Foto: Arquivo Sindicato

O Sindicato se reuniu com o Itaú nesta quinta-feira, 18, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG) em audiência sobre o Acordo Individual de Compensação de Jornada de Trabalho que o banco vem impondo aos seus trabalhadores. O Sindicato vem negociando a questão desde 2010, mas o Itaú se mostra irredutível e se nega a realizar uma acordo coletivo com a entidade.

O acordo individual imposto pelo banco prevê que a compensação de jornada de trabalho seja negociada com o gestor e que seja previamente planejada com o bancário. Porém, não é isso que vem acontecendo.

O funcionário do Itaú e diretor do Sindicato, Kennedy Santos, que esteve presente na reunião, afirmou que o Sindicato tem recebido inúmeras denuncias de bancários que chegam para trabalhar em seu horário habitual e, de repente, no meio do dia, recebem a ordem do gestor para ir para casa, pois estão com muitas horas extras para compensar. “Outras denúncias relatam ainda que bancários pedem para compensar as horas em dias escolhidos e simplesmente recebem um não. Que acordo é esse que só é bom para o banco?”, questionou.

Durante a audiência, o Itaú não apresentou qualquer proposta que pudesse reverter a situação à qual os bancários estão submetidos. O Sindicato cobra o fim do banco de compensação de horas feito de forma individual e o cumprimento da Cláusula 8ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2012/2013, que prevê que as horas extraordinárias sejam pagas com adicional de 50%.

Para o funcionário do banco e diretor do Sindicato, Ramon Peres, que também participou da reunião, “o banco insiste em descumprir a Convenção Coletiva de Trabalho, uma grande conquista da categoria e não restaram alternativas a não ser denunciá-lo ao Ministério do Trabalho”.

Ramon ressalta que o acordo não é bom para nenhum bancário, somente para o banco. “Sendo assim, o Sindicato não aceitará que ele continue prevalecendo. Os funcionários têm que fazer horas extras habituais, existem desvios de funções, falta de segurança e o banco ainda paga as horas extras através de compensação, desrespeitando a legislação. A hora extra feita tem que ser paga”, afirmou.

O Sindicato denunciou que a implantação do horário estendido em 22 unidades de trabalho do Itaú em Belo Horizonte e outras cinco em Betim, Contagem e Sete Lagoas obriga funcionários a fazerem horas extraordinárias com grande frequência . Além disso, os bancários acabam saindo muito tarde das agências, o que gera insegurança e prejudica a qualidade de vida.

Outro problema é o grande número de demissões, que leva os funcionários que ficam a acumular funções e sofrer mais pressões. Somente em 2012, o Sindicato contabilizou 320 desligamentos em sua base territorial.

A SRTE-MG deu prazo até 29 de julho data em que ocorrerá uma nova reunião, para que o banco se manifeste. Caso não haja acordo, a SRTE-MG promoverá ação de fiscalização nas agências para apurar a denúncia do Sindicato.

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