O desmonte de empresas públicas promovido pelo governo Temer foi a pauta do segundo painel da Conferência Nacional neste sábado, 9 de junho. Com a presença de um professor de Ciências Econômicas e representantes dos trabalhadores da CAIXA, do Banco do Brasil, da Petrobras e da Eletrobrás, os delegados debaterem a importância da luta em defesa do patrimônio do povo e da soberania nacional.

A presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, participou da composição da mesa e saudou os participantes do evento, destacando a importância dos painéis para a formação da categoria e a organização da luta.

Iniciando o painel, o professor Antônio José Alves Junior, que leciona Ciências Econômicas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ressaltou a importância histórica dos bancos públicos no Brasil. Estas instituições fazem parte de um conjunto de políticas econômicas que são fundamentais para garantir o desenvolvimento econômico e social do país.

Citando o exemplo da crise internacional de 2008, Antônio explicou que os bancos públicos tiveram papel de protagonismo com a ampliação do volume de crédito no período. “Estes bancos, aumentando a oferta de crédito, impediram que a economia brasileira fosse paralisada. Além disso, indiretamente, ajudaram até mesmo os bancos privados, evitando uma crise de crédito e de inadimplência”, afirmou.

Porém, o cenário pós-golpe de 2016 é alarmante. A política entreguista e neoliberal do governo Temer vem modificando a política operacional dos bancos públicos, aproximando-os do modelo dos bancos privados.

Sob a justificativa da otimização e da racionalização, o que vem ocorrendo é a redução no número de agências e de postos de trabalho na CAIXA e no Banco do Brasil. “Até entendemos quando o setor privado usa este discurso. Porém, quando o setor público começa a funcionar com a mesma lógica, a coisa é mais preocupante. Atualmente, os bancos públicos estão abrindo mão de desempenhar seu papel social em nome dos lucros econômicos”, alertou o professor.

O presidente da Fenae, Jair Ferreira, também destacou a importância destes bancos para o desenvolvimento do país. A CAIXA, por exemplo, é responsável por até 95% do financiamento habitacional em alguns estados brasileiros, preenchendo uma lacuna gerada pelo desinteresse dos bancos privados.

Porém, este importante papel está em risco diante de ataques que a CAIXA vem sofrendo. Se, de 2003 a 2014, o banco dobrou o número de empregados, agora ele segue em sentido contrário. Em 2014, a CAIXA contava com 101 mil empregados. Já hoje, este número é de 87 mil.

Alertando os trabalhadores para as tentativas de abertura de capital do banco, que o governo Temer insiste em aprovar por meio do Conselho de Administração da CAIXA, Jair afirmou que a Campanha Nacional deste ano deve se politizar para reverter o desmonte.

“Nossa Campanha terá diversos temas. Mas é importante que todos os trabalhadores entrem no debate não apenas sobre cláusulas econômicas, mas também sobre que tipo de país queremos após as eleições. Se for mantido o atual modelo, nós somos candidatos a ser extintos. Sem a presença das empresas públicas, dos bancos públicos, teremos uma sociedade pior que a que temos hoje. O que está em jogo é a destruição do Estado de bem-estar social no Brasil, e não podemos permitir que isso aconteça”, afirmou o presidente da Fenae.

O representante dos funcionários do Banco do Brasil no Conselho de Administração (Caref), Fabiano Felix, também falou aos bancários sobre a luta em defesa do patrimônio público. Para ele, a política adotada pelo ex-presidente Lula, que utilizou os bancos públicos para promover o desenvolvimento do país, foi exitosa e é comprovada pelos dados do período.

Destacando também a importância das eleições deste ano, Fabiano chamou a categoria a votar pela retomada democrática. “Todos nós que fazemos a luta temos a obrigação de conversar com os colegas sobre o futuro do país. Temos que eleger um presidente que tenha capacidade de dialogar com nossas pautas. Temos que retomar o Brasil para os brasileiros”, ressaltou.

O conselheiro eleito também afirmou que é preciso lutar contra a burocracia interna nas estatais brasileiras, que penaliza os trabalhadores, além de quebrar o paradigma de que empresas públicas devem priorizar o lucro financeiro, deixando de lado seu papel social.

Petrobras

A coordenadora-geral do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, Cibele Vieira, também participou dos debates e falou aos participantes da Conferência sobre a estratégia de desmonte adotada pelo governo Temer na Petrobras, atendendo a fortes interesses do mercado internacional.

“Muito do que passamos hoje na Petrobras se deve ao fato de ela ser uma sociedade anônima, tendo que atender a interesses de acionistas. Temos que defender este patrimônio dos brasileiros, que nasceu fruto da mobilização popular por meio da campanha ‘O Petróleo é Nosso’”, afirmou Cibele.

A petroleira explicou também que a atual política de preços faz parte de um conjunto de ações que visam desmontar a empresa por dentro para beneficiar o setor privado e interesses internacionais. “Muitos não sabem o tamanho do nosso pré-sal, que nos coloca entre os três maiores do mundo. Temos mais petróleo que o Iraque e que o Irã. Quando se fala que há disputas pelo petróleo nesses países ninguém duvida. Porém, não acreditam que essas disputas também ocorrem no Brasil”, destacou.

Cibele fez um panorama dos últimos anos na Petrobras, da mudança do modelo de partilha para o modelo de concessões e também dos ataques sofridos pela empresa sob a justificativa do combate à corrupção, que chegaram a estagnar a economia brasileira.

Para a petroleira, a Petrobras atua para sabotar seu próprio mercado e beneficiar empresas concorrentes. “A exploração já está sendo leiloada e abriram o capital da BR Distribuidora. Agora, estão vendendo refinarias. Se for quebrado o refino, eles desmontam a cadeia por dentro e será uma questão de tempo para que a Petrobras seja inteiramente privatizada, com a concretização do desmonte do sistema”, explicou.

Encerrando sua fala, Cibele criticou também a atual política de preços implantada por Pedro Parente, que prejudica a própria empresa e não faz sentido, já que a Petrobras conta com uma cadeia completa de exploração, refino e distribuição no Brasil.

Eletrobrás

Para falar sobre o setor elétrico brasileiro, o painel contou com a participação de Esteliano Pereira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (SINERGIA-CUT).

O trabalhador explicou a delegadas e delegados que o setor elétrico brasileiro foi relegado por governos anteriores, chegando ao absurdo apagão da era FHC. Já nos governos Lula e Dilma, diversas ações permitiram a expansão das linhas de transmissão e o desenvolvimento regional, com a retomada do planejamento setorial e investimentos em infraestrutura.

Porém, após o golpe e a chegada de Temer ao poder, houve a redução do espaço de participação social, a precarização, cortes de postos de trabalho, aumento de tarifas e a ameaça da privatização da Eletrobrás.

“Nada disso vai mudar se não mudarmos o nosso congresso e se Lula não for solto. Temos que lutar em defesa das nossas empresas públicas e da volta da democracia no Brasil”, afirmou Esteliano.

 

Compartilhe: