Bancárias e bancários deram início à sua 22ª Conferência Nacional, na noite desta sexta-feira, 17, destacando a importância da luta política e da defesa da democracia para garantir direitos e um país com justiça social. O evento ocorre virtualmente e conta com a participação de 635 delegados e delegadas de todo o Brasil.

Para conversar com os bancários e discutir o atual contexto, fizeram parte da mesa de abertura o ex-presidente Lula, o economista e sociólogo Fernando Haddad, o governador do Maranhão, Flávio Dino e o professor e ativista político Guilherme Boulos.

Os trabalhadores chamaram atenção para os desafios impostos pela atual crise sanitária e econômica. Neste sentido, a unidade e a organização são fundamentais para preservar as conquistas da categoria e construir mais uma Campanha Nacional vitoriosa, assegurando a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a mesa única de negociação e o papel social dos bancos públicos.

“Realizaremos nossa Campanha Nacional sob um governo de extrema direita que, antes mesmo de socorrer as pessoas, protegeu o sistema financeiro. Mesmo na pandemia, o governo Bolsonaro tem falado na privatização dos bancos e na entrega de setores estratégicos do país. A nossa força é a nossa unidade, que se expressa nesta abertura com a participação de representantes de diversas forças políticas. No cenário em que faremos nossa Campanha, estamos colocando a defesa dos bancos públicos, da soberania nacional e da democracia como pautas primordiais”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, a conjuntura atual exige que a Campanha Nacional dos bancários seja também um momento de discutir caminhos para o Brasil. “Em toda campanha, é importante obter vitórias econômicas. Mas, em uma conjuntura como a que vivemos, não podemos aceitar estar sob um governo autoritário e de desmandos, que está levando o país para uma crise social sem precedentes. Se queremos um Brasil com democracia, liberdade, crescimento econômico e justiça social, temos que pedir Fora Bolsonaro e seu governo genocida”, destacou.

Enfrentamento à crise

O professor Guilherme Boulos, que coordena o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), criticou o atual governo federal e o descaso com a população brasileira. “Temos uma crise sanitária e uma crise política de grandes proporções. Vivemos, também, uma crise econômica e social. O que vai ficar é um cenário devastador e de perda profunda de empregos. Estamos falando de uma precarização da vida, de miséria, que pode levar o Brasil a uma convulsão social. O governo Bolsonaro é desastroso na saúde pública e também nas medidas sociais e econômicas”, reforçou.

Para Boulos, todas estas crises simultâneas se resumem em uma crise de destino, de modelo de desenvolvimento e de valores. O professor ressaltou que o cenário de pandemia mostra a falência do modelo que coloca o mercado como grande regulador.

“Precisamos tirar lições e aprendizados desse processo. A pandemia mostrou o papel dos bancos públicos no Brasil. Sem eles, o país não conseguiria sequer pagar o auxílio emergencial. Está aí expresso como a lógica que coloca o lucro acima da vida leva à perversidade e à destruição social”, afirmou Boulos.

Como um caminho de superação deste cenário, o coordenador do MTST destacou que é preciso salvar vidas e defender medidas para tal, é preciso construir políticas públicas de proteção às pessoas e é preciso derrubar o atual governo. “Bolsonaro é incorrigível e criminoso, atenta contra a vida das pessoas e atenta contra a democracia”, disse. “Temos que apresentar um projeto de futuro, temos que permitir que o nosso povo possa sonhar e apresentar um projeto de uma verdadeira revolução solidária no nosso país”, concluiu Boulos.

Importância da mobilização

O ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, também analisou o atual cenário e os riscos que o governo representa para as instituições, especialmente com a escalada da militarização.

“Estamos diante de um mal governo que tem a intenção de solapar as bases constitucionais construídas na redemocratização e que garantem que possamos lutar por direitos com igualdade. Não podemos ter ilusões sobre a natureza do governo Bolsonaro. As instituições estão sendo minadas todos os dias por dentro, processo que já assumiu uma fase aguda no dia da reeleição de Dilma”, destacou.

Haddad afirmou que é preciso compreender que a sociedade não está parada diante destes desmandos autoritários e citou como exemplos importantes movimentos, como o de estudantes e professores em defesa do orçamento da educação e a mobilização das torcidas organizadas antifascistas.

“Vai chegar um momento em que teremos também que defender na rua os bancos públicos e seu papel central, sem o qual o Brasil não tem chance de sobreviver. É um momento muito delicado e o governo não vai parar. Temos que confiar na sociedade, que mostrou capacidade de reação, e confiar na nossa capacidade de mobilização. Bancários são exemplo de garra e luta para o nosso país e temos que estar mais juntos que nunca para defender o Brasil”, ressaltou Haddad.

O governador do Maranhão, Flavio Dino, também reforçou a importância da mobilização social para defender a democracia como um valor e o Estado como um provedor de direitos.

“Você pode ter o mapa, um rumo, ter a tripulação, mas é preciso ter energia para que o barco ande. Temos que ter energia para romper com o individualismo, com o consumismo. Temos que resgatar a confiança dos mais pobres, compartilhando com eles a caminhada, não apenas representando-os. Bolsonaro e o bolsonarismo vão perder. Celebro esta união em nome da esperança e da luta do povo brasileiro”, afirmou Dino.

Luta política e por direitos

O ex-presidente Lula também falou aos participantes da 22ª Conferência Estadual sobre as várias crises enfrentadas hoje pelos brasileiros. Ele criticou a condução irresponsável do atual governo durante a pandemia.

“Ao invés de fazer o papel de um presidente, de coordenar os governadores, prefeitos, deputados e secretários da saúde, reger a orquestra com maestria e harmonia, Bolsonaro preferiu brincar. E ele não está pensando em salvar a economia, porque ele não entende nada de economia”, explicou Lula.

Para o ex-presidente, só será possível superar a crise com um presidente que tenha empatia e que pense realmente no povo. “Estamos subordinados a este cidadão, que não pensa nos empregos. Quando ele manda as pessoas voltarem ao trabalho, ele precisa também dizer que o poder público vai garantir a segurança nos locais de trabalho, vai oferecer auxílio às micro, pequenas e médias empresas”, destacou.

“É importante que os bancários lembrem que não estamos fazendo críticas ao Bolsonaro por ele ser presidente, mas porque ele não tem competência para governar e não tem uma solução para os problemas. Parece que estamos perdendo o direito de ficar indignados. É preciso indignação em respeito ao nosso país”, afirmou o ex-presidente.

De acordo com Lula, a luta sindical e em defesa dos direitos da categoria deve estar unida à luta política, pois não há como superar as crises com o atual governo. “A categoria bancária tem um papel importante na história. Vocês vão ter que misturar a luta política com a luta reivindicativa de vocês. Não é possível consertar o Brasil se não consertarmos a política. Esse homem está praticando um verdadeiro genocídio. Ele é a grande crise que estamos vivendo hoje”, destacou. “Nós temos que vender esperança para o povo e a esperança é mudar o atual governo”, concluiu Lula.

Veja a abertura da Conferência Nacional na íntegra na TV Contraf:

 

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região

 

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