Desafios dos trabalhadores, democracia e papel das mulheres entram em debate na Conferência Estadual
23/05/2026
Notícias
Bancárias e bancários de Minas Gerais deram início ao segundo dia da 28ª Conferência Estadual, neste sábado, 23, com debates sobre o cenário estadual, os desafios da classe trabalhadora e a atuação das mulheres na política. O evento promovido pela Fetrafi-MG reúne cerca de 100 delegados de todas as regiões de MG.
O presidente da CUT Minas, Jairo Nogueira, destacou que o campo progressista enfrenta dificuldades no estado, ao mesmo tempo em que Minas passa por problemas em diversos setores. Entre os desafios, estão a precarização na saúde e educação, o endividamento, a entrega do patrimônio dos mineiros e o desrespeito aos trabalhadores. “O governo Zema inaugurou um processo de zero negociação com a classe trabalhadora. É um governo que não reconhece as entidades sindicais e apresenta propostas prontas, sem diálogo, para que sejam aprovadas pelos servidores”, explicou Jairo.
O dirigente ressaltou que, em âmbito nacional, a luta pelo fim da escala 6x1 é uma oportunidade para aproximar os sindicatos de trabalhadores que muitas vezes têm resistência ao movimento. “Tem se criado uma noção de coletividade, de classe trabalhadora, a partir do debate de redução da jornada. É nosso dever levar para a frente o que debatemos em eventos como o de hoje. Estamos em um momento histórico, no Brasil, em que podemos de fato fazer mudanças estruturais na questão do trabalho”, afirmou.
Mulheres e democracia
A deputada estadual Beatriz Cerqueira abordou o cenário político sob o ponto de vista da atuação das mulheres, ressaltando que o machismo e a misoginia estruturais permeiam as relações de poder. “Hoje, na Assembleia, somos 15 mulheres entre 77 parlamentares. E nosso dia a dia é marcado pela violência”, destacou.
“Ver um deputado mandar uma parlamentar ‘calar a boca’ ao vivo na TV empodera outros homens a cometerem violência contra as mulheres com as quais se relacionam. Da mesma forma, esse exemplo é passado quando um estado como Minas Gerais, um dos campeões do feminicídio, não adere ao pacto nacional contra a violência de gênero apenas para polarizar com o governo federal”, denunciou Beatriz.
Analisando o cenário da política institucional e as eleições, a deputada afirmou que é preciso se organizar com visão de longo prazo. “Precisamos ocupar o espaço que decide a vida da classe trabalhadora. O parlamento adquiriu uma centralidade com a qual não estamos acostumados. Não adianta elegermos presidente se não dermos atenção ao poder legislativo”, explicou a parlamentar, reforçando também que é necessário pautar a política e tensionar as relações para que temas de interesse possam avançar.
Moção em defesa dos aposentados
Antes da realização das mesas temáticas, o diretor de Assuntos dos Aposentados, Antônio Guimarães (Magaiver), apresentou uma moção a ser levada aos bancos em defesa de bancárias e bancários aposentados. O documento trata do direito à manutenção do plano de saúde pós-aposentadoria em condições viáveis, assim como do combate ao etarismo. Delegadas e delegados assinaram a moção para reforçar o apoio ao texto.