Joseph Stiglitz (Foto: Aquiles Lins)

 

Conhecido por seu trabalho sobre distribuição de renda, governança corporativa, políticas públicas, macroeconomia e globalização, o economista e prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, acredita que não se pode ter uma economia bem-sucedida sem um setor financeiro que funcione bem, com trabalhadores críticos e organizados.

Em evento virtual organizado pela Uni Finanças, Stiglitz falou sobre os desafios apresentados pela pandemia do novo coronavírus. “Os trabalhadores e os sindicatos devem atuar para impulsionar a transição para uma economia mais sustentável, que invista nas pessoas, nos serviços públicos e na comunidade”, afirmou.

Stiglitz destacou a importância da atuação dos sindicatos, notadamente nesse período da pandemia, observando que, em áreas dos EUA onde havia sindicatos fortes, havia mais equipamentos de proteção individual e a doença não se disseminou tão rapidamente. “Essas experiências bastam para mostrar a importância, o papel crítico que os sindicatos desempenharam na gestão da crise sanitária”, ressaltou.

O economista falou, ainda, sobre o comportamento de multinacionais que se aproveitam e rebaixam ainda mais os salários. “Esse é o momento em que os sindicatos são mais necessários do que nunca. Tornar os trabalhadores conscientes do que está acontecendo deveria fortalecer a filiação aos sindicatos. São exemplos importantes do que acontece na ausência da proteção sindical”, afirmou.

Joseph Stiglitz avalia que a Covid-19 deve levar à reestruturação da economia para um modelo que terá de ser universal. “Reconstruir melhor, de maneira mais verde, com base em conhecimento. Vimos um grande crescimento da desigualdade em vários setores. O vírus impacta mais quem tem piores condições de vida. Exacerba as disparidades de renda”, ressaltou.

Isso, entende ele, significa que o setor financeiro não pode focar apenas na antiga maneira de fazer negócios, com manipulação de mercado, com foco em fusões e aquisições, regras fraudulentas de comercialização. “Os cidadãos têm o direito de exigir uma economia que transpareça a visão deles. O dinheiro tem de proteger os mais vulneráveis, ajudar a reaquecer a economia e, sobretudo, reconstruir melhor”, explicou Stiglitz.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Fenae e Rede Brasil Atual

 

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