestor punido. Não deixe, bancária e bancário, que essa pratica ocorra com você. Denuncie ao Sindicato! É um absurdo que gestores utilizem essa ferramenta para cobrar metas e assediar os funcionários”, afirmou Ramon Peres, que é funcionário do Itaú e diretor do Sindicato.

Gerentes operacionais

O Sindicato cobrou do Itaú solução imediata para a situação dos gerentes operacionais (GOs) que estão na Unidade de Serviço Operacional (USO) e têm que abrir unidades muitas vezes localizadas longe de suas casas. Com isso, chegam à agência e sequer têm tempo de conferir a tesouraria. Os representantes dos bancários questionaram, ainda, as transferências de GOs para a USO sem qualquer justificativa do banco aos funcionários afetados.

O Itaú afirmou que vai orientar a gestão sobre os problemas.

Retorno da licença-maternidade

Os trabalhadores questionaram o banco sobre denúncias de bancárias que, ao voltar da licença-maternidade, descobrem que não têm mais carteira de clientes. Os gestores alegam que há um período de dois meses para a readaptação, inclusive sem a cobrança de metas. O Sindicato destacou, porém, que as funcionárias ficam sem perspectivas, durante ou mesmo após esse período, o que tem gerado insegurança e instabilidade.

O banco afirmou que não sabia do fato e que vai informar a área de Gestão de Pessoas para que oriente os gestores.

Lei da guarda de chaves e senhas

O Sindicato cobrou do Itaú o imediato cumprimento da Lei 11.162/2019, sancionada pelo prefeito de Belo Horizonte em 1º de abril de 2019, que proíbe a guarda de chaves e senhas das agências por bancários.

O Itaú ainda não está cumprindo a legislação municipal e afirmou que verificará com a área de segurança o motivo da não implementação.

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, que participou da reunião, destacou que a entidade não mediu esforços para garantir a aprovação da lei, desde sua elaboração. “Nossa mobilização garantiu mais essa vitória, trazendo mais segurança a bancárias e bancários em Belo Horizonte. O Itaú tem obrigação legal e moral de cumprir o que determina a lei para garantir mais segurança aos seus trabalhadores”, afirmou.

Durante a reunião, o Sindicato também cobrou uma reunião com toda a equipe Comercial e Operacional do Itaú em Belo Horizonte e região. A entidade destacou que os problemas apontados são graves e precisam de solução imediata. Diante da cobrança, o banco afirmou que providenciará a reunião para breve.

“Bancárias e bancários estão unificados nessa luta com o Sindicato e estamos prontos para enfrentá-la. Nunca nos furtaremos de defender os direitos e conquistas que tivemos em décadas de mobilização. Essa reunião é fundamental para que possamos colocar na mesa os problemas que têm causado tanta indignação a trabalhadoras e trabalhadores de BH e região. Juntos somos fortes!”, afirmou o funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Ramon Peres.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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