Após resistência e sucessivas rejeições, negociação chega a proposta com 0,6% de aumento real

29/08/2026

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Após resistência e sucessivas rejeições, negociação chega a proposta com 0,6% de aumento real

Depois de semanas de negociação, mobilização nas ruas, plenárias, atos e uma paralisação nacional que mostrou a disposição de luta da categoria, o Comando Nacional dos Bancários chegou, neste sábado, 29 de agosto, a uma proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e para ser avaliada em assembleias.

A proposta garante reposição integral da inflação pelo INPC mais 0,6% de aumento real em 2026 e também em 2027, aplicado aos salários e a todas as demais verbas econômicas, como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Todos os direitos previstos atualmente na CCT também ficam preservados. 

Na reta final da Campanha, a Fenaban chegou à mesa tentando impor perda real de até 1,99%. Foram sucessivas propostas rejeitadas pelo Comando Nacional antes que os bancos abandonassem o arrocho, aceitassem repor integralmente a inflação e, posteriormente, apresentassem aumento real. Na penúltima etapa da negociação, os índices de ganho real ainda estavam em 0,33% e 0,26%. Somente após nova rejeição e continuidade da negociação a Fenaban chegou aos 0,6% para os dois anos e sobre todas as verbas. 

Categoria resistiu aos ataques dos bancos 

Durante a Campanha Nacional, os bancos não atacaram apenas o reajuste. A Fenaban tentou romper a mesa única de negociação, congelar verbas, mexer na gratificação de função de caixa e impor diferenciações entre trabalhadores. Em uma das propostas anteriores, chegou a defender congelamento do piso de ingresso e reajustes diferenciados por faixas salariais. 

Em BH e região, a resposta da categoria foi contundente. Quando uma dessas propostas foi levada à Assembleia, 98% dos votantes a rejeitaram e 93% aprovaram a paralisação de 24 horas. 

No dia 20 de agosto, bancárias e bancários realizaram uma paralisação histórica, atingindo agências, escritórios, plataformas e também o trabalho digital. O Sindicato esteve nas ruas, organizou um grande ato em frente à CAIXA e percorreu dezenas de locais de trabalho, ampliando a pressão sobre os bancos. 

Ao longo de toda a Campanha, o Sindicato também promoveu sucessivas plenárias com a categoria, assembleias, atividades nas unidades e mobilizações nas redes e nas ruas para informar cada passo das negociações e construir a pressão necessária sobre a Fenaban. 

Direitos preservados e novas garantias 

Além do aumento real e da manutenção integral da Convenção Coletiva, a proposta inclui avanços em temas que estiveram na pauta da categoria durante a Campanha Nacional. 

Saúde mental: os sindicatos passam a participar do Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais previsto na nova NR-1, fortalecendo a atuação sobre fatores que provocam adoecimento mental no trabalho. 

Combate ao assédio: o canal de combate ao assédio moral e sexual criado na Campanha Nacional de 2024 também poderá receber denúncias relativas a atos praticados por clientes contra bancárias e bancários. 

Monitoramento digital: foram estabelecidas regras de transparência e limites para ferramentas de vigilância e monitoramento utilizadas pelos bancos, além da defesa de gestão humana e ética das tecnologias. 

Direito à desconexão: fica reforçado o direito de bancárias e bancários de não responder demandas, mensagens de gestores ou clientes fora da jornada de trabalho. 

Outro ponto importante para a base de BH e região é que a Fenaban garantiu o abono do dia da paralisação nacional de 20 de agosto nas bases que aprovarem a proposta nas assembleias. 

Proteção diante do fechamento de agências e das demissões 

A proposta também estabelece novas medidas para trabalhadores demitidos em decorrência do fechamento de agências. 

Uma delas é a contratação da Gi Group, consultoria que deverá realizar diagnóstico individual, oferecer qualificação e auxiliar na recolocação dos trabalhadores no mercado. Os bancários também terão acesso a uma plataforma de cursos e a um banco de talentos para aproximação com outras empresas. 

Também haverá aumento da indenização adicional prevista na CCT. Com a nova regra, o total passa a ser de: 

Os valores combinam a indenização já prevista na Convenção com uma nova parcela adicional negociada nesta Campanha. 

  

A medida ganha importância diante do processo acelerado de reestruturação do sistema financeiro. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram fechadas 9,5 mil agências bancárias no país. Apenas no primeiro semestre deste ano, os maiores bancos encerraram outras 669 unidades. 

  

Sindicato orienta aprovação da proposta 

A mobilização fez a Fenaban sair de uma proposta que chegou a representar 1,99% de perda real para uma proposta com reposição integral da inflação e 0,6% de aumento acima dela por dois anos, em todas as verbas. A CCT permanece preservada e novas proteções foram incluídas. 

Por isso, diante do limite alcançado após sucessivas rejeições e uma negociação que atravessou os últimos dias e madrugadas, o Sindicato avalia que a proposta é justa para apreciação da categoria e orienta sua aprovação em Assembleia. 

A proposta será submetida às assembleias das bancárias e dos bancários. A participação de todas e todos é fundamental para que a categoria conheça os detalhes do acordo, tire dúvidas e tome coletivamente a decisão sobre o encerramento da Campanha Nacional 2026.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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