CAIXA promete apresentar nova proposta para o Saúde Caixa nesta sexta

CAIXA promete apresentar nova proposta para o Saúde Caixa nesta sexta

A CAIXA prometeu apresentar, nesta sexta-feira, 28, uma nova proposta para o Saúde Caixa. O compromisso foi assumido durante a rodada de negociações realizada nesta quinta-feira, 27, em São Paulo, com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE). 

A CEE voltou a deixar claro que a solução precisa ampliar a participação financeira do banco no Saúde Caixa e não pode simplesmente transferir aos usuários o aumento das despesas do plano. “A CAIXA disse que avançou internamente e que vai trazer uma proposta mais alinhada ao que as empregadas e os empregados têm reivindicado. Depois de duas propostas recusadas e de uma mobilização muito forte, o banco sabe que não há espaço para uma solução que apenas mude a forma de cobrança e continue jogando a conta para os usuários. E não estamos negociando apenas o Saúde Caixa: queremos respostas para toda a pauta aprovada no 41º Conecef”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen. 

Na primeira proposta, apresentada e rejeitada em 5 de agosto, o banco pretendia elevar a contribuição do titular de 3,5% para 5,5% da remuneração-base, aumentar fortemente as mensalidades dos dependentes e elevar de 7% para 14% o limite de comprometimento da renda familiar. A segunda, apresentada no dia 14, estabelecia mensalidades por faixa etária, 13 contribuições anuais, piso de R$ 400 por grupo familiar e comprometimento de até 12% da remuneração-base. Também foi recusada pela CEE. 

Para o diretor executivo da Contraf-CUT e representante da entidade na mesa de negociação, Lívio Santos e Assis, a nova proposta precisa alterar a lógica apresentada até agora. "Depois de duas propostas que aumentavam o comprometimento da renda dos usuários sem enfrentar o problema do teto de 6,5%, a CAIXA sabe exatamente onde está a insatisfação. A proposta de sexta-feira precisa mudar essa lógica: ampliar a participação do banco, preservar o modelo 70/30, a solidariedade e o pacto intergeracional e impedir que o aumento dos custos do plano se transforme em perda de remuneração para empregados, aposentados e pensionistas”, afirmou. 

PLR também preocupa empregados 

Logo na abertura da reunião, a CEE chamou a atenção para os resultados divulgados pela CAIXA nesta quinta-feira e cobrou que o banco apresente sua proposta para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). 

Representantes do banco disseram que a PLR também está sendo analisada internamente e lembraram que a negociação envolve o acordo específico sobre o tema, sinalizando que possíveis ajustes serão debatidos com a representação dos empregados.  

CEE cobra novo PCS, PFG e mudanças nos PSIs 

A CEE voltou a cobrar respostas para reivindicações relacionadas à carreira. Entre elas estão a construção de um novo Plano de Cargos e Salários (PCS), a revisão do Plano de Funções Gratificadas (PFG) e mudanças nos Processos Seletivos Internos (PSIs), com critérios mais objetivos e transparentes. Também foi novamente cobrado que nenhuma alteração envolvendo caixas, tesoureiros ou outras funções seja implantada unilateralmente, sem negociação.  

A CAIXA propôs a criação de um grupo de trabalho sobre “trajetória”, que reuniria inicialmente as discussões sobre PCS, PFG, PSI e remuneração variável. A CEE avaliou que PCS, PFG e PSI podem ser tratados de maneira articulada, mas defendeu um grupo específico para remuneração variável. 

A representação dos empregados também exigiu que os grupos tenham funcionamento efetivo, com composição apenas entre CAIXA e Contraf-CUT, periodicidade definida, calendário de reuniões e prazo para apresentação de resultados. A CEE quer ainda que o compromisso de tratar esses temas seja incorporado ao ACT, uma vez que não haverá tempo suficiente para concluir toda a discussão sobre novos planos de carreira antes do encerramento da campanha. A CAIXA ficou de avaliar a proposta de separação dos grupos.  

Super Caixa precisa ser negociado 

Outro tema central foi o Super Caixa. A CEE reiterou que qualquer programa que interfira na renda dos trabalhadores deve ser negociado com suas entidades representativas e voltou a defender regras simples e conhecidas previamente, sem alterações durante o ciclo, além do princípio “vendeu, recebeu” e de um modelo que reconheça o resultado construído coletivamente.   

Atendimento presencial e digital 

A organização do atendimento nas agências também ocupou parte importante da reunião. A CEE apresentou relatos de sobrecarga de empregados que precisam realizar simultaneamente atendimentos presenciais e digitais. A CAIXA informou que 2.178 agências estão no modelo chamado de atendimento “figital” e ressaltou que a experiência ainda é considerada um projeto em implementação e sujeito a ajustes. O banco propôs uma agenda específica, logo após a conclusão do acordo coletivo, para confrontar os dados acompanhados pela área de rede com os relatos apresentados pela representação dos empregados e avaliar mudanças no modelo.  

A CEE diferenciou o Figital do Gênesys, já utilizado em toda a rede, e alertou que o modelo estabelece prazos para resposta ao cliente e mecanismos que podem penalizar as unidades. Além disso, voltou a defender o fortalecimento das Gipes (Gerências de Gestão de Pessoas), que perderam atribuições ao longo dos últimos anos. Para a representação sindical, diversas responsabilidades relacionadas à gestão de pessoal foram transferidas para gestores das unidades, que já convivem com múltiplas exigências operacionais e comerciais.  

Avanço para empregados PCDs e com TEA 

A CAIXA apresentou proposta para ampliar aos próprios empregados com deficiência, inclusive com Transtorno do Espectro Autista (TEA), condições especiais já previstas para trabalhadores que têm dependentes PCDs. Entre elas, redução de jornada de até 25%, flexibilização de horário ou encaminhamento para trabalho remoto, especialmente para realização de terapias. A análise deverá ser feita por equipe multidisciplinar, considerando a situação individual de cada trabalhador.  

O fluxo prevê que o trabalhador procure o atendimento de pessoas. Quem ainda não estiver cadastrado como PCD passará pelo novo processo de enquadramento discutido nas negociações. Uma vez reconhecida a condição, poderá solicitar as condições especiais, com avaliação multidisciplinar e retorno ao empregado e à unidade.  

A CAIXA afirmou que as necessidades serão avaliadas individualmente e que, quando houver indicação de transferência, a área de pessoas terá competência para viabilizá-la. O banco também se comprometeu a criar um código específico para registrar as ausências decorrentes da redução de jornada, de modo a deixar claro que se trata de um direito decorrente do enquadramento, e não de uma liberalidade do gestor.  

A CEE cobrou ainda critérios com o máximo de objetividade possível, ampla divulgação dos direitos e atenção às condições de acessibilidade e infraestrutura dos locais de trabalho. Para a representação sindical, o novo acordo precisa impedir que empregados sejam excluídos de oportunidades ou tenham sua capacidade profissional prejudicada pela falta de adaptações adequadas.  

  

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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