A Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro promove, nesta terça-feira, 10, em Belo Horizonte, seu primeiro Seminário de Comunicação. Com o tema “Diálogos para a construção de uma nova comunicação sindical”, o evento discute os atuais desafios com o surgimento de novas tecnologias e a polarização política.
Na primeira mesa, José Luiz Quadros, professor da UFMG e diretor do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte e Montes Claros (APUBH), analisou o cenário global e avaliou que, atualmente, o mundo vive uma crise democrática. Para José Luiz, a comunicação, nos dias de hoje, ocorre em meio a uma guerra de afetos em que a desinformação alimenta o ódio e a animosidade entre as pessoas.
“A mentira afeta as pessoas, emocionalmente, e elas ficam com medo, que se torna raiva e ódio. Com isso, a política democrática acaba, pois a democracia é a discussão racional, com argumentos, o debate sobre políticas públicas. E é aí que mora o fascismo, que lida com as emoções radicalizadas das pessoas”, explicou o professor.
Segundo José Luiz, para combater este cenário e defender a democracia, é preciso ultrapassar esta barreira, este muro emocional, por meio de presença e afeto.
Diálogo progressista com o segmento evangélico
Fillipe Gibran, pastor evangélico e produtor de conteúdo digital, foi o palestrante da segunda mesa do Seminário e abordou o contexto histórico de surgimento do protestantismo, muito ligado à ascensão do capitalismo e à acumulação de capital. O pastor explicou que é preciso compreender este panorama para abrir diálogo com o campo evangélico.
Destacando o atual momento político e econômico do Brasil, Fillipe afirmou que as igrejas ocupam um espaço, especialmente nas periferias, que o Estado e o campo progressista abandonaram. “Na ausência de políticas de Estado, nasce a figura do ‘pastor libertador’. A esquerda parou de disputar os corações das pessoas e só se preocupa com as eleições. Porém, a política eleitoral é apenas 10 ou 20% do trabalho que temos que fazer”, disse.
O pastor chamou atenção para o fato de que, mais que entre direita e esquerda, a disputa hoje tem viés religioso e moral. “Não é disputa apenas eleitoral, é ideológica e cultural. É preciso entender a sociedade que estamos vivendo para fomentar boas práticas e boas políticas da espiritualidade”, destacou, apontando a educação e o estímulo à criticidade, até mesmo na leitura bíblica, como um caminho possível para retomar o diálogo com os evangélicos.