Na manhã deste sábado, 29 de julho, delegadas e delegados retomaram os debates da 19ª Conferência Nacional com a aprovação do regimento interno do evento e a realização de um painel temático sobre conjuntura nacional e internacional.

Participaram do debate o presidente da CUT, Vagner Freitas, o secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da Confederação Sindical das Américas, Rafael Freire Neto, o diretor da CTB, Augusto Vasconcelos, e o coordenador da Intersindical, Edson Carneiro (Índio).

Destacando a crise que atinge todo o planeta, o presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que o mundo não consegue mais suportar a quantidade de miseráveis que o capitalismo vem criando. Para Vagner, a implementação de políticas neoliberais tem um caráter de imposição e brutalidade, pois os governos não conseguem vencer a disputa democrática com seus argumentos.

“Por isso, temos um campo fértil para discutir com a sociedade e mostrar que o resultado do golpe contra Dilma é ruim para todos. Um exemplo é a reforma da Previdência, que muito além de atacar diretamente as aposentadorias, pode destruir municípios brasileiros. Foi a política de valorização do salário mínimo e o fortalecimento da previdência que permitiram a estes municípios fazer políticas públicas”, explicou o presidente da CUT.

O enfrentamento e a brutalidade do grande capital em todo o planeta surgiram também a partir da criação de novos blocos econômicos, nos quais o Brasil assumiu protagonismo. “É o caso dos Brics, por exemplo, que busca estabelecer novas regras mundiais, inclusive propondo que o dólar não seja mais o lastro no comércio, assim como a criação de um banco alternativo ao FMI e aos bancos internacionais”, afirmou Vagner.

No Brasil, sob o governo golpista de Temer, o objetivo é mudar completamente o papel do Estado. Segundo Vagner, “o golpe busca atacar direitos e a soberania nacional, com a venda das terras, com a quebra da economia brasileira e com a entrega da Petrobras. Por isso, temos que construir um projeto nacional de desenvolvimento, focado na mobilização da base, na conscientização da população, na luta do dia a dia”.

Em sua análise sobre conjuntura, o secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da Confederação Sindical das Américas, Rafael Freire Neto, também falou aos delegados e delegadas sobre a crise e traçou um panorama da política na América Latina nos últimos anos.

“Esta terceira onda neoliberal que se agora se fortalece vem atacando valores que foram conquistados após a segunda guerra mundial. Ela tem duas fortes características, que são o ataque à democracia e um ataque brutal aos direitos e às liberdades. Neste cenário, escancarado pelos golpes que ocorreram na América Latina, nossa democracia está ameaçada”, afirmou Rafael.

O que está em curso é, na realidade, o deslocamento o deslocamento do poder dos estados nacionais para os grandes grupos econômicos. De acordo com Rafael, em 2017, dados apontam que apenas oito pessoas detêm a mesma riqueza que mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a situação também é alarmante: seis pessoas concentram a mesma riqueza de 100 milhões de brasileiros.

Para Rafael, se o problema envolve diversos países, a resposta também deve se internacionalizar. “Temos que pensar de forma regional, pois sozinhos no Brasil não conseguiremos enfrentar essa onda. É preciso debater uma estratégia conjunta para o próximo período e estamos desafiados a não permitir que nosso país seja o organizador deste grande retrocesso na América Latina”, destacou.

Durante o painel, o diretor da CTB, Augusto Vasconcelos, também falou sobre o cenário global e a crise do capitalismo. Para ele, o golpe no Brasil faz parte deste plano internacional do mercado financeiro. “Quando as agências de risco, no período pré-golpe, ameaçaram tirar o grau de investimento do Brasil, elas realizaram uma grande chantagem para que o país mudasse sua política econômica. Elas mostraram que poderiam tramar um ataque especulativo para destruir nossa moeda e promover a maior fuga de capitais da história”, explicou.

Augusto destacou que a tendência da crise no Brasil é de piora, já que as medidas do governo Temer apenas aprofundarão a recessão. Por isso, é fundamental que a categoria bancária reúna condições para resistir ao cenário adverso.

Já o coordenador da Intersindical, Edson Carneiro (Índio), afirmou que é importante que a classe trabalhadora brasileira construa uma correlação de forças que passa pelo enfrentamento político ao grande capital. Para isto, é necessário reduzir drasticamente a taxa de juros, além de combater as reformas e o desmonte impostos por Temer.

“Nossa Conferência Nacional tem uma importante tarefa. Nossa categoria tem responsabilidade de sair destes debates com uma estratégia para colocar travas para o avanço do trabalho precário”, afirmou Índio.

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