Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini

 

Como a chamada reforma trabalhista não exige mais a homologação no sindicato dos trabalhadores, as empresas já estão aproveitando as novas regras: fazem a demissão e apresentam as contas rescisórias de acordo com que acham que está certo. Ao trabalhador, sem ter como contestar os valores, cabe apenas assinar os documentos.

Porém, os representantes dos trabalhadores alertam que as contas dos empresários apresentam muitos erros, como documentos incompletos, cópias de documentos pertencentes a outro funcionário, lacunas no recolhimento do fundo de garantia, entre outros. Por isso, o Sindicato, por meio de seu Departamento Jurídico, já está atuando para atender os funcionários no momento da rescisão. Saiba mais aqui.

No setor financeiro, o Itaú já anunciou que não mais fará as homologações nos sindicatos, assim como o Banco do Brasil. Os trabalhadores e seus representantes já realizaram protestos contra a medida e querem que o banco reveja a decisão. No dia 1º de fevereiro, agências e departamentos do Itaú sofreram paralisações e o banco chegou a emitir comunicado aos gerentes informando que as ações do movimento sindical interromperam os serviços realizados pelas centrais de atendimento.

Além do fim das homologações nos sindicatos, a nova legislação trabalhista já traz outros prejuízos aos trabalhadores.

Outros prejuízos da reforma

Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), alerta que, com base em dispositivos da nova legislação trabalhista, os bancos já colocaram em prática outras medidas que prejudicam os trabalhadores. Entre elas, a troca de horas extras por banco de horas, almoço de 30 minutos e férias divididas em três períodos. Um exemplo é o Santander, que também já foi alvo de protestos.

“Os bancários que queriam dividir suas férias em três vezes num determinado ano, achavam que poderiam tirar as férias completas nos anos seguintes e nós os alertamos que a decisão não seria do trabalhador. Agora, eles já estão vendo isso acontecer”, observou o presidente da Contraf-CUT.

Convenção Coletiva

A Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários vale até agosto e a previsão é que as negociações com os bancos neste ano serão muito duras.

“Vai ser talvez a campanha mais difícil dos últimos anos. Vamos ter que revisar uma Convenção toda lastreada em questões que estão reformadas pela nova posição que existe hoje em relação ao direito do trabalho”, avaliou Roberto von der Osten.

Apesar das perdas com a reforma trabalhista, os trabalhadores acreditam que é possível reverter os danos. “Nós somos a maioria. Nas próximas eleições, temos que eleger candidatos comprometidos com a classe e colocar novamente estas questões em debate. Aí sim, à luz da racionalidade, avaliando qual é qual artigo da CLT que tem que ser reformado, avaliaremos se é realmente preciso tirar direitos dos trabalhadores, ou se o empregador é quem deve aumentar sua parcela de contribuição”, afirmou o presidente da Contraf-CUT.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT e TVT

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