A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) voltou a demonstrar desrespeito com bancárias e bancários nesta segunda-feira, 24. Na 9ª rodada de negociação da Campanha Nacional 2026, os bancos novamente não apresentaram índice de reajuste para salários e demais verbas econômicas. Como se a enrolação não bastasse, a representação patronal ainda atacou a mobilização da categoria e tentou desqualificar a paralisação nacional realizada no último dia 20.
A postura é ainda mais grave diante do momento da Campanha Nacional. Faltam apenas sete dias para o fim da vigência da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e, até agora, a Fenaban não colocou sobre a mesa uma proposta concreta de reajuste. Enquanto isso, bancárias e bancários enfrentam diariamente sobrecarga, metas abusivas, adoecimento, demissões e pressão crescente dentro dos locais de trabalho. Trabalhadores que sustentam os resultados bilionários do sistema financeiro merecem valorização, não uma negociação marcada por adiamentos e provocações.
Durante a mesa, a Fenaban reclamou da paralisação do dia 20 e tentou minimizar seus efeitos. Os fatos desmentem o discurso dos bancos. Centenas de agências, centros administrativos e outras unidades tiveram suas atividades paralisadas em diferentes regiões do país. Em BH e região, a mobilização alcançou centenas de unidades, além de escritórios e plataformas digitais. Se o movimento não tivesse impacto, não haveria razão para tamanho incômodo dos banqueiros.
“Foi exatamente pela falta de proposta e pelo adiamento das negociações econômicas que a paralisação aconteceu, com boa adesão em todo o país. Os bancos tiveram tempo suficiente para construir uma proposta, mas foram adiando essa discussão. A mobilização dos trabalhadores é consequência da postura da Fenaban”, afirmou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional.
A tentativa de atacar a organização dos trabalhadores foi além da mesa de negociação. Pela primeira vez em uma campanha salarial, a Fenaban recorreu à Justiça para tentar impedir atividades de mobilização da categoria.
“O dia 20 mostrou que bancárias e bancários estão indignados e dispostos a lutar. Quero agradecer a cada trabalhador e trabalhadora que participou da paralisação e ajudou a construir essa demonstração de força. A Fenaban pode tentar diminuir o movimento, mas nós vimos o que aconteceu nas agências, nos escritórios e nas plataformas. Se os bancos continuarem enrolando e tratando a categoria dessa forma, a resposta precisa ser ainda mais organização e mobilização”, afirma Ramon Peres, presidente do Sindicato.
Bancárias e bancários reivindicam aumento real, valorização da PLR, aumento do piso e reajustes maiores para os vales alimentação e refeição, além de melhores condições de trabalho e proteção aos empregos. Depois de nove rodadas, a categoria não aceita mais enrolação.
As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban serão retomadas nesta terça-feira, 25. O Sindicato reforça o chamado para que bancárias e bancários permaneçam atentos, organizados e mobilizados. Foi a pressão da categoria que obrigou os bancos a recuar até aqui, e será com mais mobilização que vamos arrancar uma proposta digna.