Foto: Adriano Machado / Reuters / Direitos reservados

 

Em solidariedade aos trabalhadores e às vítimas da tragédia da Vale, o Sindicato visitou unidades bancárias do município de Brumadinho nesta terça-feira, 6 de fevereiro. A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, e diretores da entidade percorreram agências de bancos públicos e privados para conversar com bancárias e bancários que trabalham na cidade.

No 13º dia de buscas na região, o número de mortos já chega a 150 e os desaparecidos somam 182 pessoas. Diante do desastre, causado pela ganância do modelo de mineração implantado no Brasil, muitas famílias já tentam aceitar o fato de que nunca encontrarão os corpos de seus entes queridos.

Entre as medidas já tomadas pelos bancos no município, e verificadas pelo Sindicato, estão a instalação de unidades móveis de bancos públicos e a flexibilização na cobrança de metas dos funcionários em bancos privados como o Itaú e o Bradesco. A CAIXA também está oferecendo condições especiais em operações de crédito e isenção de tarifas.

Além da agência que já existia em Brumadinho, a CAIXA instalou um caminhão-agência para reforçar o atendimento bancário. O banco criou, ainda, uma conta para doações. Os dados para depósitos são: Conta – 2808 / Operação – 013 / Conta poupança – 3-5 / CNPJ – 18.363.929/0001-40 (Juntos por Brumadinho).

Da mesma forma, o Banco do Brasil instalou uma agência móvel para reforçar o atendimento oferecido pela agência local, que não foi afetada. Uma conta corrente foi criada pelo BB para o envio de doações em nome da prefeitura local: agência 1669-1, conta 200-3 (SOS Brumadinho), CNPJ 18.363.929/0001-40.

“O Sindicato continuará acompanhando a situação dos moradores de Brumadinho e apoiando os trabalhadores bancários lotados no município, que não medem esforços para atender as necessidades da população neste momento tão difícil”, afirmou a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil.

Reforma trabalhista prejudica famílias atingidas

A reforma trabalhista trouxe, entre seus ataques aos direitos dos trabalhadores, um limitador para as indenizações trabalhistas com base nos salários das vítimas.

No caso de Brumadinho, as famílias de trabalhadores que recebiam menos teriam direito a indenizações menores que aqueles que ganhavam mais, mesmo tendo sofrido exatamente o mesmo dano.

A situação absurda está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Conforme a entidade, as normas em vigência prejudicam o trabalhador, além de estarem em desconformidade com o dever constitucional de reparação integral do dano.

Risco de surtos de doenças infecciosas

Como se não bastassem os danos irreparáveis já provocados, com a perda de centenas de vidas e a degradação do meio ambiente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou, em um estudo, que são esperados surtos de doenças infecciosas na região, como dengue, febre amarela e esquistossomose.

Além disso, espera-se um aumento na incidência de problemas crônicos, como pressão alta, diabetes, quadros respiratórios e até de doenças psiquiátricas, como ansiedade e depressão.

Entre as causas, estão o estresse causado pelo rompimento, o sofrimento com a perda de entes queridos e amigos, o contato com a lama, a interrupção do fornecimento de água e a dificuldade de chegar aos postos de saúde e receber medicamentos.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Rede Brasil Atual e Agência Brasil

 

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