Foto: Alessandro Carvalho

 

O cenário pós golpe de 2016 foi foco das análises de conjuntura realizadas pelo deputado estadual André Quintão e pela presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, na manhã deste sábado, 26, na Conferência Estadual. Os convidados falaram aos bancários sobre a interrupção do projeto de desenvolvimento com inclusão social no Brasil e os desafios que o atual momento impõe.

Segundo André Quintão, a Constituição de 1988 surgiu para a construção de um Estado de bem-estar social, mas sua implantação foi atrasada por governos de tendência neoliberal.

“Já a partir do governo Lula, o país começou a implementar um modelo de desenvolvimento com inclusão, que passou pelo aquecimento da economia com um processo redistributivo, a criação de programas sociais, o fortalecimento de bancos públicos, a recomposição do salário mínimo, entre vários outros. Além disso, o Brasil assumiu papel de protagonismo e liderança na América do Sul, na América Latina e na construção do bloco do BRICS”, explicou André.

O deputado destacou que o golpe de 2016, com a derrubada de Dilma Rousseff, veio com o objetivo de interditar este modelo de desenvolvimento, que pressupõe a inclusão social por meio da maior presença do Estado. Após o impeachment, surgiram desdobramentos perversos, que passam pela emenda 95, que congela investimentos por 20 anos, a reforma trabalhista, o desmonte dos bancos públicos e a entrega do petróleo às multinacionais.

Estas medidas acabaram por interditar um processo de emancipação geracional. Isto pode ser percebido no aumento da população de rua, no crescimento do desemprego, na volta do Brasil ao mapa da fome e no aumento da evasão escolar por exemplo.

“O momento é de impasse, mas também de luta. Temos que resistir aos retrocessos e colocar nossa agenda, conectada com uma leitura da realidade para que se possa fazer diferente e melhor. Temos que combater intolerância, seja racial, homofóbica, machista ou religiosa. Esta agenda passa também por derrubar a emenda que congela investimentos, alterar a reforma trabalhista, realizar uma verdadeira reforma política, a reforma tributária, as reformas urbana e agrária. O que sair desse momento político vai determinar a vida de gerações. Na crise, na democracia fraca, quem mais sofre são os pobres e as pessoas mais desprotegidas. Portanto, este é um desafio ético para todos nós”, afirmou André Quintão.

Foto: Alessandro Carvalho

 

A presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, destacou que a derrubada de Dilma Rousseff também teve como grande componente a disputa pelos recursos naturais brasileiros. “O Brasil reúne grandes reservas de água, terras férteis e petróleol”, afirmou, explicando que o país ficou ainda mais visado pelos golpistas quando as reservas do pré-sal foram descobertas.

Para Beatriz, o golpe foi dado contra os trabalhadores e para que a agenda de reformas neoliberais pudesse ser implantada.

“Mesmo com toda a rejeição, o governo Temer não se importa em implantar essas medidas pois não foi legitimado pelo voto. Com a reforma trabalhista, destruíram em apenas 6 meses leis construídas pelo acúmulo de lutas de 70 anos. Isto sem que fosse feito qualquer debate com a sociedade e impedindo que as entidades representativas dos trabalhadores participassem do debate por meio do discurso de que se tratava apenas da contribuição sindical”, ressaltou a presidenta da CUT-MG.

Neste sentido, Beatriz também ressaltou que a direita se utiliza do falso “combate à corrupção” para desestabilizar governos democráticos e populares em diversos países, para desmoralizar a esquerda e também para colocar a opinião pública a favor das privatizações.

“Temos que entender que nossa luta é de longo prazo e não cabe em apenas uma campanha salarial. Sozinhos seremos derrotados e, por isso, precisamos nos reunir em frentes para que possamos fazer uma luta de classe junto a outros grupos sociais. A disputa de narrativa na sociedade é fundamental neste momento de crise, que também apresenta oportunidades. Além disso, temos que eleger um presidente comprometido com nossas causas e disputar o parlamento para dar sustentação a um governo verdadeiramente popular”, afirmou Beatriz.

 

Compartilhe: