Em 28 de abril, é celebrado o “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho”. Neste ano, o tema escolhido pelos trabalhadores para as mobilizações é “Trabalho Decente = Saúde do Trabalhador. Não pode haver trabalho decente com retirada de direitos” e trabalhadores reforçam as manifestações contra o PL 4330 e outras propostas em debate que ferem os direitos dos trabalhadores.

Além das manifestações, a CUT e outras centrais se reúnem, nesta terça-feira, com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para debater o projeto de lei que precariza as relações de trabalho.

A terceirização tem sido um instrumento usado pelos empresários para aumentar o seu ganho de produtividade à custa da saúde dos trabalhadores. Usando o falso discurso de modernização das relações de trabalho, os patrões têm exposto trabalhadores a doenças, acidentes e mortes no trabalho.

Consequências da terceirização no setor bancário

A categoria bancária pode ser uma das mais afetadas caso o projeto da terceirização não seja derrubado. Devido ao ritmo intenso de trabalho e metas abusivas, os bancários estão entre os trabalhadores que mais adoecem no país, sendo vítimas de lesões por esforços repetitivos e problemas psíquicos, dentre outros.

O último anuário estatístico da Previdência Social, de 2013, aponta que, naquele ano, 13.849 bancários foram afastados do trabalho em função de acidentes e doenças ocupacionais. Entre as causas, estão transtornos mentais e ocupacionais, Lesões por Esforços Repetitivos e dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/Dort), lesões de causas externas e tumores.

Com a aprovação do PL 4330, a situação dos trabalhadores dos bancos pode ficar ainda pior. A terceirização sem limites permitiria que os bancos negligenciem ainda mais a legislação voltada à saúde do trabalhador, além de aplicarem maior intensidade no trabalho, com jornadas muito mais extenuantes. Atualmente, as estatísticas oficiais já apontam que, para cada 10 acidentes com vítimas fatais no trabalho no Brasil, 8 ocorrem com trabalhadores terceirizados.

Os terceirizados também ganham em média 24% menos e a maioria não recebe PLR, nem vale-alimentação ou refeição. No caso do ramo financeiro, ao invés de 6h por dia, trabalham 8h, incluindo sábados e também domingos. E isso poderá atingir um contingente cada vez maior de trabalhadores, caso o enquadramento sindical mude para os atuais bancários.

MPS 664 e 665

Entre outras bandeiras de luta, os trabalhadores também protestam, neste dia 28, contra a edição das medidas provisórias 664 e 665, que alteraram diretos históricos da classe trabalhadora, como o seguro-desemprego e o auxílio-doença.

A MP 664, por exemplo, permite a privatização das perícias médicas, principalmente as perícias acidentárias, que objetivam a investigação da relação do nexo de causalidade com o trabalho. Isto acarreta grandes perdas aos trabalhadores e à própria Previdência Social.

Para se tornarem leis definitivas, as medidas provisórias precisam ser votadas até o dia 1º de junho no Congresso Nacional. Até lá, os trabalhadores manterão firme a mobilização contras as mudanças que representam prejuízo aos direitos conquistados.

Segundo estudos do Dieese, o Brasil já teve cerca de 1 milhão de trabalhadores bancários, número que atualmente está reduzido pela metade. Hoje, o bancário trabalha sobrecarregado devido à falta de pessoal e ainda é obrigado a conviver com a ameaça da terceirização e a constante introdução de novas tecnologias que colaboram para eliminar postos de trabalho.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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