Contraf-CUT cobra mudanças no programa Super Caixa e alerta para possíveis prejuízos aos trabalhadores

02/04/2026

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Contraf-CUT cobra mudanças no programa Super Caixa e alerta para possíveis prejuízos aos trabalhadores

As mudanças implementadas pela CAIXA no regulamento do programa de comissionamento Super Caixa 2026 acenderam um alerta entre as entidades representativas dos empregados. A análise feita pela Contraf-CUT, assessorada pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE), aponta que as alterações ampliam condicionantes para o pagamento da comissão, aumentam a complexidade do sistema de metas e podem dificultar o acesso dos trabalhadores aos valores previstos no programa.

“A CAIXA implementou este programa sem qualquer debate ou participação da representação dos trabalhadores. Se houve qualquer conversa sobre o programa antes de o mesmo ser implementado, não foi com qualquer entidade ligada à Contraf-CUT”, lembrou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), da CAIXA, Felipe Pacheco. A CEE representa a Contraf-CUT nas negociações com a CAIXA.

Super Caixa 2026: ainda pior

Entre as principais mudanças, está a inclusão de uma nova condição para o comissionamento: o pagamento passa a depender também do lucro líquido contábil da CAIXA no semestre. Antes, a comissão estava diretamente relacionada ao cumprimento das metas estabelecidas para as unidades e equipes.

Outro ponto destacado pelas entidades é a adoção de um novo modelo de avaliação baseado em múltiplas dimensões de desempenho, ampliando o número de indicadores utilizados para medir resultados. Também foi introduzido um modelo escalonado de comissionamento, com cinco níveis de pagamento, o que pode reduzir o valor final recebido pelos trabalhadores quando os níveis mais altos não são atingidos.

Além disso, o regulamento altera critérios operacionais importantes, como o aumento do tempo mínimo considerado para apuração do resultado em uma unidade e mudanças na forma de cálculo do teto da comissão.

Propostas de mudanças

A representante das empregadas e empregados no Conselho de Administração da CAIXA, Fabiana Uehara, informou que a representação dos trabalhadores apresentou sugestões para tornar o programa mais transparente e equilibrado.

Entre as propostas defendidas pela conselheira e pelas entidades estão:

•    Retirada da condicionante de lucro para pagamento da comissão; 

•    Simplificação dos critérios e indicadores utilizados na avaliação; 

•    Manutenção de regras que não prejudiquem trabalhadores que mudam de função ou unidade durante o período; 

•    Maior transparência sobre o orçamento total destinado ao comissionamento. 

Para Fabiana, a valorização dos empregados precisa estar no centro das políticas de reconhecimento do banco. “Quem constrói o resultado da CAIXA no dia a dia são as empregadas e os empregados. Na rede de atendimento, essa cobrança é ainda maior. Por isso defendemos regras claras, previsíveis e que reconheçam de fato o esforço individual e coletivo. O comissionamento precisa considerar não apenas quem realiza a venda, mas também quem garante o atendimento, a orientação ao cliente e a qualidade da entrega”, afirmou.

Tema precisa ser debatido

A discussão sobre o programa também foi levantada pela representação dos trabalhadores na reunião realizada entre a CEE e o banco no dia 31 de março de 2026, quando as entidades trataram de diferentes temas relacionados às condições de trabalho e às políticas de gestão de pessoas, principalmente questões relacionadas ao combate ao assédio e à violência contra as empregadas da CAIXA.

Na ocasião, os representantes dos empregados reforçaram a necessidade de discutir os impactos das mudanças no programa e defenderam ajustes que garantam maior justiça e transparência nos critérios adotados. Como encaminhamento, a CEE solicitou à CAIXA a realização de uma reunião específica para tratar do Super Caixa. A proposta é para que a reunião ocorra já na próxima semana, no dia 8 de abril, com o objetivo de debater as mudanças no regulamento e apresentar as propostas da representação dos trabalhadores.

Para a CEE, que assessora Contraf-CUT nas negociações com a CAIXA, é fundamental que os programas de reconhecimento adotados pelo banco valorizem efetivamente o trabalho das equipes e não ampliem a pressão por metas sem assegurar contrapartidas adequadas aos trabalhadores.

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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