A CAIXA obteve lucro líquido contábil de R$ 16,1 bilhões em 2025, crescimento de 18,7% em relação ao ano anterior e rentabilidade (ROE Recorrente) de 10,7%, aumento de 0,3 ponto percentual em 12 meses.
“As manchetes nos jornais anunciam o lucro de R$ 15,5 bilhões em 2025. Mas se trata do lucro líquido recorrente, que é a métrica de maior interesse do mercado, uma vez que mostra a capacidade real e sustentável de geração de negócios. Para os empregados, a métrica mais interessante é a que mostra o quanto a empresa ganhou de fato no período. E é isso o que conta para o cálculo da PLR, por exemplo”, explicou a economista Hyolitta de Araújo, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Carteira de crédito
Outro destaque financeiro importante é o aumento de 11,5% da carteira de crédito total do banco, alcançando R$ 1,378 trilhão em 12 meses. O carro chefe é o crédito imobiliário, que alcançou R$ 938 bilhões no período, crescimento de 13% em um ano. As contratações de crédito imobiliário em 2025 chegaram ao R$ 690,2 bilhões, alta de 12,2% na comparação com 2024.
Emprego e atendimento
Com relação ao saldo de emprego, a CAIXA segue na contramão dos demais bancos que fecham postos. O banco encerrou 2025 com 84.394 empregados, 1.087 a mais em 12 meses. Porém, no mesmo período, o banco fechou 138 agências e 195 postos de atendimento.
“Apesar de não haver o risco do desemprego, o fechamento de agências e postos de atendimento traz grande preocupação, pois gera perda de funções e a consequente queda da remuneração. E isso gera grande apreensão no pessoal da CAIXA”, observou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Felipe Pacheco.
Saúde e valorização como estratégia
Para a representante das empregadas e empregados no Conselho de Administração da CAIXA, Fabi Uehara, o resultado positivo no saldo de emprego não pode esconder problemas gerados pela sobrecarga, cobrança abusiva de metas e fechamento de agências. “Se somarmos a questão da perda de função, o aumento do número de clientes, contas bancárias e transações financeiras, veremos que, enquanto o banco economiza, os trabalhadores perdem remuneração, mas trabalham mais. A consequência é o aumento do adoecimento e do absenteísmo”, explicou.
“Isso tem a ver com as condições de trabalho, mas também com a estratégia de médio e longo prazo da CAIXA. Temos que nos adequar para disputar o mercado e manter sustentabilidade do banco, sem nos esquecermos da saúde e das condições de trabalho dos empregados e do atendimento diferenciado que exigem nossos clientes, que muitas vezes não têm acesso a smartphones e pacotes de dados de internet”, defendeu Fabi, ao explicar que o adoecimento gera custo e que trabalhador valorizado é mais produtivo.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT