CAIXA não responde sobre Saúde Caixa, Super Caixa e sobrecarga, e empregados relatam adoecimento
27/05/2026
Caixa Econômica Federal
Mais uma rodada de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da CAIXA e a direção do banco terminou, nesta terça-feira, 26, sem respostas efetivas do banco. Saúde Caixa, remuneração variável, transformação digital, atendimento remoto e condições de trabalho dominaram os debates.
Para a representação dos empregados, o sentimento que marcou o encontro foi o de um pedido de socorro da rede de atendimento. “Trabalhadores relatam aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento, ao mesmo tempo em que precisam atender, simultaneamente, clientes pelos canais presencial e digital”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.
Transformação digital preocupa trabalhadores
A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração “figital” (presencial, em unidade física, e digital) também gera preocupação. Embora a CAIXA fale em modernização, as entidades alertam para o aumento da pressão por resultados. A CEE reforçou que empregados relatam dificuldades para conciliar atendimento presencial com demandas digitais em um ambiente marcado por metas elevadas e falta de clareza.
O representante da Fetrafi-MG e vice-presidente da Fenae, Clotário Cardoso, defendeu a adoção de um modelo com estrutura adequada, contratação de pessoal e melhores condições de trabalho para não prejudicar clientes nem adoecer empregados. “A CAIXA não pode fazer uma digitalização forçada. O atendimento virtual precisa existir, mas com estrutura adequada, sem adoecer os trabalhadores e sem prejudicar o cliente que foi até a agência”, observou.
Super Caixa segue acumulando críticas
O programa Super Caixa também foi alvo de fortes críticas, com cobranças por transparência e negociação efetiva. A CEE relatou reclamações de diversas regiões do país sobre regras consideradas obscuras, alterações frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos empregados.
Entidades cobram diálogo e transparência
As entidades observam que os impactos das questões tratadas na mesa recaem sempre sobre a rede de agências, resultando em precarização do trabalho, redução de funções e perda de direitos. A representação dos trabalhadores voltou a exigir que qualquer reestruturação seja debatida previamente, conforme previsto no acordo coletivo.
Saúde Caixa volta ao centro das preocupações
A CEE cobrou a retomada imediata das negociações sobre o Saúde Caixa. As entidades reforçaram a defesa do plano de saúde, a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria CAIXA em seu estatuto e a manutenção dos princípios do plano. A não participação do banco no custeio para admitidos a partir de setembro de 2018 também é uma queixa, pois afeta cerca de 15 mil trabalhadores.
Projeto Gênesis e cobrança por transparência
Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. A CAIXA assumiu o compromisso de não promover ranqueamento de unidades participantes, uma reivindicação apresentada diante do receio de aumentem a competição interna e a pressão sobre as equipes. As entidades cobraram transparência sobre os critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas.
“A CAIXA continua acumulando estudos enquanto os empregados acumulam pressão, perdas financeiras e adoecimento. Fica cada vez mais evidente que somente a mobilização da categoria será capaz de arrancar respostas concretas e garantir a defesa dos direitos dos trabalhadores”, concluiu Felipe Pacheco.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT