1º Seminário do Ramo Financeiro da Fetrafi-MG debate transformações e desafios no mundo do trabalho
08/07/2026
Notícias
A Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG) promove, nesta quarta-feira, 8 de julho, seu 1º Seminário do Ramo Financeiro. O evento é realizado em Belo Horizonte e visa discutir as transformações do sistema financeiro, novas tecnologias e desafios para os trabalhadores.
A mesa de abertura contou com representantes de todos os sindicatos filiados à Fetrafi-MG, sendo o Sindicato de BH representado pelo diretor de Políticas Sociais, Sebastião Maria.
“Temos que discutir as mudanças no mundo do trabalho, tratar das fintechs, da categoria dos financiários. Precisamos mostrar as diferenças nos direitos em relação às conquistas dos bancários, e defender trabalho digno para todas e todos. Nossa Federação e os sindicatos se preocupam muito com este tema”, afirmou Carolina Gramiscelli, secretária de Organização do Ramo Financeiro da Fetrafi-MG.
O diretor de Organização do Ramo Financeiro do Sindicato, Giovanni Alexandrino, defendeu a representação de todos os trabalhadores do setor. “As funções que eles desempenham são, historicamente, da categoria bancária. Trabalhadores de financeiras, fintechs e cooperativas de crédito precisam ser representados, ser valorizados e ter acesso às mesmas conquistas”, explicou.
Mulheres na liderança
A presidenta do Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora (SINTRAF JF), Taiomara Neto de Paula, falou sobre os desafios das mulheres, conquistas e a ocupação de espaços de liderança. A bancária fez um resgate histórico dos avanços, lideranças femininas no movimento sindical e destacou as desigualdades que persistem no mundo do trabalho, em salários e ascensão profissional.
Taiomara lembrou, também, que o combate à discriminação e à violência contra as mulheres é responsabilidade de todos. “Precisamos estar unidas, e com os homens também. Principalmente homens do movimento sindical, que é o local em que podemos debater. Temos que ser formadores, homens e mulheres, de espaços em que possamos conversar sobre estes temas”, afirmou.
Sistema financeiro e fraudes
A advogada do Sindicato, Dra. Suely Pimenta, abordou o caso do Banco Master e o impacto das fraudes cometidas pelo banco em fundos de pensão de diversas partes do país. A palestrante destacou a importância de que trabalhadores tenham representantes nestes fundos, para proteger seus interesses e seu patrimônio
Em seguida, o Dr. Leilton Wallas Mendes, advogado da assessoria jurídica do Sindicato, tratou do sistema financeiro em transformações e os desafios trazidos por estas mudanças para o mundo do trabalho. O advogado falou sobre o surgimento e crescimento das fintechs, as novas leis de regulamentação deste novo sistema financeiro e também sobre o uso destas empresas para a lavagem de dinheiro, se aproveitando de uma legislação menos rígida que a referente aos bancos.
História e memória do trabalho
O professor da UFMG e pesquisador do mundo do trabalho Geraldo dos Santos, falou dos trabalhadores e trabalhadoras sob uma perspectiva histórica, explicando o processo de expropriação dos meios de produção. Ele chamou atenção para as disputas que permanecem também no nível da consciência coletiva e para a importância da memória neste processo.
Segundo o professor, a chamada Revolução Industrial 4.0 é muito mais uma imposição política que técnica. “Ela cumpre um papel fundamental de fragmentar ao máximo a classe trabalhadora e dificultar que os trabalhadores tenham uma visão total da realidade”, afirmou, destacando que os detentores de capital tentam impedir que os trabalhadores aprendam as regras do jogo ou que tenham intimidade com os novos meios de trabalho.
Ao final da palestra, os participantes realizaram uma atividade e puderam discutir, em grupos de conversa, sobre as implicações das novas tecnologias no setor bancário.
Programação segue
Durante toda a tarde desta quarta-feira, 8, o Seminário continua com mais debates sobre o mundo do trabalho, terceirizações e novas formas de contratação.