Foto: Jailton Garcia – Contraf-CUT

O estudo do Dieese “Reestruturação Produtiva e o Emprego nos Bancos. O Novo Modelo Bancário” foi apresentado dentro do Painel Futuro do Emprego, durante o Congresso Extraordinário da Contraf-CUT nesta quinta-feira, 9, em São Paulo. Apresentada pela economista Vivian Machado, a pesquisa revela que as operações via internet banking e mobile banking já representavam, em 2015, 54% das transações bancárias. Já as operações realizadas nas agências bancárias caíram para 8%.

O impacto na redução dos postos de trabalho também é grande. Entre fevereiro de 2012 e janeiro de 2017, foram eliminados 48.757 postos de trabalho nos bancos, exceto a CAIXA, que sozinha fechou 4.907 empregos somente entre março de 2015 e janeiro de 2017.

Entre as ocupações que perderam espaço na reestruturação, os escriturários são os mais afetados, com 15.654 postos de trabalho fechados, seguidos pelos caixas, com redução de 5.148 vagas.

A economista Vivian Machado também apresentou o quadro com as transações bancárias em 2016. No Itaú e no Bradesco, as oeprações por canais virtuais já são mais de 70%. “O cliente paga o serviço para o banco e ainda tem que fazer tudo sozinho, pelo celular, pelo computador. Segundo o Banco Central, a lei 12.865, de 2013, tinha o objetivo de regulamentar os meios de pagamentos eletrônicos no país, mas para os bancos significou mais lucro e uma redução expressiva de custos”, avalia Vivian.

Em pouco mais de um ano, já são quatro bancos 100% digitais operando no Brasil.  São eles o Banco Original, Banco Intermedium, Banco Neon (sem tarifa de manutenção) e Banco Next (deve iniciar as atividades em breve). Apenas o Itaú, entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016, fechou 288 agências físicas e criou 104 agências digitais.

O estudo do Dieese demostra que a jornada média de trabalho da categoria bancária subiu 6,7% em cinco ocupações, entre 2003 e 2015, chegando a 37 horas semanais. Por outro lado, o tempo médio no emprego diminuiu de 108 para 90 meses, uma redução de 16,4% no período, como efeito da maior rotatividade no setor.

O novo modelo bancário também aumenta a pressão sobre o trabalho bancário, já que o trabalhador é monitorado o tempo todo, seja por e-mails, uso da internet, softwares de controle de tarefas, entre outras ferramentas.

“Percebemos que o número de ocupações de gerentes teve aumento. Um reflexo direto do uso das novas tecnologias. O banco quer que o gerente trabalhe em ritmo mais acelerado, o que leva a um maior adoecimento da categoria. Para não perder o cliente e o emprego, o funcionário trabalha o tempo todo, até fora do horário de expediente”, reforça a economista.

Vivian conclui, “entre os desafios do movimento sindical, diante da nova realidade de relações do trabalho, impactada pela tecnologia, está identificar meios para fortalecer os sindicatos na defesa do emprego bancário e do ramo como um todo”.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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