Lucro do Banco do Brasil despenca 53,5% no 1º trimestre de 2026

15/05/2026

Banco do Brasil
Lucro do Banco do Brasil despenca 53,5% no 1º trimestre de 2026

A análise do Dieese sobre o balanço do Banco do Brasil mostra uma forte queda no desempenho da instituição no início de 2026. No primeiro trimestre do ano, o lucro líquido ajustado do banco somou R$ 3,431 bilhões, retração de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o resultado havia alcançado R$ 7,374 bilhões. Na comparação com o trimestre anterior, a queda foi de 40,2%.

Para a coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, o resultado reforça a necessidade de debate sobre a estratégia do banco e seus impactos sobre trabalhadores e clientes. “Os números mostram que não é possível sustentar resultados apenas com cortes de custos e redução de estruturas. A diminuição do quadro de funcionários e o fechamento de unidades afetam o atendimento à população e aumentam a sobrecarga de trabalho. É fundamental discutir o papel do Banco do Brasil como instituição pública comprometida com o desenvolvimento do país e com condições dignas para seus trabalhadores”, afirma.

Uso de créditos tributários ameniza resultado

O banco utilizou créditos tributários nos três períodos comparados. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o valor chegou a R$ 2,1 bilhões. Sem esse recurso contábil, o lucro teria sido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, evidenciando uma queda ainda mais acentuada.

De acordo com o banco, o desempenho foi impactado principalmente por:

  • Aumento de 85,8% no custo do crédito, que totalizou R$ 18,9 bilhões, ainda refletindo problemas de inadimplência na carteira do agronegócio
  • Redução das despesas de captação, associada a menores volumes de LCA e ao efeito calendário (três dias úteis a menos)
  • Crescimento de 5,5% nas despesas administrativas, influenciado pelo reajuste salarial de 2025 e investimentos em tecnologia e cibersegurança

Veja aqui os destaques completos do Dieese.

Crédito cresce, mas inadimplência preocupa

A carteira de crédito expandida do banco atingiu R$ 1,306 trilhão, com crescimento de 2,2% em 12 meses e 0,7% no trimestre. Porém, as chamadas “perdas esperadas” — antigas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) — cresceram 46,6% em 12 meses, somando R$ 16,8 bilhões. O índice de inadimplência superior a 90 dias chegou a 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual em um ano.

Tarifas seguem cobrindo despesas com pessoal

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,5% em 12 meses, alcançando R$ 8,8 bilhões no período. Já as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, ficaram próximas de R$ 7,2 bilhões, praticamente estáveis (-0,1%). Com isso, as receitas secundárias do banco passaram a cobrir 122,75% das despesas de pessoal, aumento de 6,48 pontos percentuais em 12 meses.

Menos trabalhadores e menos agências

Mesmo com a ampliação da base de clientes — que cresceu em 1 milhão de pessoas e chegou a 83 milhões em março de 2026 —, o banco seguiu reduzindo sua estrutura. Para o movimento sindical, isso reforça a preocupação com o impacto das reestruturações sobre o atendimento à sociedade e as condições de trabalho nas unidades do banco.

Ao final do trimestre, o Banco do Brasil contava com 84.619 funcionários, após:

  • Fechamento de 1.498 postos de trabalho em 12 meses (-1,7%)
  • Redução de 587 empregos apenas no trimestre (-0,7%)
  • Encerramento de 56 agências tradicionais e 113 postos de atendimento em um ano
  • Abertura de apenas uma agência digital e especializada

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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