Foto: Alessandro Carvalho

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Defender o que é público, é defender a cidadania e os direitos do povo brasileiro. Este foi o recado deixado durante o lançamento da campanha “Se é público, é para todos”. O evento foi realizado na sede do Sindicato na noite desta quinta-feira, 24, e reuniu trabalhadoras e trabalhadores para debater a importância da defesa das empresas e dos bens públicos do Brasil.

Para realizar a exposição sobre o tema, estiveram presentes o cientista político Emir Sader e a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano. Além disso, a mesa foi composta pela presidenta da CUT-MG, Beatriz Cerqueira, pela presidenta da Fetrafi-MG/CUT, Magaly Fagundes, pelo diretor do Sindipetro-MG, Leopoldino Martins, e pelo vice-presidente da Fenae, Cardoso.

Em suas falas, os presentes destacaram que é fundamental que a campanha “Se é público, é para todos” vá para além dos movimentos sindical e social, conscientizando toda a população sobre a importância da resistência contra os ataques aos direitos e ao patrimônio do povo. Os trabalhadores alertaram que o atual momento é de ruptura democrática e que se pretende alterar o modelo de Estado do Brasil, privilegiando o que é privado sobre aquilo que é de todos.

Para Rita Serrano, que coordena o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, é preciso vencer a visão hegemônica de que tudo o que é público ou coletivo é ruim. “É preciso chamar a atenção da sociedade pois tudo está em jogo, não apenas a privatização das empresas públicas. A PEC 55 nada mais é que o congelamento dos investimentos durante 20 anos, o que vai acarretar perdas terríveis em áreas essenciais como a educação, a saúde, a previdência e a assistência social. Além disso, a CAIXA e o BB já anunciam cortes de empregos e fechamento de agências. E foram estes bancos públicos que geraram melhoria na qualidade de vida para a população nos últimos anos”, explicou.

Já o cientista político Emir Sader lembrou que o que é público é democrático e diz respeito ao cidadão, enquanto o privado é para poucos. “Quando querem concentrar renda, expropriam os direitos das pessoas. Querem diminuir direitos para aumentar as mercadorias. Escolas privadas substituindo a educação pública, os planos de saúde substituindo o SUS. E as políticas sociais estão também intimamente ligadas aos bancos públicos. Tanto bancários quando os beneficiários destas políticas são vítimas destas medidas antipopulares baseadas na política neoliberal”, afirmou.

Para a presidenta do Sindicato, Eliana Brasil, a unidade e a mobilização serão as armas da classe trabalhadora para enfrentar estes ataques. “A defesa do que é público deve ser uma bandeira de todas e todos nós que desejamos um país mais justo, com desenvolvimento social, com igualdade e distribuição de renda. Agradecemos a presença de todos e seguiremos reforçando nossa mobilização em defesa dos trabalhadores e de nossos direitos”, destacou.

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Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas

O Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, responsável pela elaboração da campanha, foi criado em consequência da luta contra o Projeto de Lei do Senado 555, que viria a se tornar a lei de Responsabilidade das Estatais (Lei 13.303, sancionada em 30 de junho de 2016). A mobilização garantiu importantes avanços no conteúdo da lei, defendendo o patrimônio dos brasileiros.

Diversas ações contra privatizações e desmonte de serviços públicos também vieram se somar à atuação do Comitê, do qual participam as centrais sindicais CUT, UGT, CTB, Nova Central, Conlutas e Intersindical, representando centenas de categorias de trabalhadores de todo o país.

Em Minas Gerais, em março de 2016, foi realizado também o lançamento do Comitê Estadual em Defesa das Empresas Públicas. A cerimônia ocorreu na sede do Sindicato dos Bancários de BH e Região e contou com a presença de representantes de diversas categorias, como os bancários, auditores fiscais, petroleiros e metroviários, além de estudantes e outros movimentos sociais.

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